Tal avô, tal o neto

selo-cadeira-do-barbeiroLá pelas cinco da tarde toca o telefone. Seu Valdemar atende:

– Alô.

– Oi vô, sou eu, tudo bem?

Seu Valdemar tem mais de 10 filhos e pelo que sabe, 23 netos. Achou chato perguntar o nome, então pensou: Leonardo, João Vitor, Lucas, Guilherme, Vinícius, Eduardo, achou enfim que fosse o Lucas. E continuou a conversa:

– E você, como está meu neto?

– Estou bem vô. Desculpe não ter ido te visitar nos últimos dias, é que estou com muita tosse – De fato seu Valdemar notou que a conversa era constantemente interrompida pela tosse do neto do outro lado da linha. Mas a conversa segue:

– E teus pais estão bem?

– Ah, estão bem, obrigado. Pediram para eu lhe mandar um abraço.

– Obrigado, mande outro.

– O vô está bem de saúde?

– Sim, na medida do possível. Com quase 80 não dá pra reclamar.

– Está sozinho em casa?

– Sim. Tua avó saiu – Lucas sentiu um calafrio. A sua avó havia morrido há dois anos. Ou o avô havia se casado de novo sem que ele soubesse, ou era o tal do Alzheimer. O neto preferiu fingir que não tinha ouvido nada sobre a avó. Seguiram a conversa:

– E essa tosse, está tomando algum xarope?

– Estou vô, mas, sabe como é que é. O tal do cigarro é que acaba comigo. Tenho que largar o fumo – Agora era a vez de seu Valdemar ficar perplexo. Nenhum dos seus filhos e nenhum de seus netos jamais havia fumado. Lucas fumando, impossível, pensou. Resolveu fazer de conta que não havia ouvido o neto falar sobre o cigarro.

Seu Valdemar resolveu chamar o neto pelo nome e disse:

– Lucas, te cuida meu neto – O rapaz do outro lado da linha estranhou:

– Lucas? O senhor me chamou de Lucas? Meu nome é Gustavo. Filho do Reginaldo.

Vô Antônio, o vô está bem?

– Antônio? Meu nome não é Antônio. Meu nome é Valdemar.

– Meu Deus, senhor, desculpe, disquei o número errado.

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