Predestinado 8 (4)

28/07/08

Rogério Caldana assumiu em Santa Catarina e foi trazendo sua equipe lá dos pampas. Saí e fui para a Rádio União já então do meu amigo Carlos Alberto Ross, que até me convidara para comprar as Rádios Difusora e Cidade FM. Eu não quis colocar meus bens em risco. Golpe de sorte dele, pois dois dias depois do negócio foi decretado o Plano Cruzado congelando tudo e o Ross praticamente ganhou as duas rádios.
A compra da União foi outro golpe de sorte. Ele fez uma proposta bem menor do que a da RBS. Na hora de pagar o Nelson Sirotsky teria dito algo que o Pastor não gostou e, como bom alemão, retrucou: Não vamos quebrar em Blumenau e nem vamos vender para vocês! – Aí ligou para o Ross para saber se a proposta deste ainda era válida. Ross saiu correndo fazer empréstimos; deu um apartamento e acabou dono da CBN Vale do Itajaí.

Com o Carlos Alberto Ross lancei um jornal diário: Diário da Noite. Foi uma proposta diferente, com anunciantes mensais e distribuição gratuita do jornal. O jornal pegou e era aguardado ansiosamente nos finais de tarde. Mas quando fui para a Comunicação Social da Hering achei que não poderia continuar sendo dono do jornal e vendi minha parte para o Ross. Este, mais tarde, vendeu para o Alvir Renzi que transformou o Diário da Noite em Jornal da Noite.

Quando saí da RBS assumi a assessoria do Deputado Federal Renato de Mello Vianna em Blumenau. Acho que fizemos um bom trabalho, pois ele se elegeu novamente prefeito, em substituição a Vilson Kleinübing, que se elegeu governador do estado. Assumi novamente a chefia de gabinete do prefeito.

Quando Elke Hering ficou doente e queria se demitir da (Secretaria) da Cultura eu não deixei. Disse a ela que iria precisar de uma remuneração. Eu acumularia o gabinete e a Cultura. De manhã ia para o gabinete, à tarde para a Prefeitura Velha e ao anoitecer voltava para despachar no gabinete.

Quando a Elke faleceu acabei indo para a Cultura. A primeira coisa que decidi foi mudar o nome de Fundação Casa Dr. Blumenau para Fundação Cultural de Blumenau. A casa do Dr. Blumenau não existia e o nome nada dizia para quem era de fora. Foi uma decisão que originou polêmica. Entretanto, todos já aceitaram o novo nome.

Criamos o Salão Elke Hering que já se conceituou. Demos continuidade ao projeto Arte nos Bairros, cujas aulas de balé levaram pais de camiseta regata e sandálias de dedo ao vetusto Teatro Carlos Gomes para ver as filhas dançando e arrancaram copiosas lágrimas do prefeito.

Organizamos o Blujazz Festival e trouxemos nomes de grande projeção como Sivuca, Ermeto Pascoal e Tito Martino. Criamos a nova logomarca da fundação e a entregamos sem dívida. Vendo a espessura das paredes do porão julguei que seria de pedras de basalto e tijolos cozidos. Mandei tirar o reboco e não deu outra. Raspamos tudo e ficamos com um ambiente maravilhoso. Aí mandei começar a retirar, com muito cuidado, os tijolos sob os arcos romanos.

Beleza, pois não abalamos a estrutura. Assim criamos um espaço onde eu pretendia terceirizar e fazer uma adega, uma Weinstube. O Clube do Vinho tinha interesse e ali seriam servidos apenas queijos e vinhos, ao som de música própria e expondo obras de arte nas paredes.

No apagar das luzes a Câmara de Vereadores aprovou o meu pedido de terceirização. Não dava mais tempo para licitação e a idéia morreu na casca. Como ia deixar a presidência da Fundação Cultural de Blumenau precisava buscar algo para fazer. Meu filho e eu lançamos um jornal via internet. Um jornal de cunho econômico e gratuito.

Muitos ligaram para pedir que não mandássemos mais, pois estavam gastando muito papel de fax. Acho que era medo de uma possível cobrança de assinatura. Colocamos o jornal no canal de serviço da BTV, que era a operadora de televisão a cabo de Blumenau.

Foi aí que surgiu a idéia da TV Galega. Esta história fica para a próxima. 

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