O volume nos comerciais de TV

Ao contrário do telespectador comum, eu gosto de comerciais. Não de qualquer um, é claro, mas daqueles que conseguem passar a mensagem do anunciante com leveza e objetividade. Sabe o “reclame” que parece até fazer parte da programação da emissora, tal o grau de entretenimento que proporciona? Não raras vezes, essas peças publicitárias são até mais divertidas que o programa que estão “interrompendo”.

Ultimamente, no entanto, os intervalos na programação de TV têm me deixado irritado. E não por causa da baixa qualidade – embora às vezes isso ajude – mas especialmente pelo volume que as emissoras aplicam durante os breaks. Por vezes, chega a assustar o barulho vindo da telinha que, até poucos segundos antes, apresentava volume razoável.

Essa não é uma característica isolada, a propósito. Praticamente todos os canais usam o artifício, dotado de uma pobreza de espírito que causa dó. Ora, então é preciso GRITAR para que a mensagem publicitária chegue ao destino? A diferença no volume é tão grande que não há outra opção a não ser baixá-lo imediatamente. E, nesse caso, o espectador acaba nem prestando atenção ao que está sendo anunciado – o que torna o método empregado um verdadeiro tiro no pé: ao invés de ser convencido pelo produto/serviço, o “cliente” simplesmente o ignora. Na minha casa, é assim que tem acontecido.

Pra piorar, os canais de TV aberta (ao menos em Florianópolis, que é minha amostra) têm se valido de peças de gosto extremamente duvidoso. Provavelmente em função dos custos, se limitam a mostrar alguns produtos e a conclamar, de forma frenética, que o consumidor aproveite as “fantásticas” ofertas. A locução é praticamente uma metralhadora a disparar milhares de palavras por minuto. Agora, imagine isso em volume máximo e terá um quadro bastante propício a uma taquicardia. Não sei quanto a você, leitor, mas eu fico tenso quando assisto um anúncio desses. E não quero crer que o objetivo da agência – e da empresa que a contratou – seja provocar mal-estar em seu público.

A boa notícia é que essa falta de consideração com o telespectador pode estar chegando ao fim. Pouca gente sabe, mas portaria publicada em julho do ano passado regulamenta a lei 10.222 (de 2001), que padroniza a intensidade do áudio nos intervalos comerciais. As emissoras teriam o prazo de um ano para “se ajustarem” à norma (como se precisassem desse tempo todo), de modo que a partir do segundo semestre de 2013 a brincadeira deve acabar.

Resta saber se o governo conseguirá fazer cumprir a lei. Se foram necessários onze anos (!) para regulamentá-la, há motivos de sobra para desconfiança. De prático, o que se sabe é que será criado um grupo técnico, com a participação na Anatel, para realizar a fiscalização. As penas por descumprimento da portaria vão desde uma simples advertência até a suspensão do sinal, em caso de reincidência.

Espero, sinceramente, que consigam pôr fim à “farra do volume”, que têm me tirado o prazer de assistir a algumas boas propagandas. Os comerciais top, aqueles aos quais me referi no primeiro parágrafo desse artigo, não precisam do recurso, pois são bons o suficiente para se manter apenas com o conteúdo. Já os medíocres… que a “seleção natural” os extirpe da programação. Nossos ouvidos agradecem.

2 respostas
  1. Antunes Severo says:

    Nossa esperança é que as entidades que representam o empresariado que explora (a palavra exploram está na Lei) as concessões de canais, se apercebam de que a concorrência não são as outras mídias e sim as emissoras que infringem a lei.

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