O pai da matéria

Quando cheguei à Jovem Pan, em janeiro de 1973, ele já estava lá. Desde março do ano anterior, a energia, a vibração e os bordões que o tornariam nacionalmente conhecido nas décadas seguintes já ecoavam pelas ondas do rádio paulistano. Ele revolucionou as transmissões esportivas quando se tornou narrador titular da Jovem Pan. O “Bodão”, como Osmar Santos era conhecido entre amigos, logo cativou imensa legião de ouvintes. Tornamo-nos colegas, depois amigos e, quando não estávamos viajando, saíamos para almoçar juntos.

Mudanças

Quando a Jovem Pan se transferiu para a Avenida Paulista, Osmar já estava sendo pretendido por outros prefixos. Em 1977, foi para a Rádio Globo. Poucos sabem, mas antes de sua ida para a emissora de Roberto Marinho, todos os integrantes da equipe de esportes da Jovem Pan participaram de uma reunião no escritório de uma agência de publicidade. Nesse encontro, discutiu-se a transferência dos profissionais da Pan para a emissora global. Esse era o desejo de Osmar Santos, que já tinha praticamente acertada sua saída da Jovem Pan. Passado algum tempo, numa manhã de domingo, Osmar ligou-me, dizendo: “Fiz uma grande loucura”. E emendou: assinei com a Globo. A partir daí, foi uma sequência progressiva de sucessos na Rádio Globo, Rádio Record, Rede Manchete, Rede Globo até que o destino abreviou-lhe tragicamente a carreira, em 22 de dezembro de 1994.

 

 

 

 

Reencontro

Já estive com Osmar em várias ocasiões depois do acidente que o afastou do rádio. Na última semana, cruzamos mais uma vez. Foi na Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde estive com minha esposa e meu filho. Osmar também estava lá. Revivemos passagens de nosso convívio. Ele se mostrou muito feliz com o reencontro. Expondo quadros de sua autoria, Osmar Santos dá-nos hoje gigantesca mostra de superação. Parabéns, Osmar!

2 respostas
  1. Jair Brito says:

    Desde Osmar Santos, nada de novo surgiu nas transmissões esportivas do Brasil. Ninguém superou seu jeito moderno e sua comunicação vibrante narrando futebol. Este “locutor que vos fala” recorda com orgulho sua participação na transferência dele para a Rádio Nacional, na qual era diretor. Sua sucessora, Rádio Globo de São Paulo passou a ser assim denominada no dia da estréia do “pai da matéria” e sua grande equipe em outubro de 1977 (Corinthians campeão, fim de jejum).
    Todas as vinhetas musicais foram por mim produzidas, sendo a de maior sucesso “Que bonito é”, marca registrada de OS na Globo e em outras emissoras por onde ele passou depois.

  2. Adalberto Day says:

    Edemar
    Sempre é bom ouvir, ou ver falar do grande Osmar Santos.
    Realmente ele foi um dos maiores narradores esportivos deste país, de todos os tempo,
    Suas vinhetas sensacionais, sempre tinha algo novo para apresentar a cada jogo.
    Parabéns por nos brindar com essa bela postagem
    Abraços
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

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