Rio Grande do Sul ganha fácil do Paraná…

Em rádio, os gaúchos sempre estiveram na frente dos paranaenses. A superioridade gaúcha é decorrente da melhor qualidade e tradição de seus radiodifusores.

No quesito população, Rio Grande do Sul e Paraná se equiparam. No comércio, na indústria e na agropecuária, o desempenho dos dois Estados também se equivale. Em quase tudo estão emparelhados, menos em rádio. Nesse ponto, os gaúchos têm enorme vantagem. Tradicionais e sólidas empresas do ramo fazem a grande diferença.

Sede da RBS, na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, onde ficam instalados os estúdios da Rádio Gaúcha

Sede da RBS, na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, onde ficam instalados os estúdios da Rádio Gaúcha

A RBS, que comanda grande pool de emissoras de rádio (Gaúcha, Farroupilha e muitas outras), estações de TV, mais jornais (no RS e SC), faz tempo que é considerada a segunda maior Rede de comunicação do país, perdendo apenas para a Rede Globo, da qual suas estações de TV são afiliadas. Ela só não cresceu mais nesta área Brasil afora porque acordos operacionais com a Globo não permitiram que avançasse  além de Santa Catarina. A Rede Brasil Sul teve como veículo-chave para sua formação a Rádio Gaúcha, a mais antiga das emissoras de Porto Alegre, que foi incorporada em 1957 por Maurício Sirotski Sobrinho e mais 3 sócios. Hoje, a RBS é presidida por Nelson Sirotski, um dos filhos do saudoso Maurício.

O sistema de Rádio e TV Guaíba mais o Jornal Correio do Povo, com veículos restritos a Porto Alegre, tiveram posição invejável até a derrocada do grupo Caldas Júnior. A supremacia do jornal Zero Hora e da Rádio Gaúcha só ocorreu após o desmanche desse grupo, o qual, depois de muitos anos sob gestão deficiente, transferiu o controle acionário para a Rede Record em gigantesca operação financeira, coisa de 200 milhões de reais à vista. A Rádio Guaíba AM completa 52 anos neste ano de 2009.

Além dos grupos Gaúcha e Guaíba, outra organização sulina de rádio e TV, a Rede Pampa (mais de 30 anos de fundação) sempre foi muito atuante, pontuando hoje como o segundo grupo de comunicação do Estado do Rio Grande do Sul. Lá também a Rede Bandeirantes   – sucessora do grupo Difusora – tem emissoras de AM e FM e um canal de televisão local, veículos bastante expressivos.
Na capital gaúcha, funcionam 16 emissoras na frequência de AM. E 20 na frequência de FM.

O cenário radiofônico de Curitiba sempre foi inferior ao de Porto Alegre. Porém, em número de canais de rádios AM e FM, essas duas capitais quase empatam: Curitiba tem 38 emissoras, 17 de AM e 21 de FM; 2  emissoras a mais do que Porto Alegre  (uma de AM e outra de FM).  Mas no tocante à potência dos transmissores das rádios, Porto Alegre leva a melhor:  4 emissoras de AM com potência de 50 kilowatts e 2 com 100 kilowatts. Curitiba só tem 2 emissoras de AM com 50 kilowatts.

Houve e ainda há uma troca constante de permissionários  de radiodifusão em Curitiba. Sua mais antiga emissora, a Rádio Clube Paranaense, por exemplo, mudou 7 vezes de concessionários, fator imitado pela  maioria das rádios curitibanas. As de AM foram as mais prejudicadas com esse troca-troca de radiodifusores (sic) e por isso estão hoje em situação bem inferior às de Porto Alegre. Das 17 rádios de AM de Curitiba, só 5 permanecem com seus nomes originais, o que dá  ideia da desvalorização do mercado.

Os mais antigos radiodifusores ativos em Curitiba são João Lidio Seiler Bettega – desde 1963 principal dirigente do grupo SIRA, que tem emissoras de FM e AM (Ouro Verde e Caiobá e Difusora), e Erwin Bonkoski, que desde 1966 é concessionário da  Rádio Colombo.

Foi só em 2006 que uma grande empresa do ramo, a RPC, Rede Paranaense de Comunicação, adquiriu o controle acionário de duas rádios, uma AM e outra FM, que pertenciam à Rede Capital.

Curiosamente, passados quase 3 anos, essas rádios  ainda não receberam “plásticas” que as identifiquem como integrantes do grupo que tem TV com a grife Globo e um jornal como a Gazeta do Povo, o de maior circulação e faturamento do Paraná. Ambas não aderiram ao jornalismo, como se esperava. A emissora de FM lançou programação jovem denominada Mundo Livre. A emissora de AM, denominada Continental, pra variar, comercializa espaços de sua programação para igrejas e outros segmentos.

Antes da RPC, o empresário de renome no Paraná, Joel Malucelli, entrou para área da radiodifusão “abocanhando” 3 estações de rádio, uma de AM, retransmissora da Rede Globo, e 2 de FM, afiliadas da CBN e da  Band News. Como se vê,  uma “organização” inteiramente voltada para Redes de rádio, onda que atualmente tem grande aceitação no país, principalmente em Curitiba e também em Porto Alegre.  O “dial” foi invadido por afiliadas e retransmissoras.

