Um “caro” personagem de nossa história

Publicado em: 28/04/2013

Onde houvesse jogos, lá estava Rozendo, observando e tentando encontrar mais uma revelação…

Maury Dal Grande Borges*

Rozendo, símbolo do salonismo em SC

Em agosto de 1956, estávamos trabalhando nas oficinas do jornal A Gazeta, editado na Capital, hoje extinto. Juntamente com Amaury Callado e Waldir Mafra, formávamos a equipe de redação e direção da página esportiva. Rozendo Vasconcellos Lima tinha o compromisso maior de cobrir o basquetebol da cidade, esporte a que se dedicava. Não lembro, onde, quando e como nos conhecemos, mas a rotina do trabalho nos aproximou. Assim, convivemos alguns meses nesse ambiente dedicado ao esporte. Depois, passamos a trabalhar na Rádio Diário da Manhã, comando de Humberto (Fernandes) Mendonça.

O movimento para a criação da Federação Catarinense de Futebol de Salão teve a liderança de Rozendo, uma vez que o salonismo que surgia na Capital era comandado pela FAC, através de Departamento Especializado, com Waldir Mafra na direção. Ele participou da primeira reunião e foi sempre o elo de ligação entidade-crônica esportiva.

Mesmo reservando horas de dedicação para as novelas em rádio, o futebol de salão  dominou todas as atividades do gaúcho que havia nascido na cidade de Rio Grande no dia 30/09/1932. Ocupou o cargo de Delegado da Sunab em Santa Catarina e ainda conseguiu tempo para movimentar todo um grupo que tinha como intenção a fundação da Associação Amigos da FCFS idealizando torneio de Sêniores.

Foi treinador da Seleção da Ilha que conquistou os Jogos Abertos no dia 27/10/1984, em Concórdia, derrotando Joaçaba por 2 X 1. A paixão pelo futsal e o talento em descobrir valores foram qualidades de Rozendo. Técnico do clube 12 de Agosto, Besc, Seleção de Florianópolis, Seleção Estadual, Supervisor técnico… Rozendo acumulou títulos ao longo de sua trajetória e várias histórias são contadas, servindo ele como figura central dos acontecimentos.

Certa vez, no estádio da FAC, numa partida decisiva do Regional, Rozendo entrou arbitrariamente na quadra impedindo que o clube adversário pulasse à frente no marcador. Era um verdadeiro “tarado” pelo futsal.

Onde houvesse jogos, lá estava Rozendo, observando e tentando encontrar mais uma revelação…

Sabia conversar e tinha potencial de envolver seus “pupilos” tratando-os por “Caro”. Assim era também conhecido. Uma figura que se adaptou ao meio e trouxe muitas alegrias para o nosso esporte. A entidade salonista, logo após a sua morte (data), promoveu o campeonato e deu ao troféu o nome do símbolo do salonismo ilhéu: Troféu Rozendo Lima. Uma homenagem de reconhecimento ao craque dos bastidores.

O gaúcho-catarina, faleceu nesta Capital no dia dois de novembro de 1992, justamente no dia em que Florianópolis decidia vaga para a semi-final dos Jogos Abertos. Venceu a seleção da Capital por 1 x 0, com o gol definido como espírita” pelos atletas, dirigentes e torcedores, devido a circunstância de como aconteceu. A bola chutada por Nelsinho – com muita força – acabou ganhando efeito, enganando o goleiro. Para muitos, foi o pé de Rozendo que ajudou a desviar a bola para as redes.

O Ginásio construído pelo governo do Estado – administração Wilson Kleinübing – em substituição ao estádio Santa Catarina – FAC, teve seu nome indicado por Heraldo do Valle, reforçado por alguns desportistas.

Após pesquisa, o governador determinou que o novo ginásio teria o nome do “Caro” amigo Rozendo. E assim foi.

Lamentável que no dia da inauguração a maioria de seus amigos foram esquecidos pelo cerimonial do Palácio do Governo, fato ainda hoje comentado. Nossa homenagem ao inesquecível Rozendo!

* Maury Dal Grande Borges no livro Futsal em traje de gala – Histórico da Federação Catarinense de Futebol de Salão, de sua autoria. Florianópolis, 2007.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *