Ricos pobres carijós

Publicado em: 29/09/2012

Na seqüência do artigo anterior que falou dos guaranis vítimas das negociatas imperiais ibéricas, hoje peço sua atenção para um caso muito parecido sucedido com os carijós – os índios que viviam no Litoral de Santa Catarina, os primeiros habitantes conhecidos desse paraíso sonhado por muitos. Os carijós que, na verdade, eram Kari’yó, na pronúncia correta de sua nação, estavam sobre uma área que consideravam sagrada chamada Yvymarãe’ÿ – traduzido para Terra Sem Males. Várias nações indígenas da América do Sul acalentavam o sonho de terra sem males, que estava a Leste do continente e os Kari’yó tinham para si para este paraíso estava aqui no Litoral de SC, tendo a Ilha dos Patos como epicentro. Tudo aqui era puro e até a NASA recentemente andou medindo incidências energéticas e concluiu que aqui está um dos chakras planetários. Parece que os Kari’yó, a exemplo dos Maya, não eram apenas índios. Mas, o governo português outorgou a caça à baleia e vieram instalar-se nesse paraíso universal seis armações (frigoríficos) especializadas em caça, abate, refino e exportação do óleo de baleia. Abatiam-nas na praia, retiravam a gordura e a barbatana e deixavam os restos para a água engolir. Sangue e carne podre a chamar urubus, gaivotas e doenças para nosso litoral durante 50 anos. Os Kari’yó, que não eram guerreiros, tentaram expulsá-los, mas foram repelidos, assassinados, presos e escravizados. Acabaram por deixar a região, contrariando a tese de seu extermínio, como registra a pobre história contada pelos colonizadores. Mas, a baleias voltaram depois de 200 anos de sumiço e agora é hora dos Kari’yó também voltarem. Alguns deles já estão por aí. Bem-vindos, in-chalá.

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