Mais de um mês após a chegada de minha famÃlia e de alugarmos casa para morar, um colega da emissora falou em Registro de DomicÃlio. Eu não sabia o que era e ele se apavorou. Na DW não falaram nada e não me registrei. Já estava completamente ilegal.
Fomos à PolÃcia dos Estrangeiros e eles perguntaram pelo Visto de Trabalho. Falei para o meu companheiro e meu intérprete que o Cônsul Paulo Koch dissera que seria muito demorado e como a emissora tinha interesse no meu trabalho que eu fosse que eles dariam um jeito. Eu não acredito, disse grosseiramente o policial. Meteu um carimbo no meu passaporte dando 15 dias para deixar a República Federal da Alemanha, inclusive Berlim Ocidental.
Eu voltaria pior do que um marimbondo e falaria tão mal da Alemanha que eles levariam 1.000 anos para desfazer o mal entendido. A seção brasileira então mandou um telegrama para o cônsul, homem de personalidade, que confirmou o que eu declarara e disse que após 40 anos no Brasil já estava acostumado com a mentalidade mais maleável das autoridades brasileiras. Não demorou muito e nomearam outro cônsul. Não sei se foi por minha causa.
Contratamos uma professora de alemão e aà fomos dominando o difÃcil idioma germânico. Por fim acabei tradutor. Eu escrevia para o Correio da Manhã e tive a oportunidade de fazer uma reportagem para o jornal sobre a televisão a cores que seria inaugurada e pelo processo PAL, que eles desenvolveram.
Tive o privilégio de ir ao show que iniciou as transmissões coloridas. Recentemente mostraram o show inaugural e minha filha que mora em Berlim telefonou para dizer que ficou emocionada ao ver o pai e a mãe naquele evento que teve como ponto máximo a apresentação de Mahalia Jackson. Depois que o Correio da Manhã fechou, forçado pela ditadura militar, tornei-me correspondente da Folha de São Paulo. Fiz algumas matérias que provocaram grande celeuma.
Oswaldo Peralva, baiano, diretor do Correio da Manhã, trocado pelo Embaixador Elbrinck, mais tarde trabalhou comigo na Deutsche Welle. Assim também o Arthur Poerner e o João Marschner. Meu maior amigo na Alemanha, hoje meu compadre, Carlos Struwe, era correspondente da Veja e de outras revistas da Abril.
Quando a Deutsche Welle resolveu fazer um programa diretamente dos aeroportos alemães e europeus fui convidado para produzir a versão brasileira. Assim tive a oportunidade de conhecer algumas cidades interessantes, como Palma de Mallorca, por exemplo. Em 1974 vim ao Brasil com Werner Bader, chefe do programa alemão, e Werner Franke, chefe do programa brasileiro, para os festejos do Sesquicentenário da Imigração Alemã, no Rio Grande do Sul.
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Antunes Severo/Blog
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