Dona Geni e as mulheres da Rádio Diário da Manhã

Dona Geni foi uma das “testemunhas oculares da história” que passaram pelos umbrais da escadaria que levava da calçada de quem sobe a Praça XV aos estúdios da Rádio Diário da Manhã.

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Dona Geni Vasconcelos

Geni Vasconcelos trabalhava como doméstica para a família Bornhausen, proprietária da Rádio Diário da Manhã, mas foi transferida para a nova emissora no final de 1954, para “cuidar dos meninos” e das instalações da emissora.

Uma coisa que ela não sabia, mas que logo ficou evidente é que nas novas funções ela deveria também “cuidar das meninas da rádio”. E ela fez isso muito bem, com determinação e simplicidade. Permaneceu na emissora até 1967 enquanto sua saúde permitiu. Dona Geni nasceu aos 28 dias do mês de fevereiro de 1917 e morreu aos 50 anos no dia dez de setembro de 1967.

Nos seus doze anos de Rádio Diário da Manhã, por lá passaram dezenas de outras mulheres que conosco conviveram num clima civilizado e de bom astral.  Foram tempos de uma vida normal de uma grande família. Trabalho, lazer, convívio, amizade, respeito, flertes, namoros, noivados, casamentos ou simples paqueras descomprometidas.

No geral, as mulheres da rádio foram para nós “meninos” as estrelas que se consagravam nas artes do diálogo, da fala, da música, do canto, das interpretações dos personagens que povoavam nossos sonhos e alimentavam nossas mais caras emoções.

Ah! As mulheres da rádio. Negras, mulatas, morenas ou loiras de cabelos dourados e olhos azuis, pouco importa. Magras, esbeltas, fofinhas. Altas, medianas, baixinhas. Risonhas, extrovertidas, simpáticas. Ou recatadas e modestas, mas exuberantes e graciosas.

Ah! As mulheres da rádio: Maria Alice, Lygia, Ondina, Janine, Tereza, Neide, Leta, Cleia, Nívea, Janine, Nivalda, Cacilda, Alda, Edy, Helena e outras dezenas que quase anônimas passaram por lá.

Mas, uma coisa é inesquecível: dona Geni foi mais do que todas elas. Ela foi mãe, babá, tia, apoio, socorro de todos nós frágeis homens-meninos do rádio.

Dona Geni servia o café, varria, fazia a limpeza, cuidava do asseio de tudo que nós tocávamos, mantendo limpos o assoalho, os móveis e dos equipamentos até às vidraças.

Dona Geni, estava sempre de bem com a vida. Simples, brincava – e às vezes – puxava a orelha da gente; ouvia confidências, dava conselho, guardava segredos.

Dona Geni era magrinha, franzina, mas dava conta dos dois andares ocupados pela rádio e mais a escadaria que ia até a porta da frente. Mantinha tudo limpinho, brilhante, cheiroso. Até o banheiro tinha um tratamento especial na sua rotina de limpeza e manutenção, pois que ele fazia parte do nosso “instrumental de trabalho”.

É que naquela época não havia eco (reverberação) produzido eletronicamente, e como os banheiros (e as igrejas) têm uma acústica característica que se aproxima do eco nós colocávamos microfones no banheiro para dar “brilho” no som dos comerciais e das músicas gravados ao vivo no auditório da rádio.

Dona Geni era sábia e não sabia. Sabia elogiar, tolerar, ponderar e repreender sem bajular ou ofender. Simples, modesta, humilde, como só as pessoas sábias sabem ser.

Algumas mulheres da Rádio Diário da Manhã

Cacilda-NocetiCacilda Nocetti

Essa baixinha singela e amada, nascida em Bombinhas/SC, em 1918, começa a vida artística fazendo teatro amador e programas humorísticos na Rádio Difusora de Itajaí. Em Florianópolis fez teatro, novela e participou das equipes de comediantes das rádios Guarujá e Diário da Manhã. Desligou-se da Rádio Diário da Manha em 1982 quando encerrou suas atividades na área da comunicação. A “pequena notável” como era chamada pelos amigos e colegas, faleceu em 01/06/1998 próximo de completar 80 anos. Leia mais.

