Nos tempos da Rádio Líder

Em primeiro de abril de 1993, aos 23 anos, comecei a trabalhar como sonoplasta na Rádio Líder do Vale (hoje Rádio Nova Líder), localizada na cidade de Herval D’ Oeste – SC. Era um grande sonho que alimentava desde pequeno.
Por Ivan Medeiros

A emoção era tanta que fiquei meio perdido ouvindo as explicações de um dos sonoplastas oficiais da Rádio chamado Vilson Dorneles que já trabalhava há muito tempo nessa função. Com calma e muita paciência ele foi me explicando para o que servia os mais de 70 botões na cabine de comando.
       
Naquela época não era nada digital, para começar tudo disco de vinil. Atentamente o sonoplasta olhava para o locutor que o avisava na hora de colocar as propagandas, vinhetas e músicas, tudo numa sincronia total.
   
Bem depois de uma semana de ensinamentos sentei na cadeira de sonoplasta sendo supervisado pelo Vilson. Era um programa feito à tarde e quando o locutor anunciou a música a ser tocada, eu, tremendo, coloquei a agulha em cima do disco de vinil arranhando o começo da música. O locutor ficou louco. Começou a gritar. O Diretor da emissora veio ver o que estava acontecendo e pediu calma para o locutor, pois eu estava aprendendo ainda. Resolvido esse impasse a coisa foi deslanchando normalmente.

Depois de um mês o locutor que fazia o programa das 22 às 24 horas pediu demissão e o Diretor veio falar comigo, pedindo se eu não estava a fim de apresentar o programa e que ele me daria muitas dicas e que todos da rádio iriam me ajudar. Mesmo eu tendo uma boa voz jamais tinha falado ao microfone. Como não sou de fugir da raia, aceitei na hora.

Com o auxilio primeiramente desse meu grande amigo e sonoplasta Vilson Dorneles, lá estava eu treinando no estúdio de gravação. No inicio eu gravava os programas e à noite eles iam ao ar. Não me esqueço da emoção de ouvir pela primeira vez a minha voz no rádio. 

Eu estava saindo do colégio e fui até um orelhão ligar pra emissora. O Vilson atendeu e eu perguntei se estava rolando o programa, cujo nome era “Líder com Sucesso”. Ele me respondeu: “escuta sua voz aí”, aumentando o volume. Ouvi a minha própria voz, sintonizada por centenas de ouvintes. Eu pulei na cabine telefônica  de felicidades.

No terceiro mês, já dominando completamente a sonoplastia e gravando os programas à noite, fui convidado pelo Diretor de Jornalismo da rádio a fazer reportagens. Novamente aceitei. Tínhamos reunião de pauta às sete e meia da manhã. E lá saia eu com a pauta para as entrevistas que iriam ao ar ao meio dia e no jornal da manhã às sete horas do dia seguinte. Uma emoção maravilhosa.


Ivan (D) em ação na Rádio Líder de Herval D’Oeste

Com o passar do tempo o Diretor pediu se eu podia fazer ao vivo o programa da noite. Senti um frio na barriga. O Diretor me deu carta branca pra fazer as mudanças necessárias, tudo sob sua supervisão. Eu prontamente falei com outros  locutores mais conhecidos da rádio e resolvemos mudar o nome do programa que começou a se chamar “A Noite é Nossa com Ivan Medeiros”.

A carta que não enviei ao meu amor

Era uma loucura. Eu entrava na rádio às sete da manhã, fazia reportagens até ao meio dia e ia para casa almoçar. Voltava para rádio, assumia a mesa de áudio das 18h às 19 horas, fazia um lanche e ia para a discoteca da rádio onde ficavam os discos de vinil e separava o que eu tocaria. A sonoplastia do programa era eu mesmo quem fazia.  Creio que em AM eram poucos, em 1993, os apresentadores que faziam locução e coordenavam a mesa de áudio. 

Com os conselhos e orientações de meus amigos da rádio, o programa foi se realizando. No horário das 21 horas eu lia “A Carta que não Enviei a Meu Amor”. As pessoas mandavam para a rádio as cartas de amor que não tinham coragem de enviar para quem nutriam um forte sentimento. Então, eu lia as cartas no ar. Uma época em que estávamos ainda longe dos computadores e e-mails. Às 22 horas eu lia poemas, a maioria de minha autoria.
 
Eu ficava feliz quando a secretária da rádio chegava e dizia: “Ivan, cartas para você”. Nossa, eu abria e lia relia as cartas de minhas ouvintes. Algumas diziam que me amavam, outras pediam música etc e tal. Eu estava me achando o máximo com meu trabalho sendo reconhecido não somente pelos amigos da rádio, mas sim pelas ouvintes de Herval D’ Oeste, Joaçaba e região.

Bem, fiquei na rádio até fevereiro de 1994, depois me mudei para Florianópolis, onde resido até hoje. Continuo sempre ligado em rádio, pois rádio faz parte da minha vida 24 horas do dia todos os dias.

Carta de ouvinte para ouvinte:

Carta do Leitor

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *