Radialista é profissão de boêmio, dizia-se naquela época

Publicado em: 15/09/2011

Os primeiros tempos do rádio no Paraná marcaram um período de dificuldades para encontrar profissionais com experiência, especialmente, no setor de locução. A Rádio Marumby publicava anúncios nos jornais divulgando a realização de testes para novos locutores. Um desses anúncios publicado no jornal A Gazeta do Povo chamou a atenção de um rapaz de 16 anos que fazia locução no serviço de alto-falantes do Colégio Santa Maria.

 

João Lídio Seiler Bettega já havia demonstrado seu talento para a profissão desde os primeiros dias no colégio.  Ao ler o anúncio no jornal pedindo locutores, foi em busca de uma chance.

No estúdio da emissora foi submetido a rigoroso teste feito pelo diretor Nacim Bacila Neto. Aprovado com louvor, foi para casa comunicar à família sua vitória. Esperava ouvir do pais um comentário favorável, mas não foi  o que aconteceu. Numa época em que setores da sociedade consideravam o radialista como profissão de boêmio, Bettega ouviu o que não queria, mas não se abalou. Assumiu suas funções e formou na excelente equipe de locutores onde despontavam nomes como Waldemar Hakime, Nicolau Nader, Carlos Alberto Moro, Mbá de Ferrante, Ribas de Carvalho, Herrera Filho, entre outros.

Para reforçar o time de novos talentos na rádio, Battega foi buscar um antigo colega no Colégio Santa Maria. O operador de som do serviço de alto-falantes, Osni Bermudês, também, um rapazinho que usava calça curta. Relutou para ir à emissora, por causa de seu traje.

Bettega, na companhia do colega de colégio foi até a loja “A Maravilha”, comprar uma calça comprida para o novo radialista. Em pleno verão e por falta de experiência no ramo acabaram comprando uma calça de casimira muito grossa e quente. E foi com ela que Bermudês começou sua trajetória pelo rádio e mais tarde na televisão onde se consagrou como um de seus melhores profissionais.

(do livro Sintonia Fina – Jamur Jr)

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