Mortes anunciadas

Fazer planos e pensar num futuro melhor, ainda mais numa sociedade consumista e materialista, é tanto uma forma de não ser tolhido nesse círculo vicioso – que transforma tudo em objeto de desejo e descarte, de um instante ao outro -, como um trampolim para mergulhar de vez nele. Isso vale para qualquer ser humano, de qualquer origem, classe social, credo político ou religioso. Nesse contexto, uma única coisa é certa: não existe caminho sem riscos, até porque a lógica de uns não é a de outros.

Desse conflito de intenções surgem os crimes, cujas investigações e subsequentes julgamentos apontarão culpados ou inocentes.

Os casos mais em voga na mídia – pontas de icebergs de uma sociedade autofágica – servem para mostrar que ainda não estamos imunes aos mais baixos instintos da natureza humana. Isso independentemente de questões de gênero, embora crimes contra o sexo feminino e crianças revistam-se de maior dramaticidade.

No caso de vítimas mulheres, já tivemos inúmeros casos famosos de crimes “em defesa da honra”. Até repórteres renomados se renderam à passionalidade – em vez de adotar postura neutra -, perguntando ao autor, que havia descarregado seu revólver na mulher “amada” por “intensa emoção”, se ele sentia falta dela…

É certo que a paixão pode levar ao descontrole emocional, à perda de noção de certo e errado. Em outros casos, o instinto de sobrevivência leva a situações semelhantes, de legítima defesa. Mas, o que dizer da premeditação com “requintes de crueldade”?
Não matarás! Diz um dos mandamentos do decálogo judaico-cristão. Ele já bastaria, moralmente, para conter esse instinto básico do ser humano, substituindo-o pelo diálogo ou por justa mediação. Mas, isso vale para imorais e amorais?

Ocorre que, desde a origem da humanidade, enquanto alguns se preocuparam em valorizar a vida, outros se esmeram em tirá-la. Não falo apenas de criminosos de aluguel, mas também de torturadores e assassinos institucionalizados. Guantánamo estava aí, até pouco tempo atrás.

As elites históricas nunca gostaram de por a mão na “massa”, preferindo transformar terceiros em seus instrumentos. E quem escolhiam? Sádicos, gente cuja crueldade era exacerbada por instrumentos e práticas científicas. Outra opção era doutrinar e adestrar desde a infância, criando fanáticos ou “máquinas de matar”, do imbecil ao altíssimo QI, prontos para cumprir ordens de matar ou morrer, sem questionar.

Para os que mandavam, interessavam confissões até do que não se havia feito, ou punir quem ameaçava sua autoridade. Já para os torturadores-assassinos-mercenários, isso era um “meio de vida”, por dinheiro e/ou prazer. E quem pode afirmar que não havia mórbido prazer voyeur também de quem ordenava?

A diferença entre esses indivíduos, mandantes ou executantes, e os animais, ditos, irracionais é que os bichos não fazem isso por hedonismo. Só isso já seria suficiente para considerá-los mentalmente perturbados, indignos do convívio social. Mas essas práticas são úteis aos interesses de alguns, e sempre existe alguém disposto a prestar esses “serviços”.
Às vezes perdemos a noção do perigo e corremos riscos anunciados. Isto também mostra que ainda sabemos pouco sobre a natureza humana, e que a luta interna entre o bem e o mal está em crescente desequilíbrio.

Por conta disso dezenas, centenas, milhares de inocentes ou não – a maioria anônimos – continuam sendo vítimas da desnatureza humana, consumidos pelos mais baixos instintos e por uma sociedade que abomina, mas também se compraz de cada detalhe sórdido, que leis frouxas e permissivas incentivam, em vez de reprimir.

Isso sempre existiu! A diferença é que a informação, hoje, é mais ágil, quase instantânea e, às vezes, premonitória ou preditiva.

Isso não impede que o mal aconteça, mas serve para nos alertar que ainda temos muito, muito a evoluir!

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