Maria Helena Andrade, o primeiro CD da rainha do rádio

Totalmente por acaso, voltei aos tempos que não vivi do grande espetáculo radiofônico que colocava, em Porto Alegre, de um lado, a Farroupilha e, de outro, a Gaúcha. Foi em uma noite lá por outubro ou novembro, nem tão quente para ser verão, nem fria ou suficiente para lembrar o inverno. Por Luiz Artur Ferraretto

Noite daqueles ideais para um pedaço de carne na parrilla, bem ao estilo da República Oriental del Uruguay, no Restaurante Mercado del Puerto, uma das casas dedicadas a esta arte na capital do Rio Grande do Sul. Na chegada, um dos garçons nos ofereceu o saguão onde o pessoal do chorinho, do samba, enfim da música, estava reunido. Meio como se estivéssemos invadindo festa alheia, fomos sentando atraídos pela possibilidade de ouvir o grande flautista Plauto Cruz que se apresentava no palquinho junto à parede.
Em seguida, um daqueles cultores da memória e do bom-gosto anunciou – Surpresa! – a presença da Rainha do Rádio, Maria Helena Andrade, majestade apontada no concurso da Casa do Artista Rio-grandense em meados da década de 50. E aí foi um show de precisa interpretação, daqueles que, ao final, só resta aos plebeus a retirada em silenciosa reverência.


Maria Helena Andrade

Pois a Rainha do Rádio lançou, no dia 4 de agosto, o seu primeiro CD em show no Teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. É a volta após uma carreira curta e precoce. Natural de Rio Grande, Maria Helena foi rainha com idade de princesa. Chegou a Porto Alegre com 14 anos e, pouco tempo depois, já era eleita. Apesar do sucesso, em 1961, Maria Helena casou, deixando o rádio e as apresentações de lado. Só retomaria em apresentações esporádicas quase 20 anos mais tarde, em paralelo a uma nova carreira, a de auxiliar de enfermagem no Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde, por vezes, atenuou com canções as dores dos pacientes.
Agora com “Uma luz a brilhar”, qualquer um pode voltar aos tempos dos auditórios, percorrendo faixas com regravações de músicas como “Rio de Janeiro” e “Babalu”. Em Porto Alegre, ao preço de R$ 20,00, o CD está à venda na Via Imports, da Galeria Chaves, bem no centro da capital gaúcha. Quem ouvir então talvez sinta a mesma reverência daquela noite lá no Mercado del Puerto, uns tragos, uma tragada no cigarro e música, coisa de um porto bem mais alegre, mais seguro e que, no caso dos da minha geração, infelizmente, migra cada vez mais para o terreno do imaginário.


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