Uma palavra de despedida apenas. Ninguém mais se lembra

Seguir um caminho sem horizontes seria mais humano que seguir um horizonte de malquerença. Ninguém é tão sacrificado, já disseram, pelo dever, que não possa, de quando em quando, levantar os olhos ou dizer uma frase, em sinal de agradecimento. Mas tudo era encarado como simples obrigação. Fique comigo mais um pouco e deixe que lhe diga como quase tudo transcorreu.Os rochedos de sombras foram crescendo à volta, sufocando a todos em casa. Não havia amizade. As crianças, notava-se em seus semblantes, aparentavam saídas das penumbras de um esquecimento mórbido.Aquela mulher nunca aprendeu a sorrir – mas se soubesse, esconderia para si própria – e a abençoar, “para que a alegria – até em momentos mais difíceis – pudesse seguir avante, incentivando corações e as mãos que operam a expansão da bondade e amizade”.Dizem que para toda ferida há remédio adequado. Acontece que, no caso presente, nenhuma ferida ficará. Portanto, o remédio não existe. Apenas, com o correr dos tempos, a liberdade poderá parecer prisão definitiva.Ninguém mais se lembra das canseiras do dia-a-dia. Ninguém mais se lembra das noites indormidas, pensando na doença que poderia vir e que deveriam ser enfrentadas a dois.

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