Os primórdios da propaganda no rádio brasileiro

26/06/08

No início da década de 1930, as 29 emissoras do Brasil transmitiam óperas, músicas populares e textos instrutivos. Para solucionar as dificuldades financeiras que o rádio atravessava, o governo brasileiro autorizou a veiculação de anúncios. Neste mesmo ano, vai ao ar o primeiro jingle publicitário.
 

A partir daí, o Brasil adota o modelo de radiodifusão norte-americano e distribui concessões a particulares. Os aparelhos receptores de rádio ficam mais baratos e a audiência aumenta. Começa a fase comercial do rádio.

O maior concorrente publicitário do rádio era o jornal, que não tinha um bom resultado com a venda de anúncios, pois os exemplares eram sem arte e sem nenhum atrativo. A publicidade começa a despontar de verdade a partir do rádio. Em 1941, as empresas norte-americanas começam a investir no Brasil passando a divulgar aqui o seu estilo de vida e costumes. Os anunciantes estrangeiros chegam a influenciar na programação, criando seus próprios programas. O rádio vive a sua melhor fase, a chamada fase de ouro do rádio.

Em 1944 é criada a Associação Brasileira de Rádio (ABR) e em setembro de 1945 é regulamentada a profissão de radialista.
Tudo ia muito bem para os profissionais do rádio, até que, a partir da década de 1950, o meio perde espaço para a TV, que monta sua programação baseada nos moldes do rádio. Enquanto muitos acreditavam que era o seu fim, devido ao grande impacto que sofreu, ele sobreviveu e remodelou-se. O rádio se popularizou, diminuindo as radionovelas e programas de auditório e aumentando a quantidade de música. 

Em 1955, quando já existiam 477 emissoras de rádio espalhadas pelo país e quase meio milhão de aparelhos receptores, surgem as primeiras emissoras de freqüência modulada, as FMs. A primeira FM do país foi a Rádio Imprensa do Rio de Janeiro. Anos mais tarde, a Transamérica inova como a primeira rede de rádios FMs via satélite. 

Em 1970 as emissoras FMs passam a adotar uma linha de produção, administração e programação baseada na importação de modelos norte-americanos, mais voltada aos jovens de classe média urbana, com humor, sátiras e brincadeiras dos locutores. Este estilo descontraído de programação foi utilizado pela primeira vez na Rádio Cidade do Rio de Janeiro. 

Eram assim as rádios transmitidas em FM até então: com muita música, muita repetição e estilo de falar norte-americano. Não interessavam mais os vozeirões dos locutores, os DJs (Disc Jockey) comandavam a programação. 

A Bandeirantes FM, hoje Band, mudou as características das rádios FMs no Brasil, sendo a pioneira a executar músicas populares, canções mais velhas e um estilo mais caipira. Como a Bandeirantes não podia competir em igualdade de condições com as outras grandes rádios do país, por causa da baixa potência, decidiu optar por um público diferenciado, segmentando a sua programação para o formato popular. Com o início da segmentação, a freqüência de FM virou a grande mania nacional. A partir da década de 1980, oitenta % das verbas publicitárias destinadas às rádios iam para as FMs.

Com a chegada da rádio digital no Brasil esse cenário pode mudar muito. Falaremos sobre isso em breve.
 

 *O autor é publicitário, especialista em Rádio e TV, autor do livro “Você Nunca Ouviu Nada Igual”. Blog: http://vocenuncaouviunadaigual.blogspot.com

2 Respostas para “Os primórdios da propaganda no rádio brasileiro”


  1. 1 Jose Carlos Carvalho

    Caro Sr. Watson Zucco Weber, Boa Tarde !

    Como apaixonato por este veículo chamado rádio, desde minha infância, quando ouvia no rádio vitrola de meu pai , era um móvel grande de valvulas e a mudança de estações era com botão que movia com uma cordinha interna, que as vezes arrebetava, neste mesmo aparelho estava acoplado um dica disco, com direito a colcoar até 8 discos em seu eixo.
    isso aconteceu pelo ano de 1958, por influência de meu avô e meu pai e fique intrigado e ao mesmo tempo apaixonado pelo veículo rádio .
    Era fã incondicional de uma emissora que já não existe no dial ( RÁDIO TUPI DE SÃO PAULO – 1040 Khz) com o saudozo Corifeu de Azevedo Marques do Jornal Falado Tupi , e quando mais jovem pela sua co-irmã (RÁDIO DIFUSORA -SP – 960 kHZ) a modelo das Fms atuais , todas AM’s, e de propriedade dos Diarios Associados.
    Quando feclou ambas , já mais maduro , fiquei apaixonado pela emissora do segmento jornalistiocos, é fiquei fã da JOVEM PAN -SP – 620 Khs. com o ícone do jornalismo : Fernando Viera de Mello, (tambem já falecido), Hoje ouço muito este segmento de rádio (jornalismo e esporte) e Fms ( com segmento de musica estilo flash back e adulta). Mais sou muto mais o rádio que qualquer outro veículo de comunicação, pois é apaixonante, imediato , criativo, imaginativo e acima de tudo atual.
    Gostaria de saber o prêço de teu livro, para saber de cabe em meu orçamento para adqueri-lo , pois tenho 3 filhos cursando faculade (2 na USP e um na faculdade particular e todos longe de minha cidade isto espreme meu orçamento mensal.
    Grato e Parabéns pelo Livro !

    JOSE CARLOS CARVALHO
    I T U – SP

  2. 2 Watson

    José Carlos, o livro custa só R$ 20,00. Compre pelo meu blog: http://vocenuncaouviunadaigual.blogspot.com/

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