Multinacionais comandam os dramas

As grandes produções de radionovelas sempre estiveram ligadas à alguma marca multinacional, dentre as quais destacam-se a Colgate-Palmolive, Gessy-Lever e Sydney Ross.
Por Ricardo Medeiros

Essas empresas apenas trataram de expandir os seus negócios em terras brasileiras, pois já estavam acostumadas a patrocinar as histórias seriadas em várias parte da América, como Argentina, México, Colômbia e Bolívia, além dos Estados Unidos e Cuba.

Era a indústria dos cosméticos, higiene e medicamentos abrindo fronteiras para vender de tudo um pouco às donas de casa que seguiam atentas a cada drama anunciado pelas estações do Rio e São Paulo e após um certo tempo por outras regiões, como por exemplo Rio Grande do Sul, Recife, Paraná e Santa Catarina. Com os capítulos durando no máximo 30 minutos, os anunciantes faziam propagandas dos seus produtos no início, no meio e no final de cada capitulo. Os patrocinadores vendiam sabonete, creme dental, desodorante, perfumes, detergente, talco, laxante, antiácidos e analgésicos, entre outras ofertas.

Com essa realidade, os pequenos anunciantes nacionais tentaram também bancar as peças radiofônicas. Mas não havia como fazer frente a uma estrutura montada pelas empresas estrangeiras, que por intermédio de suas agências de publicidade no Brasil,- como no caso da Standard Propaganda cuidando dos negócios da Colgate Palmolive e a Lintas sendo a responsável pela conta da Gessy Lever-, dominavam o mercado. Cada uma dessas agências criou o seu próprio departamento de rádio e passou a movimentar recursos financeiros superiores os das empresas radiofônicas, ao mesmo tempo que funcionava como unidade de produção contratando escritores, tradutores e artistas para encenar as novelas de maior renome mundial.

Com toda esta estrutura as novelas de maior impacto junto ao público do eixo Rio-São Paulo eram encenadas simultaneamente nas duas cidades, com elenco local. Porém o que mais freqüentemente acontecia, na chegada da radionovela no Brasil, era a gravação dos capítulos em disco de 78 rotações, que eram enviados regularmente para várias emissoras do país, onde o cliente multinacional havia comprado um horário.

O mundo dos sonhos estava instalado no Brasil, tendo as mesmas emissoras pioneiras na irradiação dos folhetins, como carros-chefe deste tipo de programação. Adotou-se como padrão transmitir algumas novelas nos dias fixos de segunda, quarta e sexta e outras na terça, quinta e sábado. Isto implicava dizer que o capítulo seguinte de uma história que passava na segunda-feira, estaria automaticamente programado para a próxima quarta-feira e assim por diante. A Rádio São Paulo, com novelas nos três períodos, transmitia nos dias pares o Teatro de Evocação Gessy que geralmente abordava temas originais, enquanto nos dias ímpares a PRA-5 veiculava novelas adaptadas, sobretudo de Cuba, para a Colgate. Neste prefixo, a marca Peixe tinha espaço cativo também na segunda, quarta e sexta e a Farinha Maria ocupava os outros dias com o Teatro de Aventuras.  Apenas no período diurno a Rádio São Paulo conseguia veicular diariamente nove novelas.


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