Morre Jair Brito. Morre um pouco mais o rádio!

Publicado em: 28/05/2012

Eu sei que a saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar para o velho mestre, ouvir aquela voz e novamente: “Guri que anda fazendo?” Andava com saudade meu rapaz!

Cláudio Ribeiro

Por vezes somos surpreendidos com notícias tristes. Acabo de saber que morreu neste sábado, 26/5, em São Paulo, meu mestre, amigo, parceiro e ex diretor Jair Brito. Ele foi casado com uma das mais queridas amigas e grande cantora curitibana, Evanira e pai da minha também querida amiga e cantora Maricélia Brito e da artista plástica Maril Urso. Jair que depois casou com uma sobrinha do Fiori Gigliotti, a Regina, vivia na capital paulista onde veio a falecer. Com certeza sentirei saudades de todas as conversas, os papos sobre rádio que fizemos ou gostaríamos de ter feito, das lutas que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos…

Jair Brito pedaço importante da história do rádio do Paraná e do Brasil. Toda a sua vida profissional foi feita de lutas, de conquistas e também de angustias. Profissional de talento, porque soube somar seus pontos de esforços, sua criatividade e muito de seu caráter.

Eu sei que a saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar para o velho mestre, ouvir aquela voz e novamente: “Guri que anda fazendo?” Andava com saudade meu rapaz!

Como se fosse Sócrates Jair filosofava dizendo: Cláudio a vida sem Rádio é uma espécie de morte, não é não? Se é Jair!!

Amizades são feitas de pedacinhos. Pedacinhos de tempo que vivemos com cada pessoa. Não importa quanto tempo que passamos com os amigos. Importa sim, a qualidade do tempo. Assim é minha amizade com Jair Brito que conheci lá no distante ano de 1971.

Um dos maiores nomes do rádio brasileiro, começou na velha Rádio Guairacá, da Rua Barão do Rio Branco, “A Voz Nativa da Terra dos Pinheirais”, emissora importante, de grande audiência e de elevado padrão artístico, que então disputava a preferência do público com a pioneira PRB-2, Rádio Clube Paranaense. Jair trabalhou na Colombo e Ouro Verde (onde criou o inolvidável “Pick-up Automático”, com “música, apenas música”, enorme sucesso de audiência), até chegar à Independência da primeira fase, que ele bordou pedacinho por pedacinho à sua imagem e semelhança. Foi a grande potência radiofônica em AM dos anos 60/70.

Depois de passar por Santa Catarina Jair chega em São Paulo, onde dirigiu emissoras do porte e do calibre da Bandeirantes, Nacional (hoje Globo) e Jovem Pan.

Voltei a encontrar o Jair em São Paulo. Era 1972 ou 73 não me lembro. Ele era diretor executivo da Rádio Bandeirantes e o Diretor Artístico era o grande Hélio Ribeiro, que também conheci nesta oportunidade. Fui procura-lo na tentativa de arrumar um trabalho. Redator, produtor, apresentador, faxineiro qualquer coisa, precisava do emprego. Cheguei justamente no momento em que Hélio Ribeiro discutia com o velho Jair a criação de um programa radiofônico e de imediato como se tivesse uma carta na manga do paletó, Jair Brito sacou o Programa “Pulo do Gato” de grande sucesso e apresentado, primeiro pelo Gioia Junior e depois (dez dias depois) pelo José Paulo de Andrade. Jair me recebeu como sempre com carinho e fez uma proposta para eu trabalhar na equipe de produção do programa. Acabei não ficando, tinha que chegar às 4 horas da madrugada na emissora já que o programa começava às 6 horas da manhã. Me arrependi.

Jair volta ao Paraná para dirigir a Rádio Cidade onde reuniu os melhores profissionais, o melhor som e a melhor programação da cidade – 24 horas por dia no ar. Em 1979, o empresário Miguel Nasser adquire a concessão e os equipamentos da Cidade e muda os rumos da radiodifusão paranaense, quando Jair de Brito é convidado a dirigir a emissora. Ele, Luis Ernesto, eu (Cláudio Ribeiro) e Claudia Paciornik integramos a nova equipe e criamos sob o comando do velho mestre a grade de programas com o slogan ” Rádio Cidade 670 Khz – em ritmo de cidade grande” – entraria na história do rádio paranaense.

