O velho, o garoto e o burro

Publicado em: 10/03/2016

Enquanto conversava com meu filho caçula, 16 anos, sobre tomar decisões, ele se lembrou da história que costumava contar a ele. Um pequeno disco que ganhei da minha mãe e com o título nesta crônica.

selo-cadeira-do-barbeiroTento me lembrar de quando precisei tomar minha primeira decisão. Às vezes tinha haver com: “Ou tu obedeces ou…”. Era uma decisão acertada se comparado a levar umas chineladas.

Com os amigos nas brincadeiras de rua era comum um desentendimento onde o mais sensato era recuar, mesmo estando com a razão e sem entender o que significava – sensato.

Enfim, muitas de nossas decisões não se baseiam no que realmente queremos, mas sim no bom senso. Adultos devem saber o que é bom senso.
Quem não se lembra da frase? “Não sei se caso ou se compro uma bicicleta”.

Hoje há os que compraram a bike e os que se arrependem de não ter comprado uma bicicleta. Mas e a história do velho, o garoto e o burro?

A história é breve, simples e intrigante. Um senhor precisava sair de sua casa para fazer compras. Ele tinha como companheiro seu burrinho e um garoto. Os três passaram a caminhar. O sol e a distância os castigavam. Em certo momento alguns homens veem os três a pé, começam a rir e a dizer: “Isso eu nunca tinha visto, um velho e um garoto a pé e um burro andando ao lado”. O velho pensou no que havia escutado e disse ao garoto para que montasse no burro. E lá foram em sua longa caminhada, o garoto sentado no burro e o velho andando ao lado.

Ao passarem ao lado de um rio algumas mulheres cochicharam e depois disseram em alta voz: “Mas que absurdo, o pobre velho andando e o garoto sentado no burro”. O velho parou e pensou que fazia certo sentido o que as mulheres haviam falado. O garoto desceu entendendo que o velho é que deveria montar no burro. E seguiram viagem. Ao passarem perto de outras mulheres foram surpreendidos pelas palavras: “O velho, por que não coloca o menino contigo no burro?” Pronto, os dois estavam acomodados no burro. Minutos depois encontraram alguém que disse indignado:

“Pobre do burro, querem matá-lo?” Certo, pensou o velho, e desceram do burro. Agora resolveram carregá-lo, afinal de contas o animal já estava muito cansado. E claro, alguém viu, riu, e disse: “Nessa eu não acredito, um velho e um garoto carregando um burro”. Pronto, o burro foi ao chão.

O velho, agora indignado, disse: “Garoto, suba você no burro e vamos. Se dermos ouvidos ao que cada pessoa diz nunca vamos chegar a lugar algum”.

Talvez eu tenha alterado algumas coisas por conta da memória. Ouvi essa história a última vez há uns 30 anos. Mas tenho certeza que essa é à essência da história.

Tomar decisões não depende dos outros. Depende de nós. O detalhe é que algumas decisões podem afetar muito quem faz parte de nossa vida. Nunca concordei com o ditado: “Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia”. Creio que ouvir ideias de uma pessoa madura, que entende do assunto em questão e se preocupa conosco, é benéfico.

Podemos decidir ou decidir não decidir (ou seja, deixar que outros decidam por nós ou que as coisas aconteçam de qualquer jeito). O ponto é: Decidiremos sozinhos, ouviremos conselhos ou usaremos a sensatez? Guardei uma frese que li na revista A Sentinela: “Geralmente as decisões certas são as mais difíceis de tomar”.

No velho o garoto e o burro um apenas serviu, o burro. Outro apenas obedeceu, o garoto. Mas alguém teve que tomar uma decisão.
Quando formos tomar decisões caberá a nós fazer a escolha e assumirmos as consequências.

Podemos –servir – obedecer ou decidir. De qualquer forma, será uma decisão!

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