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Era sábado

6/05/12

Não pode se esquecer de que era sábado, aquele dia. Curitiba… Vinte anos… Pra quê…? Não sabia quem foi que lhe ensinou o valor do trabalho e da honestidade, mas, amor, ninguém quis ensinar não! As coisas vão nascendo, vivendo, sumindo e morrendo, sem que a gente perceba. Tinha uma ternura imensa para distribuir e pouca gente queria. Olha: pensando bem e sendo honesto, ninguém quis. Entre insultos e agravos, a vida foi passando sem que pudesse se segurar no estribo sequer, como nos bondes que via quando já estavam morrendo.

Donato Ramos. Uma palavra de despedida, apenas. Florianópolis, 2011

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A mesma rua

22/04/12

A rua era a mesma. Só o pensamento continuou cada vez mais conturbado. Uma dor aguda que vinha não se sabia de onde, o fazia sofrer muito. - Ora, isso acontece! Dissera ela. Tentava convencer a si próprio. Em vão. A noite parecia rir do seu fracasso como homem, homem-macho. Os ônibus passavam e riam; o néon gritava, gritava em cores (quem disse que néon grita e gargalha…?) e gargalhava mensagem publicitária… Sentia sede. Náuseas. Vergonha. Vontade doida de morrer. Não conseguia pensar, nem saber aonde ir. Foi andando. Simplesmente. O frio não o incomodaria mais. Nunca mais. Nunca mais. - Ora, isso acontece! Mas deixe o quinhentão, porque eu não tenho culpa! Do livro: Uma palavra, apenas. Donato Ramos, 2011

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