Fernando Pessoa: tenho em mim todos os sonhos do mundo

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo./ Janelas do meu quarto,/ Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é/ (E se soubessem quem é, o que saberiam?),/ Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,/ Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,/ Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,/ Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,/ Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

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