Voz íntima a todos os brasileiros

20/06/12

Se alguém o chamasse de “a voz das Casas Bahia” não estaria exagerando. O locutor Bob Floriano, dono de uma voz grave e das mais renomadas no mercado publicitário, trabalha para a rede varejista há 12 anos — nesse período, gravou nada menos do que 80 mil comerciais para o anunciante. Além disso, desde setembro do ano passado, ele também atua como presidente do Clube da Voz, entidade que completa 20 anos em 2012 e reúne os melhores profissionais de locução em atividade. Este ano, Floriano colocou no ar a Rádio Clube da Voz, transmitida via internet que tem como objetivo informar o mercado publicitário sobre o que acontece no setor, sempre de forma descontraída. Ele ainda lidera um projeto para anunciar a categoria em cinemas do Brasil, assim como tem dado palestras em faculdades de publicidade para que os “futuros contratantes” conheçam o serviço da locução profissional e reconheçam sua importância. 

Sua carreira começou na década de 80, na Rádio Cidade, de São Paulo, montada por uma de suas referências profissionais: Carlos Towsend, criador das rádios FM no Brasil. Outros nomes admirados são Luiz Fernando Magliocca e Fernando Vieira de Mello, a quem Floriano não poupa elogios: “Tive a felicidade de trabalhar com ele, o mestre que criou o que há de radiojornalismo no Brasil”, avalia. Floriano também esteve no programa Fala Brasil, da Record, que, segundo ele, mudou até o padrão de telejornalismo da líder Rede Globo. Outra parceria de longa duração é com o canal pago E! Entertainment, de quem Bob é a voz também há 12 anos, além de atuar como “voz-padrão” de rádios em Brasília e em João Pessoa. No âmbito da publicidade, outra marca famosa atendida atualmente é a Fiat. Mas a lista de nomes que já passaram pela voz de Floriano inclui anunciantes como Grupo Pão de Açúcar, Bayer, Ford, Varig, Santander, Porsche, O Boticário, Unibanco, Avon, TAM, Porto Seguro, Casas André Luiz e Petrobras.

Foi-se o tempo em que a gravação de um comercial contava com a presença de profissionais da agência e do anunciante. Hoje, em um home estúdio, Floriano grava de 20 a 30 comerciais por dia, sozinho. De acordo com ele, porque já passou por muito tempo de aprendizado com os mestres citados e aprendeu a caminhar com as próprias pernas — no caso, a definir sozinho a melhor entonação. Os únicos cuidados com seu instrumento de trabalho são não fumar nem gritar e evitar exposição demais a locais com ar-condicionado. Para quem está ingressando na carreira, Floriano recomenda “praticar, praticar, praticar”. Além disso, é crítico do imediatismo da geração Y e de quem trabalha “por qualquer R$ 50”. Profissional consagrado, seu desejo é continuar atuando na área, ainda que em novos segmentos como o de treinamento e palestras para empresas e executivos, ajudando-os em seus processos de comunicação internos e externos. Floriano defende que a locução profissional ainda tem muito de crescer no Brasil e deve lutar para se manter. Mas marcar território é fundamental: “Galo que não canta vai para a panela! A gente se faz presente o tempo todo; é preciso mostrar que seu trabalho é importante e dá resultado.” (M&M)

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