Capuchon: os novos rumos dos nossos caminhos

Nesta época, o Capuchon, cujas composições já haviam evoluído e necessitavam de mais “peso”, se apresentava acompanhado por Mazzola (baixo), Zequinha ou Sidney Nocetti (teclados) e Zico (bateria), músicos que costumavam acompanhar também Eliana Taulois.

[ Por Márcio Santos ]

110Foi após uma grande decepção, em 1976, que resolvemos acabar aquele Capuchon: foi anunciado um grande show do grupo com a banda de apoio, no próprio bar do DCE; com a casa lotada, o trio de acompanhantes não aparecia e, como sempre costumávamos fazer, apresentávamos os novos compositores antes de nosso show, que estava programado para as 21hs.

Enquanto eu gerenciava a entrada no palco dos músicos que nos antecederiam, Nilo e Miro procuravam os faltosos e os descobriram num local próximo ao DCE, onde tocariam até as 21hs; como estavam trabalhando para seus maiores contratantes, estes exigiram que tocassem até mais tarde ou perderiam seu trabalho permanente, deram-nos o calote e não pudemos cumprir com o prometido (Capuchon mais banda).

Fizemos normalmente nosso show, como sempre, um sucesso, porém não tínhamos a consciência de que não precisávamos de mais ninguém, além do quinteto, para continuar a carreira.

Na manhã seguinte, após rápida reunião, enquanto descíamos as escadas do DCE, o Kachias declarou não se sentir evoluindo em sua música e queria se dedicar mais à poesia; o Miro pensou em fazer um curso de desenho (pois tinha esta capacidade inata); e o Nelson achou que o grupo afastara-se de suas idéias iniciais; Marcio e Nilo resolveram então continuar, desta vez tendo o Grupo Folk como banda de apoio.

Após algumas apresentações, Nilo incorpora-se ao Folk, enquanto Marcio e Aldo (voz e violão) formam o “Flor do Sereno”, com Kachias e Umberto Ouriques Neto (voz e percussão), Neno (ex-Siddartha) no baixo, João Carlos (ex-Eclipson) na guitarra e Sara e Fátima nos vocais.

A maioria das músicas era de Aldo, além de duas composições de João e Neno (“Raio da Manhã” e “Leila”, esta também de Aldo), que considero o melhor repertório já executado na Ilha.

Após uma apresentação no TAC, o grupo se dissolveu. Kachias e Umberto formam o Grupo Karroussel, para o qual também convidaram a mim e Aldo, mas já tínhamos outro projeto. Frequentei seus ensaios, nos moldes parecidos com os do Capuchon. Assisti ao único show do Karroussel no TAC, com o coração apertado, pois além de um repertório fantástico, com participação de Marcelo Muniz no piano, ainda exibiu slides com obras de Carlos Magno completando o cenário.

Maravilhoso!

Pena que gênios musicais como Cesar Maliska e Fernando Vieira (hoje respectivamente profissionais na área médica e odontológica) apesar de grandes amigos, não conseguiam compartilhar da mesma banda. Até hoje incluo algumas de suas composições em meus shows, como “Mudança” e “Ao Despertar dos Pássaros”.

Continuei por mais um tempo administrando o salão de festas do DCE, promovendo ensaios e pequenas apresentações de compositores locais, que preparavam ali suas canções para participar de festivais em outras cidades do Estado. (Na foto: Teatro Álvaro de Carvalho no final da década de 1970. Acervo 3D)

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