História de Blumenau 21

21/06/08

Tomamos conhecimento no final do capítulo anterior como o Dr. Blumenau iniciou o seu Segundo Relatório. E aqui é preciso um esclarecimento. Como já deve ter sido possível perceber, a linguagem e o rítmo desta narrativa sofreram alteração. E assim será por algum tempo.

Acontece que, em se tratando de fidelidade ao texto original, uma necessidade ética para com a história exige que transcreva as palavras do Dr. Blumenau tal como ele as usou. E isto, é claro, interfere tanto no estilo quanto na condução das idéias na linguagem falada. A elaboração do raciocínio é naturalmente diferente, como diferentes são as épocas correspondentes ao linguajar, acrescido do fato do seu autor vir de outra vertente cultural. Finalmente, o que ele escreveu era para ser lido. E este texto é para ser escutado.

Pois bem, seguimos a narrativa do colonizador. “Desde o início os meus trabalhos com a mesma (aqui ele se refere à colônia)  progrediram lenta, porém regularmente, por falta de maior número de trabalhadores; fiz grandes roçadas e picadas; medi terras e preparei um edifício bastante grande para o abrigo dos colonos. Estando ainda ocupado com estes trabalhos, que conforme a sua natureza se devem sempre de novo principiar e acabar, todavia em poucos dias cinqüenta sortes de terras foram medidas e demarcadas, o mencionado edifício pronto para abrigar oitenta até cem pessoas, os roçados queimados quando houver tempo próprio e seco, e tudo será pronto, inclusive o arranjo dos mantimentos necessários para eu poder receber maior número de colonos”.

Vale repetir, aqui, o domínio que o colonizador tinha do português. Tanto falava quanto escrevia de maneira a ser perfeitamente compreendido. Isso impressionava aos seus compatriotas e o tornava admirado junto aos trabalhadores contratados entre os brasileiros. Era parte de uma personalidade com características de liderança bem definidas.

No próximo capítulo: Dr. Blumenau reclama do desvio de colonos.

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