Jornalismo de Vanguarda (Parte 7)

Publicado em: 22/08/2006

Para que você leitor mais jovem possa analisar uma das fases mais tumultuadas vividas pela política brasileira em meados do século passado, um pouco de história é fundamental.
Por Antunes Severo

O golpe militar de 1964 que manteve o país em regime ditatorial por mais de 20 anos, pode ter começado em 1945. Explico: Getúlio Vargas, ditador desde 1937 quando criou o “Estado Novo”, foi deposto em 1945. Nesse ano institui-se a Terceira República que no período de 1945-1965 teve 10 mandatários. Entre os quais João Belchior Marques Goulart eleito vice de Jânio Quadros e derrubado do poder em 31 de março de 1964. Fazer jornalismo – impresso, radiofônico ou televisivo – nessa época era mais do que um desafio, muitas vezes era mesmo um perigo.
Em Santa Catarina embora de forma mais branda ou menos ostensiva reinava a censura iniciada com a tomada de posse do governo pelos militares. A Rádio Diário da Manhã, inaugurada em janeiro de 1955, destacava-se pela audiência de dois programas de rádio Jornalismo: A Marcha dos Acontecimentos, um programa crítico-opinativo de caráter político e o Correspondente Renner, uma série de quatro edições diárias de oito minutos ao estilo do consagrado modelo do Repórter Esso. Adolfo Zigelli, com uma equipe de mais seis profissionais, produzia e apresentava ambos, além de exercer as funções de diretor da Divisão de Radiojornalismo da emissora.
Adolfo Zigelli percebendo a pressão diária feita sobre a linha editorial da emissora, viu na criação de um documento que chamou de Regras de Redação, o instrumento que lhe daria mais força para defender a profissionalização do radiojornalismo como instrumento de credibilidade da emissora e de respeito para com os ouvintes.
Na edição da semana passada apresentamos os pontos básicos do manual e até uma notícia de como exemplo de aplicação do modelo. Hoje, portanto, passaremos a apresentação do manual com base na metodologia adotada por Moacir Pereira em seu livro Adolfo Zigelli – jornalismo de vanguarda, inclusive respeitando a ortografia da época.
RDM –Divisão de Rádio-Jornalismo. Regras de Redação
Comecemos com algo realmente importante: aqui todos têm direitos.
Mas, para obtê-los, lembre-se que existem deveres. 
É dever de quem reclama direitos cumprir os seus deveres.
Em segundo lugar, também é importante recordar que aqui vivemos o nosso trabalho; e se aqui trabalhamos vamos trabalhar juntos, num clima de cordialidade. É vantagem para cada um e vantagem para todos. Se algum colega lhe pedir a cobertura de um horário, faça o possível para atende-lo. Lembre-se que amanhã quem pode desejar ir a uma festa ou a um cinema, é você. Se o seu colega faltar e não lhe prevenir, faça-o do mesmo jeito. No mínimo ele lhe ficará agradecido.
Não cobre os favores que fizer. Um favor espontâneo – fique certo – é retribuído, hoje ou amanhã.
O rádio – no estágio atual do desenvolvimento brasileiro – é um veículo poderoso.
Quando tiver que prejudicar alguém no interesse público, pense duas vezes. Quando tiver de favorecer alguém, em particular, pense dez vezes. Quando tiver de prejudicar o interesse público, nem precisa pensar: rasgue o que escreveu.
O seu melhor crítico é você mesmo. Se você não estiver satisfeito com o que produziu, imagine a insatisfação do seu superior.
A sua missão é informar.
Por isso, mantenha-se bem informado.
Até a próxima semana com a apresentação de mais uma parte das Regras de Redação de Adolfo Zigelli.


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