Sobre minhas passagens pelas rádios Independência de Curitiba e Gaúcha de Porto Alegre, destaco alguns grandes momentos de minha carreira. Na Independência, a realização da cobertura das eleições de 1970 (Eleição se ganha com cérebro… cérebro eletrônico)  –, quando foi utilizado o único computador da cidade – contou com uma grande equipe jornalística, destacando-se a dupla de locutores noticiaristas, saudosos Alcides Vasconcelos e Antonio Pimentel (duas das melhores vozes do Brasil na época). O trabalho conseguiu nível excelente de qualidade e credibilidade, a par de grande audiência. 

E, na Rádio Gaúcha, a transmissão do Grenal decisivo do campeonato gaúcho de futebol de 1975 teve a participação especial de Osvaldo Brandão (técnico da Seleção Brasileira) e da repórter-atriz Cidinha Campos. Essa jornada extraordinária, que contou até com reportagem aérea sobre o trânsito,  possibilitou à  Gaúcha, depois de muitos anos, superar sua rival, a Guaíba em transmissões esportivas.
Esse feito alavancou ainda mais o processo de transição de programação instalado na emissora a fim de conquistar uma audiência maior e mais bem qualificada, principalmente os ouvintes do gênero jornalístico.

(Gilberto Fontoura e eu na sala de direção da Rádio Independência de Curitiba (dezembro de 1970). Ele foi meu assistente direto nas minhas passagens como diretor das rádios Independência (3 vezes) e Rádio Clube Paranaense (1 vez). Depois de minha transferência para a Rádio Bandeirantes de São Paulo (dezembro 1971), Gilberto dirigiu com sucesso, entre outras, a própria Independência e as FMs Brasil 104 e Globo 98).
Em épocas diferentes – inovando no rádio brasileiro –  lançamos na Independência e Gaúcha coberturas sobre vestibulares. Antes, durante e depois das provas, até a divulgação dos aprovados, eram levados ao ar programas e programetes com a participação de professores de cursinhos interagindo com os vestibulandos. Em pauta, as possíveis questões dos exames, a prestação de serviços, além de reportagem in loco nos dias das provas, e do anúncio dos futuros universitários.
Essa inovação permaneceu por muito tempo nos calendários de realizações anuais de ambas as emissoras.

Oportuno destacar que nas épocas citadas vivenciei, tanto na Independência quanto na Gaúcha, ambientes de trabalho altamente profissionais e consegui fazer amizades que permanecem sólidas até os dias de hoje. Alguns colegas de então ainda continuam fazendo rádio apaixonadamente como antigamente, com muito amor e respeito pelos ouvintes.

4 respostas
  1. Gilberto Fontoura says:

    Jair, Você é o super campeão do rádio brasileiro e eu tive a felicidade de trabalhar sob sua orientação e conheci desde o “b a bá” até as mais sofisticadas estratégias de programação, comercialização e marketing. Sua ousadia e espírito criativivo permitiram-me algumas reportagens que marcaram,como a cobertura do Festival de San Remo, na Itália. Abraços e um recado para os leitores do “caros ouvintes”: o Jair ainda irá contar sobre grandes façanhas em que o rádio mostrou porque é o maior veículo de comunicação. Imaginem que o Jair bolou um juri artístico e outro “popular” para a cobertura do carnaval de rua de Curitiba, isso 10 anos antes da Rede Globo pensar em algo semelhante. E carnaval de Curitiba, hein…. era tirar água de pedra mas a nossa RI sempre estava em todo lugar. O Jair , a todo momento, pedia que eu fosse à SP para buscar entrevistas. Uma noite , no Hotel Normandie, na Ipiranga, após cantar no Agnaldo Rayol Show da Record, morre , repentimente, no início da madrugada o cantor Vicente Celestino. Logo cedo tome furo da Independência e eu, ali, ao lado de tudo.Como vc dissse nós temos ainda muita lenha prá queimar e vamos em frente. Gilberto Fontoura.
    Gilberto

  2. Vera Lúcia Correia da Silva says:

    Jair, tive o imenso prazer de conhecê-lo e já conheço parte de sua história.
    Como disse o colega acima: ainda temos muita lenha para queimar, sim e vc muito mais, com todo conhecimento e experiência adquiridos.
    Abraços de
    Vera Lúcia

  3. ANDRIELI says:

    QUERIA PROCURAR MEU TIO ARI SPINELLE FAZ MAIS DE 30
    ANOS QUE NÃO TEMOS NOTICIA DELE NÓS SABIA QUE ELE
    MORAVA EM SANTA ROSA RIA GRANDE DO SUL
    E QUEREMOS SABER NOTICIA DELE QUERIAMOS QUE VCS ENTRACE
    EM COMTATO COM ELE NÓS MORAMOS NO PARANÁ AI COMO NÃO SABEMOS BEM
    CERTO ONDE ELE ESTA MORANDO AGORA QUERIA ENTRA EMCOMTATO COM ELE
    NÓS VAMOS DEICHAR NOSSO NUMERO D TELEFONE QUALQUER COISA ENTRA EM COMTATO
    0144699236067

  4. Rinaldo says:

    Mas numa coisa vocês ganham de lavada do Paraná….Na quantidade de viados por m2.hahaha

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