“Eu já não posso mais sair na rua,/ Sou conhecido de qualquer jeitinho, / E as meninas quando me avistam, / Vão logo dizendo: aí vem o Zininho!”
Com esta vinheta de abertura, Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho, estreou o seu programa semanal O Glentleman do Samba, na Rádio Guarujá em 1947, cantando sambas de breque no melhor estilo Jorge Veiga e Moreira da Silva, e sambas antológicos de Ary Barroso, Ismael Silva e Ataulfo Alves.
Zininho tem, para Florianópolis, a mesma importância musical de Lupicínio Rodrigues, para Porto Alegre, Adoniran Barbosa, para São Paulo, Noel Rosa, para o Rio de Janeiro e Dorival Caymmi, para a Bahia, genuínos porta vozes de uma geração preocupada em cantar o amor, a saudade e as belezas de suas terras. Autor do Rancho de Amor à Ilha, hino oficial da cidade, e dezenas de outras significativas composições inspiradas no cotidiano da Ilha de Santa Catarina, ele é reconhecidamente o poeta popular mais expressivo e identificado com “este pedacinho de terra perdido no mar”.
Considerado um legítimo ilhéu, poeta que cantou a sua cidade em prosas e versos, por ironia do destino, Zininho não nasceu em Florianópolis, mas sim em Biguaçu, no distrito de Três Riachos. O velho Largo Treze de Maio, o antigo casario das ruas Bulcão Vianna e Menino Deus, os campos de peladas sobre o aterro impiedoso que sufocou o quebra-mar para sempre, foi palco de sua infância, mais tarde perpetuada em letra de um samba bem ritmado.
Ai, que saudade, / eu vou sentir a vida inteira, do velho Largo Treze de Maio, / que hoje é Praça da Bandeira.
O Balneário, no Estreito, no entanto, onde viveu a sua adolescência entre chácaras com frutos abundantes, não está inserido em suas composições, fato inconteste de que a magia da ilha povoou a sua inspiração. Leia mais…
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