Papo Livre 150: vai como enterro de gente pobre

Publicado em: 28/12/2011

Só os meus ouvintes mais idosos vão lembrar de que forma eram feitos os sepultamentos antigamente em nossa Curitiba do passado. Para começar, as pessoas acompanhavam o féretro à pé. Os homens, com os chapéus nas mãos, em geral às costas. Havia poucos cemitérios e por longa que fosse a distância era no que se chamava de “pé dois”. Era no pé dois mesmo, caminhando. Quando o falecido era pessoa muito importante, uma autoridade, a banda da polícia militar ia tocando marchas fúnebres.

O féretro era levado por uma carruagem grande, que dependendo das posses da família enlutada era puxada por uma ou duas parelhas de lindos cavalos; os cocheiros usando fraque e cartola.

Os animais tinham os troncos cobertos com capas em cores suaves e douradas e eram adornados com lindas rédeas e penachos na cabeça.

Por via de regra, passava-se antes por uma igreja onde era feita a encomendação do corpo da pessoa falecida. Na chegada à igreja e ao sair após as cerimônias religiosas os sinos tocam de maneira especial para o fato. Quanto mais expressiva a pessoa falecida mais lento era o sepultamento. Surgiram assim as expressões “vai como enterro de rico”, se a ocorrência era cerimoniosa e demorada, ou então “Ih, aquilo vai como enterro e gente pobre”, se o fato ocorria com rapidez exagerada.

Coisas de nossa Curitiba do passado.

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