Porto final

O próprio

Ele voltou. José Predebon, publicitário, conferencista e autor de livros que vão desde os meandros – e desvãos – da comunicação publicitária até as ficções e dessas à poesia. Predeba está sempre criando, maquinando coisas novas, novas maneiras de fazer coisas antigas, que viram novas. Como, por exemplo, a série dos Quinhentinos, que pra variar tem 500 caracteres. Confira. (AS)

PORTO FINAL. O comandante finge serenidade mas seus olhos inquietos varrem o mar. Sabe que o navio é velho como ele, tem remendos do casco, não pode enfrentar ondas fortes. A próxima avaria será a última, pensa realista. “Segue navegando nessa banheira? Ora, capitão, tá louco?”. Hoje já ouve em pesadelos seus apitos na entrada do último porto. Agora que eu aprendi todos os truques, diz para si, irei atracar para sempre? No píer da saudade? Não! Vou aplicar um truque novo: não parar de navegar, para não me chamarem. E a cada dia, esvazio uma garrafa do hoje. Porre diário, com um olho no mar do amanhã.

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