RÁDIO MULHER

Publicado em: 22/01/2007

A primeira impressão é de que elas estariam vingando-se da discriminação que sofreram nos chamados anos dourados do rádio. Nunca se ouviu tantas vozes femininas no rádio como nos dias atuais.
Por Jamur Júnior

No tempo em que se escrevia Farmácia com PH (Pharmacia) e alguns – dizem – amarravam cachorro com lingüiça, a presença da mulher no microfone  era muito limitada. As mulheres falavam pouco em relação aos homens. Na maioria dos casos faziam locução comercial, lendo textos de propaganda e em algumas emissoras apresentavam um ou outro programa feminino, ou os famosos programas de dedicatória de músicas ou até a narração de historia infantil.
Programas de auditório, entrevistas, noticiários, chamados de carros chefe da programação, eram exclusivos dos homens. Para uma mulher chegar ao microfone era preciso passar por um teste muito rigoroso, onde se avaliava a dicção, inflexão na leitura de texto, conhecimentos, mesmo que superficiais de pronúncia em inglês, francês e espanhol, e, sobretudo ter uma voz de preferência grave.
O grave era também uma exigência para os homens. “Mulher de fala fina é pra ficar gritando em casa no bate-papo com as vizinhas” – dizia Ivan locutor chefe da Rádio Guairacá, naquele tempo. Algumas mulheres conseguiram se destacar como locutoras de rádio em várias emissoras brasileiras. Nilda Ferreira na Rádio Clube Paranaense;  Nívea Nunes e Neide Maria na Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, são exemplos de mulheres que venceram no rádio pelo talento, boa voz e dedicação a profissão.
Os tempos mudaram e elas invadiram o rádio moderno, onde os mais variados timbres de vozes femininas são ouvidos. Apresentadoras, repórteres, entrevistadoras, elas estão em todos os tipos de programas. Vozes graves (poucas) e agudas (muitas) e outras tantas muito aflitas, dão novo ritmo e alegria a programação radiofônica, animando, informando e levantando o astral do ouvinte, nos mais distantes pontos do país. Isso é o rádio. Isso é muito bom.


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