HB 116: Brasil, terra maravilhosa cheia de surpresas e de mistérios

Em carta a um amigo Dr. Blumenau narrava os tristes acontecimentos dos quais tomou conhecimento ao chegar ao Rio de Janeiro, na volta da Alemanha. A primeira notícia dava conta da morte do pai. A outra tão contundente quanto a primeira, ou, quem sabe, de maior peso sentimental, foi assim narrada por ele: “a segunda, dava-me parte de um fato não menos triste e que deixou por muito tempo a minha alma mergulhada em profunda mágoa”. Referia-se ao grande desastre amoroso de sua vida. Quando deixara a Alemanha em mil oitocentos e quarenta e seis namorava uma patrícia, a quem amava sinceramente e com quem pretendia casar-se, compartilhando com ela as alegrias e tristezas da existência.
Ao retornar à Alemanha desta feita, Dr. Blumenau insistiu no casamento. A noiva, porém, protelava a decisão. Assustava-a a idéia de vir para o Brasil. Corriam mil versões a respeito da terra maravilhosa, cheia de surpresas e de mistérios. Dizia-se tantas coisas de mal, que nem as palavras, nem os sentimentos do Dr. Blumenau conseguiram convencê-la. E para não magoar o coração, enamorado, do pretendente, ela prometeu mandar-lhe a resposta por carta. Como o navio demorou-se a aportar no Rio de Janeiro, a carta da moça chegou antes. Em vez do sim esperado, a resposta era um “não” bombástico. Entre a dor da morte do pai e o sofrimento desta notícia, seu coração batia descompassado e a mente fervilhava em pensamentos desencontrados.

A seguir: novos reveses aguardavam o colonizador neste regresso.

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