Crédito à qualidade

23/07/08

Depois de alguns dias entregue ao depto. médico estou de volta na base do “saci pererê” subindo e descendo escada numa perna só, mas, comprometido demais com esse negócio chamado rádio. Acho que o chefe-mano deve estar até chateado pois nem deu retorno ao meu e-mail ou será que estaria curtindo as Bahamas. Quem sabe.

Quando você está do outro lado – só ouvindo – escutando sem interferências, a análise pode ser feita com a calma que o assunto merece. Falo do que se coloca no ar. Do que estamos ouvindo todos os dias nas emissoras de rádio do Brasil.

As freqüências

Aproveitei estes três últimos dias (de cama) para ouvir o rádio brasileiro nas ondas médias e curtas. Deixei de lado a internet por não ter acesso ou melhor, condições físicas para subir até o escritório/estúdio da minha casa que se localiza no terceiro andar. Nas Ondas Curtas de 25 metros captei poucas emissoras porque  nesta época do ano as propagações se espalham. Aquí em Curitiba onde resido captei a Guaíba, Gaúcha, Brasil Central, Nacional de Brasilia e Globo. Nos 31 metros a Rádio Aparecida e as emissoras evangélicas se identificam com potência no dial. A Bandeirantes lá pelas 14h30 sumiu, a Record estava bem até às 14h45 e desapareceu. Nos 49 metros deu para ouvir a Guaíba, Gaúcha, Aparecida, as evangélicas e ponto final. Lá pelas cinco da tarde começam a entrar as emissoras paulistas em AM, as que tem mais potência como Record, Globo, Capital, Tupi e de vez em quando sintonizava a CBN e a Bandeirantes. A Jovem Pan não sei o que ocorreu não pega mais em Curitiba nem de dia, nem de noite no AM. O grande Célio Romais (www.romais.jor.br) se aquí estivesse teria como explicar porque a coisa está desse jeito.

A qualidade

Deixando de lado a sintonia das emissoras, quero falar um pouco do que ouví em termos de programação esportiva nas rádios brasileiras. As gaúchas e paulistas com ótima qualidade técnica, grandes profissionais entre os quais destaco José Silvério, Paulo Roberto Martins, Juarez Soares, Milton Neves, Mauro Betting, Fábio Sormani, o grande Walter Abraão, Leandro Quesada, Wanderlei Ribeiro, o menininho (toma jeito Wandeco), Orestes Andrade, Luis Carlos Reche, Marco Antonio Pereira, Pedro Ernersto, José Aldo, Wianey, Rui Carlos Osterman e jovens surgindo para alegria de quem gosta de rádio. E a volta do rádio esportivo a realidade que o consagrou perante o grande público. Transmissões baseadas em relato do que acontece no momento, deixando-se de lado os “bordões” que viraram mania à partir da geração Osmar Santos. Já estava cansando na verdade a repetição por todos os cantos do país das frases que consagraram meu amigo “bodão”.

Surpresa

O que me chamou à atenção foi a falta de profissionais com “estilos próprios”. Não sou contra você imitar, se espelhar ou copiar o estilo de narradores, comentaristas ou repórteres. O que vejo é a falta de novos estilos. Criar um estilo próprio na narração esportiva por exemplo é coisa que parou no tempo e no espaço do rádio esportivo brasileiro.

É prá matar

O que está tirando a criatividade dos locutores e narradores esportivos deste país é a ausência nos estádios. Ainda ontem estava ouvindo o jogo do Corinthians em Fortaleza no Ceará e das emissoras que ouví ninguém mandou ninguém para o local do jogo. Todos ficaram “tubando” pela televisão. Esse comportamento talvez – essa é minha opinião – esteja tirando a criatividade dos locutores e narradores, que se limitam ao retângulo da telinha sem muita opção. Nas rádios de Curitiba há ainda um problema maior. Transmitem o jogo com a imagem da tv a cabo, quando o jogo é transmitido ao vivo pela Tevê aberta. A diferença é gritante. Já ví situações em que o locutor está chamando o comentarista ou lendo o texto de publicidade na hora do gol. Esse gol só aparece na tela da Tevê a cabo alguns segundos após já ser mostrado pela Tevê aberta. Embora eu particularmente seja contrário ao “off-tube” acho que quem assim procede deveria ter pelo menos a inteligência de fazê-lo com a imagem que o grande público está assistindo. E chega de dar opinião gratúita. É isso aí.

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1 Resposta para “Crédito à qualidade”


  1. 1 Paulo Antunes

    Caro Edemar Annuseck, estou preparando um trabalho sobre minhas memórias dos anos 60 e 70. Essas lembranças é sobre um narrador esportivo da Radio Tupi que ao narrrar um gol, era usado um efeito estereofônico (parecia um eco) que prolongava a voz dele. Não consigo lembrar o nome dele e o resultado era muito bonito, principalmente se o gol era do São Paulo, aí era mais emocionante!!!!!!. Gostaria de saber o nome dele para colocar nessa retrospectiva, e uma vez perguntei ao Milton Neves através de Email, mas o Milton diz que não sabe! Esse narrador não era da primeira linha da Rádio, ou seja não transmitia os clássicos, apenas os jogos de times grandes contra os chamados times pequenos!Por favor se souber ou conhecer alguém que se lembre desse locutor, favor informar-me!
    paulinhotopografo@ibest.com.br

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