Henrique Foréis Domingues, cantor, compositor, produtor de programas de rádio. O nome, citado assim, não recorda muita coisa. Mas se falarmos no seu “nome de guerra”, aí muitos vão lembrar dele, pelo menos os mais velhos: ALMIRANTE !
Almirante nasceu no dia 19 de fevereiro de 1908 no Rio de Janeiro. E morreu no mesmo Rio, em 22 de dezembro de 1980.
Tão famoso era que lá pelos idos de 30, 40 e 50 ficou conhecido como “a maior patente do rádio”, numa época em que Carmem Miranda tinha o apelido de “A Pequena Notável”.
César Ladeira, radialista de sucesso, cunhava com estes cognomes os mais famosos artistas do rádio e do disco.
Em 1928 o ainda desconhecido Henrique começou a cantar e tocar pandeiro em um grupo musical que fez muito sucesso no carnaval de 1930.
Participou por essa época de filmes como “Alô, Alô Carnaval” e “Banana da Terra”.
Iniciou sua carreira de radialista em 1938 e entre os vários programas que produziu, um deles marcou muito minha infância: “Incrível, Fantástico, Extraordinário.
Era um programa semanal levado ao ar pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro e que contava histórias fantásticas enviadas pelos ouvintes e narradas por Almirante.
Eu, lá pelos meus sete anos de idade, rádio ao lado da cama, me cobria com a coberta para ficar livre do cachorro preto, de olhos vermelhos e faiscantes, que atacava quem passasse pela encruzilhada na sexta-feira à meia-noite…
O primeiro programa foi ao ar no dia 21 de outubro de 1947, com as seguintes histórias: A Aranha, O Comandante, Saci Pererê , e O Baile. Almirante jurava que as histórias eram verdadeiras e isto na época causou muita polêmica na imprensa.
Também, pudera ! Vejam outros títulos das histórias:
O cadáver que se levantou da cama e pediu um café, A locomotiva fantasma, a Santa Cruz na encruzilhada fantasma, O endiabrado Saci da picada Madalena, O padre da meia-noite, A corajosa mulher que enfrentou o fantasma, O homem que viu o seu próprio enterro.
Eram três a quatro histórias por programa e a crendice popular dos brasileiros estimulava cada um a contar seu “causo”, que era então radiofonizado e transmitido para todo o país através das ondas curtas e médias da Rádio Tupi carioca. E o mais incrível disso tudo era a ginástica de realizar o programa ao vivo : a sonoplastia (efeitos sonoros), a orquestra no estúdio tocando arranjos especiais, tudo era feito na hora para cada caso que Almirante narrava.
Talvez por tudo isso, tenha permanecido até hoje na memória de tantos ouvintes.
Ao contrário da televisão, em que os primeiros programas se perderam, até pela ineficiência de registros em tape, no rádio muita coisa foi preservada, graças ao acetato. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro mantém um excelente arquivo dos seus programas.
De Almirante e seu inesquecível “Incrível, Fantástico, Extraordinário, programa da Tupi, felizmente existem preservadas 13 matrizes de acetato com 26 programas contendo mais de 100 histórias fantásticas, cujo acervo pertence a uma empresa especializada, a Collector’s Stúdios de Restauração, sediada em Teresópolis, no Estado do Rio.

Lembro-me de Almirante e seu “Incrível, Fantástico, Extraordinário”. Não sabia que foram tantos programaz, mas lembro-me dos tempos de criança desse programa interessante e um pouco assustador.
O “Incrível, fantástico, extraordinário”, narrava histórias de terror com tal intensidade, que meu pai relutava em que eu ficasse ao lado para ouvi-las, sabedor que era do grande medo que me acompanharia, exigindo até que minha mãe ficasse comigo no quarto até eu dormir! Meu pai não perdia um programa; eu, ao lado, com meus 8 anos, arrepiava os cabelos de medo, mas agüentava até o fim!
Olá,
achei seu post muito interessante,gostaria de saber se você possui o programa (o Almirante) seja em vídeo ou audio.Se o possuir envie uma resposta para meu e-mail ou o link se possivel.
Agradeço desde já a atençao.
Coletânea em áudio e dois livros podem ser baixados em http://cheguavira.blogspot.com/
Em 7 partes.
Olha, eu era criança e esse programa me apavorava de verdade! Lembro até hoje de um episódio sobre uma pessoa ter ido ao enterro de um parente ou amigo e, devido à morte deste, chorar muito. Determinada hora da noite a pessoa ouviu a voz do morto falar pra ela não chorar mais, porém, como continuasse a chorar, levou uma bofetada do além, ficando os cinco dedos marcados em sua face!
Sinistro!!!!!