Parentinho, o resignado

Tem muita gente que passa parte da vida pensando na morte. Como será? Vai doer? Vou sofrer? Para onde vou? Tem vida depois da vida, ou tudo acaba quando o coração para? Essas indagações freqüentam a cabeça dos mais preocupados com fim. Muitos chegam as raias do absurdo comprando caixão funerário que fica guardado numa dependência da casa esperando o dia. Há os que compram espaço no cemitério e passam a se dedicar à manutenção do local, fazendo ajardinamento,  cultivando flores e ervas que exalam perfumes, na chamada última morada. Tem ainda aqueles que deixam documentos escritos com algumas providências para serem tomadas após a “última viagem”.

Um não quer coroa de flores, outro quer só flores brancas ou não quer “cravo de defunto” que cheira a velório e tem até quem não queira ninguém , alem de parentes mais próximos ao lado do caixão.

Contam que em Guarapuava havia um cidadão, conhecido pelo apelido de Parentinho, muito popular e querido na cidade que sempre viveu uma vida alegre e descontraída, sem maiores preocupações. Aparentemente era uma pessoa que vivia o dia de hoje sem pensar no futuro e muito menos na morte.

Até que um dia procurou um amigo, radialista “muito letrado” para pedir um texto que pretendia colocar na lápide de seu túmulo. A escolha do locutor, de quem sempre ouvia notícias, orientação e entretenimento lhe pareceu a mais acertada.

Como era homem sem estudo, procurou  a pessoa que considerou qualificada para  tão importante missão.

O amigo radialista achou estranho o pedido e procurou tirar da cabeça de Parentinho, idéia de morte, cemitério, túmulo etc.

Parentinho decidiu então,  ele mesmo  criar uma frase para ser colocada em seu túmulo.

Pensou, pensou, escreveu várias frases sem sentido, outras com graves erros até que saiu uma que considerou a ideal para revelar seu sentimento.

“Aqui jaz, Parentinho, muito a contragosto mas, que fazer?”

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