Salão de baile, o palco de alegrias e diversão

Ah! que saudade dos doces costumes ‘das antigas’. Nas grandes cidades os bailes eram realizados nos clubes da elite, com grandes orquestras e lindas damas cheirando a perfume francês.

Sintonia Fina 2Nos bairros pobres, eram salões, na maioria improvisados, onde pequenos conjuntos formados por um sanfoneiro, um baterista e um violeiro, davam conta do recado, fazendo o povão se esbaldar dançando a noite inteira ao ritmo de “chotes, rancheiras, muito samba e baião. O repertório era sempre repetido, uma vez que as novidades musicais que deveriam chegar pelas ondas curtas do rádio, geralmente se perdiam  nos ruídos da sintonia difícil na maioria das localidades brasileiras.

Contam os mais antigos que em Guaratuba, apesar de ser um a cidade muito pequena, havia vários salões onde a comunidade se divertia, sem separação de ricos e pobres. No centro da cidade um salão, conhecido como Salão do Belo, situado na Praça, quase ao lado da igreja, era o preferido dos moradores. Na rua Vieira dos Santos, quase esquina com rua Ponta Grossa, o salão do Seu Sotino, durante o dia era salão de sinuca e a noite era de baile.

Bem no meio do grande salão,  três colunas de madeira sustentavam o telhado; por esse detalhe ficou conhecido como Três Paus. Ali as festas eram das mais animadas. Mais distante do centro havia salões de “bater fandango” ao som da rabeca (parente distante do violino) o adufo (um tipo de pandeiro mal vestido e barulhento) a viola (uma espécie de violão feito em casa) e os cantadores.

Uns tragos da boa cachaça do Cubatão, pernas fortes para bater o tamanco com muita força no piso de madeira e o barulho que era ouvido bem longe. Nos bailes tradicionais, o  Arroz Cozido era conhecido pelo apelido que recebeu, por que lá pela meia noite distribuíam arroz cozido para o publico.

O Cuspo Grosso, com um salão de piso de madeira  que nunca via uma vassoura, em algumas horas de dança, o pó levantado pelo arrasta-pé, deixava a saliva grossa. Dai o nome Cuspo Grosso. Outro próximo ao centro ficava no início do Morrete, onde uma rampa íngreme desafiava os atletas da noite.

Na subida se conseguia chegar com o último folego. Na descida era a vez de escorregar e sair do baile com marcas de grama e lama nos fundilhos. Por isso o salão ganhou o apelido de Rala a Bunda. Em todos os salões, predominava a alegria e animação do início ao fim do baile. Os mais desanimados, entornavam alguns goles da famosa cachaça ou uns copos de cerveja (meio quente) para desinibir.

Nesse tempo não havia “ervas e pós” para estimular o embalo. A animação era natural e quando muito sustentada por um trago da branquinha “marvada”.

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