No tempo dos seriados de cinema

Nos anos 40 e 50 do século 20, ao redor do mundo, onde quer que houvesse um cinema, havia um programa infalível nos finais de semana: a exibição dos seriados, os “serials” norteamericanos.
Por Carlos Braga Mueller

No Brasil não era diferente e, fosse cidade grande, média ou pequena, a gurizada ia aos cinemas para “torcer” pelos mocinhos e “vaiar” os bandidos.
Em algumas cidades as matinés eram aos sábados à tarde; em outras, nos domingos. Mas, o mais emocionante para os espectadores mirins era o final de cada episódio, o perigo em que a mocinha ou o mocinho se via envolvido e do qual eles sempre escapavam, claro ! Nos Estados Unidos esse suspense final de cada episódio era conhecido como “cliffhanger”. Aqui era “perigo” mesmo…
Trocando gibis nas portas dos cinemas, comendo pipoca ou mascando chicletes Adams, todos aguardavam com expectativa o início da sessão.
Durante a semana as rádios anunciavam:
O Cine Busch apresenta neste domingo, às 14 horas, o sensacional faroeste “Bandidos do Velho Oeste” com Charles Starret, o famoso Durango Kid. No programa, dois episódios do seriado “As Aventuras do Capitão Marvel”.
Muitos devem lembrar-se da algazarra e do bate-pé que os espectadores faziam quando os malfeitores agarravam a mocinha, amarravam-na em frente a uma serra circular e nisto, o mocinho chegava. Era soco pra todo lado sob o aplauso e os urros da platéia.
Não se fazem mais seriados como antigamente, embora este tipo de dramaturgia tenha migrado para a TV, mas de forma bem diferente.
No Brasil sempre foi muito difícil para os saudosistas e cinemaníacos ter acesso aos antigos seriados.  Existiam como ainda existem, colecionadores que colocavam seus acervos à disposição de quem quisesse comprar determinado seriado em VHS, em uma operação meio difícil, complicada.
Agora, felizmente, um grande número de seriados está na praça em DVD, graças a uma produtora de vídeo sediada em Fortaleza, no Ceará.
A Classicline vem lançando, sistematicamente, alguns famosos seriados que podem sair da lembrança para tornar-se outra vez um espetáculo para os olhos.
Capitão Marvel, Mandrake, o Fantasma, o Rei da Polícia Montada, Nyoka, Capitão América, Flash Gordon, Zorro, são apenas alguns dos personagens que estão chegando ao público nos seriados que foram a coqueluche de tantos anos atrás.
Vê-los, ou revê-los é missão de todos aqueles que ainda enxergam, no cinema, uma expressão artística conhecida como a “sétima arte”.
Tal qual a “chanchada” brasileira, hoje elevada à condição de “Cult”, também os seriados ocupam um importante papel na história do cinema.


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