 

Helena-Martins1959Helena Martins

Menina precoce, com seis anos dominava os auditórios com uma força e garra incomum. Carismática e boa intérprete, destacou-se cantando os maiores sucessos da música brasileira romântica. Cantou profissionalmente nas emissoras e clubes da Capital na Era de Ouro do Rádio. Em 2001, gravou o CD As Rosas Não Falam e atualmente se dedica a apresentações em festas particulares, eventos e shows beneficentes. Leia mais.

 

 

Lygia-SantosLygia Santos

Uma das primeiras locutoras, iniciou na Rádio Guarujá e encerrou a carreira na Rádio Diário da Manhã. Na Diário, fez locução comercial e participou do elenco de radioteatro sob a direção de Aldo Silva. Lygia é uma dessas pessoas que se destacam pela alegria de viver, pela maneira saudável com que se comporta e pelo otimismo que transpira em cada gesto e em cada palavra. “O rádio me deu uma coisa muito boa: com o rádio eu aprendi a me relacionar com as pessoas sem guardar distância por classe social”, afirma Lygia. Leia mais.

 

Maria-Alice2Maria Alice Barreto

As estrelas nascem carregadas de augúrios, auspícios, presságios que ninguém consegue explicar. Maria Alice Barreto nasceu para a representação cênica e sonora. Com quatro anos de idade lia histórias para os colegas nas aulas de tricô e crochê sob os olhares espantados das irmãzinhas da Sagrada Providência, no Colégio Coração de Jesus. Com nove, dez anos, cantava os sucessos musicais que ouvia no rádio e com doze, treze, criava, produzia e interpretava peças teatrais. Leia mais.

 

 

Neide-Maria-1968Neide Maria Rosa

Estrela máxima da constelação catarinense com lampejos nacionais aos microfones das rádios cariocas e paulistas, foi divina e graciosa cantando, interpretando papéis diversos no radioteatro e fazendo locução. Como pessoa, simples e carinhosa, foi exemplar. Neide Maria Rosa, nascida na Rua Menino Deus – aquela que sobe até o Hospital de Caridade, em Florianópolis – foi e continuou sendo por toda vida uma pessoa, simples, afetiva, mas comedida; parceira mas não comprometida. Leia mais.

 

NivaldaNivalda Jaques

Discreta e ponderada na vida pessoal, foi assim também sua passagem pelo rádio. Atuou como assistente de direção de radioteatro cuidando da reprodução de scripts e reprodução das falas e marcação de cada intérprete. É autora da série As Crianças se Divertem, um programa de 15 minutos diários transmitido pela Rádio Diário da Manhã e várias emissoras do interior. Leia mais.
 

Nivea-Radio-VerdadeNívea Marques Nunes

Nasceu no dia quatro de outubro de 1933 em São Bento do Sul/SC e tem lugar de destaque entre as estrelas pioneiras do rádio da Capital. Iniciou declamando poesias como colaboradora do programa Hora Literária de  Lourival de Almeida, na Rádio Guarujá. Em 1955 transferiu-se para a recém inaugurada Rádio Diário da Manhã onde foi locutora comercial, apresentadora de programas de auditório, radioatriz e comediante. Leia mais.
Edi-Santana-2Edi Santana

Cantora popular de voz e estilo privilegiados, brilhou nos programas de auditório da Rádio Diário da Manhã e nos clubes sociais nas décadas de 1950 e 1960. Caprichosa, Edi sempre que escalada para alguma apresentação, ensaiava exaustivamente. Quando se trata de gravar jingles, então nem se fala. Edi acompanhava todo o trabalho e só saía do palco quando mestre Zininho dizia que estava finalmente ok.

 

 

Janine-LuciaJanine Lúcia

Começou no rádio como radioatriz e se notabilizou interpretando  personagens de destaque no enredo dos folhetins. Era a doce “mocinha” que muitas vezes sofria, mas que, ao final da novela sairia triunfante sobre todos os males que atazanaram a vida de sua personagem. Começou como radioatriz na Anita Garibaldi, transferiu-se para a Guarujá e daí para a Rádio Diário da Manhã. Com voz meiga e suave marcava com personalidade os papeis de suas personagens.

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