Arquivo de tag para 'Homem'

A Rua

15/07/12

João do Rio

A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para a frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopeia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues e todos os lugares comuns. (…) Para compreender a psicologia das ruas não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes – a arte de flanar. Leia mais…

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Farra: A batalha do boi contra os homens embriagados

8/04/12

Jaime Ambrósio *

O boi no meio dos homens. O boi medrado, constrangido, só. Os homens alcoolizados, berrantes e unidos. A Farra vai ser grande. Há cachaça e disposição para muitas horas. Encurralado o boi espuma, raivoso. Sabe que a batalha é difícil, sem mediadores, mas tentará ficar em pé, fugir. Não sabe para onde… Ali na meirinha, próximo ao mar, não há saída; de um lado uma multidão imprevisível, de outro as águas revoltas do mar grosso. - Intisica o boi! Intisica o boi! – grita o bacuri, filho menor de um dos pescadores. O pai, atiçado, bebe mais uns goles da boa pinga de alambique e dispara festeiro com um galho espinhado na mão. Une-se ao bando que corre atrás do animal cansado, que corre, a esmo. Leia mais…

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O pão do dia

22/02/12

O homem fecha o portão, dá alguns passos, para, confere a quantas anda a obra de um prédio em construção no lado oposto da rua, e segue em frente. Tem pouco a ver com os novos empreendimentos da redondeza, não frequenta lan houses, não é dado a sex shops, não manda roupas para a lavanderia, não vê qualquer serventia na loja de informática. No máximo, a padaria – e era o que estava fazendo naquela manhã. Saíra às 8h para comprar pão, companheiro de todas as jornadas, ele e a mulher, também lá pelos 65, sorvendo seu café e aquela massa arredondada e quentinha que substituiu os velhos pãezinhos de fubá tostados no forno a lenha. Leia mais…

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Barlavento (indo para o lugar de onde sopra o vento)

29/05/11

Quem é de fora, como se diz, que seja bem aparecido e não se aborreça se essas histórias de província lhe parecem de rasa importância. É bom que saiba, desde já, que é aqui, nesta pequena ilha do sul do mundo que o vento faz a curva e que, ainda que os homens de muito estudo expliquem porque as águas das duas baías se alternam em fúria ou calmaria conforme seja suli ou lestada a ventania, ninguém convence a gente por causo de que esse fenômeno acontece exatamente ali debaixo da Ponte Velha, nem mais pra cá, nem mais pra lá, lugar, aliás, de onde muito vivente já se jogou, desacorçoado da vida, que Deus os tenha. Leia mais…

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Coisas de mulher

15/11/09

Tenho ocupado este espaço semanalmente com os mais diversos assuntos e como nossa vinheta anuncia, aqui se fala do que pensam, falam e efetivamente fazem as mulheres… o tema desta edição está bem dentro do enunciado.Só espero que os amigos fiquem atentos aos detalhes e as amigas nem pensem em seguir o exemplo, isso é maldade e nem ex-marido merece. Ou como teria dito Luiz Fernando Verissimo em texto que lhe é atribuído: “Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós”.

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