Papo Livre 150: vai como enterro de gente pobre

Só os meus ouvintes mais idosos vão lembrar de que forma eram feitos os sepultamentos antigamente em nossa Curitiba do passado. Para começar, as pessoas acompanhavam o féretro à pé. Os homens, com os chapéus nas mãos, em geral às costas. Havia poucos cemitérios e por longa que fosse a distância era no que se chamava de “pé dois”. Era no pé dois mesmo, caminhando. Quando o falecido era pessoa muito importante, uma autoridade, a banda da polícia militar ia tocando marchas fúnebres.

O féretro era levado por uma carruagem grande, que dependendo das posses da família enlutada era puxada por uma ou duas parelhas de lindos cavalos; os cocheiros usando fraque e cartola.

Os animais tinham os troncos cobertos com capas em cores suaves e douradas e eram adornados com lindas rédeas e penachos na cabeça.

Por via de regra, passava-se antes por uma igreja onde era feita a encomendação do corpo da pessoa falecida. Na chegada à igreja e ao sair após as cerimônias religiosas os sinos tocam de maneira especial para o fato. Quanto mais expressiva a pessoa falecida mais lento era o sepultamento. Surgiram assim as expressões “vai como enterro de rico”, se a ocorrência era cerimoniosa e demorada, ou então “Ih, aquilo vai como enterro e gente pobre”, se o fato ocorria com rapidez exagerada.

Coisas de nossa Curitiba do passado.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *