Rádio Criativo 01

Eis aqui, leitor que gosta do rádio, o nosso empurrão para que sua imaginação produza o programa que seus ouvidos gostariam de receber. Basta alternar a leitura deste texto com momentos em que, fechando os olhos, você imagine os sons. Estes poderão chegar ao seu coração, em momentos quase mágicos. Experimente.
Por José Predebon

(entra locutor, tom amigo)
Ouvinte, aqui estou para começar a tentativa de estabelecer uma ponte de comunicação diferente. Tente reconhecer minha voz (atenção, lembre do timbre daquele “espíquer” que era seu preferido, tempos atrás). Conseguiu lembrar da voz? Coloque-a neste texto, e aí nosso bate papo vai ser mais divertido. Veja agora porque eu faço essa proposta. Transitei pelo rádio “dos bons tempos”, redigindo textos de propaganda só para o rádio, na J. Walther Thompson. Depois, levaram-me para a televisão e para a imprensa. Mas a raiz afetiva ficou lá, naqueles “textos foguetes” que rolavam muito fácil, e nos “spots” de 30 segundos que nem precisavam ser cronometrados, pois já saíam da máquina (uma Olímpia de aço) do tamanho exato, pa-pum, meio minuto.
Se alguns de vocês pedirem, contarei casos dessa época, alguns muito meus, outros do rádio em si.

(sobe música BG – back ground – e desce)
Chega de entretantos, vamos para os finalmentes. Nos boletins Carosouvintes de números ímpares, como este, vamos fazer esse “programa” com um texto utilitário, que cruzará inovação e criatividade com assuntos diversos, que selecionaremos para você. Hoje esse texto será sobre carreira profissional. Nos boletins de números pares ficaremos no campo do entretenimento, com textos de 500 caracteres, um tamanho que daria para um narrador de futebol ler em 30 segundos. Sobre o quê? Como diria um locutor do passado, “um ramalhete de assuntos”, de todas as cores, dos mais variados.
(sobe BG e desce)
Como hoje o boletim é impar, “ouça” este texto sério:
Inovação, Criatividade e Carreira

Gente que se preocupa com sua carreira profissional quer saber como se prevenir contra um mercado onde ninguém mais está garantido. Defendo que não há receitas, mas que todos devem criar suas próprias soluções para enfrentar o mundo de hoje. Quando o fazem, geralmente descobrem que a realidade não é feita só de ventos contrários. Como está naquele famoso ideograma chinês, instabilidade também significa oportunidade.
Todos nós conhecemos gente que só deslanchou ao se mobilizar frente ao imprevisto. Sugiro que encaremos a questão como um gerenciamento de inovação, com aplicação da criatividade. E a solução individual, a ser desenvolvida por cada um, frente a circunstâncias imprevisíveis, terá sempre estes seguintes ingredientes: adaptação reativa (sonoplastia, efeito) e mudança proativa. Vamos focalizá-los.
Adaptação reativa aqui é a disponibilidade permanente da pessoa para uma nova situação, usando um valor difícil, que precisa ser desenvolvido antes de ser necessitado: o desapego. Difícil porque todos nós achamos que não podemos “ir pra trás”. Só que, pensando assim, estaremos permanecendo condicionados, em um modelo imposto pela sociedade que nos diz como devemos viver. A nossa adaptação deve visar a meta – ainda que utópica – de zerar as exigências de consumo, para facilitar um reajuste em nível “mais baixo” do que tínhamos antes. Refazer prioridades e sorrir para quem nos vier dizer “não sei como você consegue viver sem isso”, referindo-se ao carro de luxo. Não conseguiremos nunca nos descondicionar totalmente, mas podemos sempre deixar de ser escravos de uma compulsão consumista.
Já a mudança proativa (sonoplastia, efeito) depende basicamente de coragem, que também não deixa de se apoiar no desapego. Ah, coragem, como ela nos falta, a partir de um certo nível de conquistas da carreira. Sair daqui, onde eu estou seguro e confortável, para enfrentar uma incerteza? Esse pensamento é normal, mas absolutamente prejudicial para a nossa vida profissional. Ficaremos à mercê da continuação de uma trama, que hoje é totalmente mutante, que poderá estar nos “fritando” aos poucos, e que amanhã poderá até fazer nossa função desaparecer. Isso não significa que procuremos ficar trocando corajosamente de emprego, simplesmente. Significa, sim, nunca deixar de prospectar crescimento e planos alternativos, nunca se descuidar da atualização profissional, jamais deixar de aproveitar uma oportunidade por medo, e nunca deixar de cultivar um “plano B”.
Estes princípios se comporão para  nos permitir ter uma receita, se e quando formos atingidos pela instabilidade do mercado. Reativos na adaptação criativa, e proativos na prospecção inovadora, estaremos certamente mais preparados para o amanhã.
(BG sobe e encerra – entram os comerciais)


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