Grandes Astros do Sul

Quando Gilberto Martinho deixou sua bucólica Cangicas (hoje distrito de Hercílio Luz, Araranguá) para galgar os degraus da fama na TV Tupi (depois Rede Globo), era apenas mais um a tentar a sorte e apostar em seu talento no Rio de Janeiro.
Por Agilmar Machado

Foi o mais autêntico “coronelaço” nos papéis centrais das novelas e dos palcos brasileiros, depois sucedido por Lima Duarte e, hoje, por Osmar Prado. Gilberto Martinho, lutou contra um câncer que o acabou vencendo recentemente. Assim como Gilberto, o sul de Santa Catarina foi um manancial de valores artísticos que precisam ser devidamente registrados para a história (hoje tão frágil de informações corretas e dados precisos).
Dos reais pesquisadores e historiadores conscientes, poucos restam ainda ativos e capazes de resgatar, com lisura e clareza necessárias, os fatos passados.
Infelizmente, “cada um faz sua própria história”, enfatizando seus próprios “méritos”, relegando ao esquecimento e à omissão aquilo que todos desejariam conhecer do passado mais longínquo. Com esse intróito sobre o que penso, creio necessário e urgente que haja uma conscientização junto aos que nos sucederão nas narrativas de fatos passados; cremos ser extremamente necessário um resgate fiel da história, sem egoísmos, sem “pavonismos” abomináveis que somente deturpam e gravam versões errôneas e incompletas, tidas como fiéis pelos menos avisados.
Digo tudo isso para iniciar uma série de trabalhos relacionados ao meio artístico do sul catarinense, em cujo mérito estará a realidade dos fatos passados, num resgate sem sofismas ou omissões. No último dia 29 de outubro, através do mano César e reportando-me depois á seção “Obituário” de um conceituado diário editado no Estado, tomei conhecimento, com imensa tristeza, da morte de um dos mais aplaudidos músicos sulinos: Abílio Vasconcelos. Ele guardava, com extremo orgulho, um precioso acervo dos velhos tempos em que, com seu bandolim ou cavaquinho (pois era exímio em ambos), compunha o Regional R-6 da Rádio Eldorado dos finais dos anos 40 e inícios dos anos 50.
Mostrou-me uma foto histórica desse memorável conjunto, onde perfilavam: Santos Flores (arranjador e violonista), ele (Abílio) no bandolim, Aristides Madeira (segundo violão), Zequinha (bateria), Santiago (pandeiro e agea), Edu Réus (até hoje com o seu conjunto “Os Araganos” atuando em rádios e palcos do Rio Grande do Sul, no acordeon) e nada menos que Altair Castelan, histórico nome artístico que atuou por longo período na Rádio Diário da Manhã, de Florianópolis, no piano e acordeon, algumas vezes substituído por seu tio Albino, na Eldorado de então. Puro talento! Pois a triste nota relacionada à morte de Abílio Vasconcelos (77) registrou somente o derradeiro período de sua participação artística, então já no alvorecer da década dos anos 70, em uma outra rádio de Criciúma.
Infelizmente, e mais uma vez, não foi procurada a informação completa e independente, que tem nome, residência e telefone: Mário Beloli, a quem reverenciamos como acurado e zeloso pesquisador e historiador. Atualmente, além dele, não conheço outro nome credenciado para rememorar, com seriedade e precisão necessárias, qualquer fase anterior aos anos 50 da história da cidade de Criciúma, com imprescindível fidelidade.

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