Sempre que vinha ao Paraná, Jair me procurava e ao seu amigo Renato Mazânek. Um dos últimos momentos que estivemos juntos foi na captação do seu depoimento (som/imagem) de como gente que tem história no rádio, na TV, no teatro, no cinema e no jornalismo paranaense, projeto do Renato e que está sendo impulsionada pelo multimídia Renato Ribas, por meio de sua empresa. Quem quiser conhecer um pouco do Jair, até como forma de homenagem, basta ir na Cinevideo e apreciar este documento em DVD.

Ah! Sabe aquela história descrita acima sobre o programa de São Paulo que acabei não fazendo por ser de madrugada? Muito bem – Jair, nesta sua retomada do rádio paranaense, me colocou como apresentador de um programa chamado “Cidade de Olhos Abertos” da meia noite até às 4 horas da matina!

É Jair, me permita citar Mario Quintana: O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo… Aprendi com você que a vida não consiste em ter boas cartas na manga como cheguei acreditar, e sim em jogar bem as que se tem!

Saudade

Cláudio Ribeiro | Jornalista – Compositor |Maio 2012 | Brasil Cultura

5 respostas
  1. Edemar Annuseck says:

    Muita triste a notícia que o amigo Cláudio Ribeiro postou no Caros Ouvintes. Ainda outro dia troquei correspondência com Jair Brito me incentivando como sempre o fazia. Curiosamente conhecí o Joinvillense Jair Brito no dia 2 de Novembro de 1965 quando era o Diretor Artístico da Rádio Cultura comandada por Ramiro Gregório da Silva. Fui convidado a ir à Joinville pois havia interesse na minha contratação. Eu estava no rádio há ano e meio na Rádio Nereu Ramos. Nos reunimos, Jair, Ramiro e eu no Hotel Real onde o Jair residia. Foi um papo maravilhoso. Minha ida não se concretizou por questões financeiras. Depois reencotrei o Jair dirigindo a Rádio Independência de Curitiba ao tempo de Willy Gonser, Silvio Ronald, J.Pedro e entre outros. Em 1973 ele estava no comando da Rádio Gaúcha de Porto Alegre e contratou Willy Gonser. Em 1977 Jair Brito dirigia artísticamente a Rádio Nacional de São Paulo que mais tarde se transformou em Rádio Globo. Contratou Osmar Santos, quiz o meu concurso e por questões financeiras não aceitei o convite. Depois disso Jair Brito no comando novamente da Gaúcha tentou contratar-me mais uma vez. Infelizmente nunca trabalhei com Jair Brito, mas tínhamos contato e eu sempre ví nêle um dos melhores profissionais do rádio brasileiro. Descanse em paz Jair, o rádio lhe diz muito obrigado pelo muito que você fez por ele.
    Edemar Annuseck
    São Paulo – SP

  2. Marilze dos Santos Brito says:

    Agradeço sinceramente a publicaçao do artigo enviado.
    Uma homenagem sincera!

    Marilze dos Santos Brito

  3. Cláudio Brito (Rádio Gaúcha) says:

    Não sabia de nada. Trabalhei com ele. Mais que isso, busquei-o no Aeroporto e o conduzi até a Rua Rivera, em Petrópolis, onde viveu em casa alugada pela RBS. Convivemos bastante. Sua esposa, Regina, vivera um grande drama: sobreviveu ao incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo. Uma das causas de terem migrado ao Sul foi o desejo de afastamento da lembrança que SPaulo acentuava. Foi o Jair o diretor que decidiu colocar a Gaúcha 24 horas no Ar, com a campanha Gaúcha, Rádio Grande do Sul, 24 horas no ar. Com ele, fiz um programa no amanhecer, Gaúcha Desperta a Cidade, logo sucedido pelo Gaúcha Hoje, então com o Claudio Monteiro. O Jair tem parte decisiva na história da Gaúcha. Sinto sua morte, que fico sabendo pelo colega Luiz Ferraretto e pelo site Caros Ouvintes
    Grato
    Grande Abraço a todos que conheceram o grande Jair Brito.
    Não éramos parentes, sempre me orgulhei quando
    alguns pensavam que eu fosse seu sobrinho.
    Cláudio Brito
    Rádio Gaúcha e Agert, Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e TV

    Cláudio Brito

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  1. […] Jair Brito foi porteiro de Rádio, auxiliar de discotecário, discotecário, programador e diretor de rádios no Brasil, firmando seu nome entre os grandes do Rádio brasileiro. Começou em Curitiba, onde marcou história, mas teve passagens por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Para o Caros Ouvintes, escreveu a coluna “Para Sempre Rádio e TV” e outras colaborações. Faleceu em 28/05 de 2012. […]

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