Consagração de um povo em extinção

As pedras polidas pelo transcurso dos tempos fazem das freguesias do Ribeirão da Ilha, Lagoa da Conceição e Santo Antonio de Lisboa, póvoas de um urbanismo encantador e enternecedor pela cálida reminiscência de tempos que não voltam mais. Cito essas localidades como exemplo, pois que a degradação é generalizada e cada vez mais destruidora em toda Ilha de Santa Catarina. As imagens me vêm vivas, pungentes e claras quando percebo que alguns poucos – muito poucos – meios de comunicação ainda se importam com os valores naturais que sustentam a vida. E lembram de personalidades como Aldírio Simões, o Bruxo mais Manezinho, de nossas mais caras e gostosas maneiras de ser e como humanos, viver.

Nos conhecemos profissional e pessoalmente como ilhéus apaixonadas por essa Ilha Donzela Moça, que os usurpadores, assaltantes e violentadores de pessoas e patrimônios culturais naturais, sôfrega e irresponsavelmente continuam matando.

É triste. É doloroso. Sentir que nos fogem das mãos, da alma e do coração nossas mais caras referências e com elas também lá se vão nossas identidades e por que não, o desejo de encerrar nossa curta trajetória terrena.

Sei que somos poucos, muitos poucos, mas nunca tão desrespeitados como agora. E o que mais lamento é que personalidades como a do jornalista Aldírio Simões cada vez menos aparecem.

Conheci Aldírio Simões sem que nos tenhamos tornados íntimos, apesar de encontrá-lo quase todos os dias no Mercado Público e em eventos diversos. Quando Aldírio Simões se estabeleceu no casarão da dourada Rita Maria, disse-me ele: Amigo Feijão, ali vou desencantar

Agradeci muitos convites para ir visitar o reduto, mas, eu havia jurado jamais voltar à Praia da Rita Maria, por que ela não existia mais. Foi arrasada física e moralmente pela presença de edificações com a presença de valhacoutos marginais, com falsos nomes de boates.  Não era puritanismo, o que me magoava era o agravo que fizeram aos nativos locais.

Então Aldírio, em dia negro e triste, também se foi deixando uma imensa trilha de lágrimas de seus amigos de coração. Foi para outras dimensões, mas deixou entre nós a figura de uma liderança de tal ordem que foi alçado à mais elevada imortalidade na academia dos povos, que um dia trilharam felizes e gentes, em suas peculiaridades inigualáveis.

Aldírio Simões era esse povo Aldírio Simões era sal dessa terra cercada por mares por todos os lados; por isso tão aberto e generoso. Por isso, tão difícil de aceitar sua ausência física entre nós.

3 respostas
  1. eno josé tavares says:

    SEVERO MODERADOR QUE FEZ DO TEXTO SIMPLÓRIO, UMA OBRA A QUATRO MÃOS

    eternos agradecimentos, por ter trabalhado meu texto,como bom chefe de redação,competente revisor ,e, editor sem igual.O enriquecimento daquelas modestas colocações,mostram o quanto nosso Menestrel do Itápeví, é profissional completo.Os eventuais desencontros anteriores,aconteceram por que eu necessitava de um hábil editor,que soubesse transformar minhas diatribes, em palavras… em textos com o conteúdo ,que realmente mereciam ,e, diriam alguma coisa.Ao Augusto Moderador,um agradecimento humilde, desse singelo proseador sem limites nos dedos e nos ânimos.Ciao…Eno cel 8416 7871

  2. eno josé tavares says:

    TODO TEXTO PARA SER ÚTIL E DIZER O QUÉ PRECISO DEPENDENDE DE MUITOS PROFISSIONAIS

    mesmo em um “menudo”de bairro,todo jornaleco precisa de um “pauteiro”,um “bom jornalista”,um exímio paginador”,um incomparável”revisor”…sem isso, perde-se uma preciosa matéria,pois o “repórter de rua” e não o “rato de redação”,ou o “pressreleaser preguiçoso”,no afã de colher “fresquinhas informações”não se preocupa com sintaxe ou ortografias rebuscadas…Isso fica, com o Secretário de Redação e o Editor Chefe…foi isso que fizeram ,com esse texto sobre o Aldírio Simões,que lá dos confins onde está,inspirou meus moderadores da vida…

  3. eno josé tavares says:

    E POR FALAR EM JORNALECOS MENUDOS,COMO É GOSTOSO FAZER UM TABLÓIDE…

    manias de antanho,me separavam sempre do jornal standard, do tablóidezinho de doze páginas…diários… não mais semanários, uma gostosura de fazer…cada um com suas poses,cada um com suas “matérias mais importantes que as do vizinho”,que o paginador e o diagramador ,tinham que achar lugar para elas…e sempre aquele lugar de honra em um jornal menudo,ou uma revista adventicia…as disputadíssimas páginas ,de números ímpares,e ou,páginas de rosto e ou páginas espelho,pois as páginas pares,ficam sempre à esquerda do leitor, e este,por preguiça ou preconceito,lê a matéria que lhe cai diretamente sob os olhos,tal e qual prateleira de supermercado(?).Vemos o caso de colunistas,comentaristas,cronistase ou contistas…Todos querem a página três,ou então a quarta capa,pois a primeira capa, é ,das manchetes e chamadas motivadoras…E aí os chavões e os bordões muito exóticos…”me dá o teu buraquinho me dá…”Me arranja uma tripinha” de canto, mas, que seja a página ímpar…A
    doceira gostava da terceira capa,pois suas leitoras glutonas podiam destacar aquela parte do tablóidezinho,para futuro livro de receitas…o editor de polícia ,se contentava com a página cinco,pois lá ficavam mais miseriosos e dava para bajular algum”delega”em evidência…O editor de esportes,esse tinha seu antro sagrado:era dono natural das duas páginas do meio…a ímpar para o decano dos comentaristas ,e, a da esquerda,para um colunista menos apreciado…uma página do time alvinegro e a outra para o time alviceleste…dependia também da posição,situação e crise, em que estivesse um deles…Era o que chamávamos de” página isqueiro”,pois qualquer faísca era fogo na pomboca, até mesmo na redação,que a faxineira tinha que desfazer a vassouradas,o fogaréu, esse caso tivesse acontecido um clássico entre os doi no domingo,e,a edição fosse sair naquela segunda feira…E o pauteiro do “menudo”,hein?Se não fosse mais ou menos, alto e forte,éra o alvo dos cascudos e petelecos da patuléia…Então deve ser assim, no antro do meu Severo Moderador…uns cascudos aquí,outro ali,outros acolá…e vamos descobrir se a matéria é crônica,comentário,conto da carochinha e ou coluninho social…É às veras sim…Mas tudo vale a pena,que não se aceita gente de alma pequena…Não esquecamos da segunda capa:a página de serviços…O expediente do jornal,o editorial,e alguns mais afortunados,que conseguiam se infiltrar por alí,a quem chamávamos de queridinhos(as)do Editor Chefe,mais conhecido como Bruxo de Plantão…É isso aí MÔ MODERADOR…fechada e rodada a edição ,já madrugada… um pão com margarina e linguiça ,no buteco do lado e um tapa no beiço, para dormir angelicalmente aquele começo de manhã…

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