aComparando incomparáveis

Publicado em: 25/06/2007

Três amigos que costumam freqüentar a Boca Maldita em Curitiba, têm predileção por discutir política e a atuação dos políticos atuais, sempre procurando fazer comparações com os mais antigos. Um é médico outro advogado aposentado e o terceiro jornalista, também aposentado.
Por Jamur Júnior

Gostam de lembrar dos políticos do passado que costumavam fazer campanha levando debaixo do braço um programa de obras e ações que chamavam de Plataforma de Governo, onde estavam estabelecidas as metas que o futuro governante pretendia atingir durante seu mandato. Quando eleitos dedicavam-se com afinco no cumprimento das promessas feitas em campanha. Deixar de fazer o prometido era considerado falta grave e uma desonra para qualquer homem público.
O exercício de um mandato de prefeito, governador, era acima de tudo uma grande honraria e demonstração de plena confiança da população que elegia. Qualquer falta, por menor que fosse, ganhava ares de tragédia e por isso merecia explicações com a mais absoluta transparência.
Foi um o tempo em que a dignidade do homem público era parte importante em seu programa de governo. Político entrava e saía do governo com o mesmo patrimônio, o mesmo saldo bancário, a mesma casa, o mesmo carro. Em compensação eram muitos novos amigos, milhares de admiradores e o carinho popular.
Um dos mais notáveis exemplos de homem público que exerceu sua função com a mais alta dignidade e respeito pelo cidadão foi Ney Braga. Começou como Chefe de Policia onde desempenhou suas funções com tanta capacidade que acabou sendo escolhido candidato a Prefeito de Curitiba. Elegeu-se prefeito numa campanha feita praticamente a pé , com alguns companheiros, amassando barro com o sapato surrado nas ruas da cidade, batendo palmas nas casas e pedindo votos. Foi duas vezes governador do Paraná, deputado federal, senador e duas vezes ministro. Nenhum outro homem público teve uma carreira como a de Ney Braga na história da política paranaense.
Exerceu a função pública coberto pelo carinho e atenção do povo, que o admirava por sua capacidade de realizar na administração pública, por sua postura respeitosa com relação aos  adversários e pela alta consideração por seus auxiliares. Nunca chamou atenção de um deles em público. Como muitos outros costumava lembrar de sua plataforma de governo que cumpria com responsabilidade, agregando novas obras que surgiam como prioritárias em ocasiões diversas.
Não tinha a preocupação doentia pela mídia, o marketing e a propaganda. Não se fazia de rogado quando solicitado para uma entrevista com o objetivo de esclarecer a população. Não demonstrava medo, rancor, ódio, arrogância.  Costumava prestar contas de sua administração falando anualmente numa cadeia de rádio e televisão. Mas , não ficava o mandato inteiro fazendo propaganda de seu governo ou, como fazem atualmente, anunciando obras que muitas vezes não passam de intenção para enganar os eleitores. Bem diferente dos atuais mandatários que chegam a anunciar obras inacabadas como se estivessem prontas, e outras de governos passados como se fossem de sua autoria.
No final da conversa os três amigos concluíram que se o mundo ficou melhor em muitos setores como medicina, comunicação, desenvolvimento cientifico etc, seguramente na política houve grande retrocesso. Hoje predomina a mais pura mediocridade que anda de mãos dadas com a mentira a falsidade e a corrupção.

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