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Sou santista, paulista, / Brasileiro por inteiro! / As primeiras letras? / As aprendi com meu pai, antes mesmo da escola. / Pois, ele e minha mãe, apesar do pouco estudo, / Desde muito cedo souberam ensinar / Que o que torna um ser humano melhor / Não é o que aparenta, / Mas seu conteúdo! // E assim, tornado aprendiz – / E o serei pela vida inteira -, / Primeiro estudei no Cesário, Depois, no Primo Ferreira. // Meu pai, já sabendo que eu ia gostar, / Propôs um acordo, para me incentivar: / Que notas acima dos noventa pontos, / Dariam um livro de história ou de contos.
E eu estudava,
Não só para aprender.
Talvez, até mais,
Pelo prazer de ler.
Depois,
Já pensando em galgar profissões,
No Escolástica Rosa
Cursei Edificações.
Eram aulas, de noite, e trabalho, de dia!
Então com quinze anos,
Eu já tinha noção de valia!
Também já aprendera
Que tudo, na vida,
Se aprende com estudo, paixão e na lida.
E assim, desde cedo -
Saber não tem idade! -
Eu já tinha um sonho:
A Universidade!
Quis ser engenheiro: homem da ciência,
Artesão dos números; do progresso, mentor;
Construtor de sonhos,
E, que não se creia ser falsa esta rima:
Mister em que problemas são matéria-prima.
Eu quis saber mais,
Pois saber nunca cansa,
E uma bolsa de estudos
Levou-me até a França!
Pátria de Dumas, Molière, Victor Hugo…
Que nunca, em sua história, aceitou canga ou jugo.
Onde ciência, lógica e erudição
Estão logo ali, ao alcance da mão!
Ali percebi que saber não tem pátria,
Nem dono ou limite para quem o buscar.
Também entendi que não basta leitura,
Que é tolo gabar-se de vasta cultura;
Que o esnobe e arrogante,
Ao crer que tudo sabe,
É como uma porta, que nunca se abre.
Tolhendo andares, fechando caminhos,
Por puro egoísmo, vanglória ou pudor,
Esquecendo a grandeza que há na humildade,
De saber-se apenas um “átomo”, num átimo da história da humanidade!
E de tanto escrever o que via e antevia,
Contando passagens, notícias e eventos,
Notei, sem querer, que a tinta e o papel,
São mais do que frutos do humano saber:
São espelhos da mente, que permitem ver
O pensar e o sentir de cada humano ser.
Da terra da liberdade, fraternidade e igualdade,
Voltei ao Brasil e à minha cidade -
Que ensinou, à Pátria, a caridade e a liberdade -,
Pois já não continha, em meu peito, a saudade.
E assim ampliados os meus horizontes,
Também procurei superar meus limites.
Eu, antes, recluso, pela timidez,
Passei a expressar, pela voz, pela escrita,
Os meus pensamentos, anseios, lamentos.
Também descobri que o saber tem suas sedes,
Que não se contenta entre quatro paredes;
Que a erudição e a cultura são boas,
Só quando nos tornam melhores pessoas;
Só quando aproximam quem era distante;
Só quando abrigam quem era errante;
Só quando, enfim, nos permitem entender,
Que quanto mais sabemos, mais temos a aprender;
Que cultura e ciência só encontram valia,
Quando impregnadas de sabedoria!
Eu pouco sabia, da minha ciência,
Mas, sempre disposto a me aprimorar,
Além estudar, aprender, labutar,
Também resolvi começar a ensinar.
E quanto a escrever?
Pura contingência, querer expressar
A simples vivência de meu caminhar
Ou a infindável premência de compartilhar
O vento das ideias e água do navegar.
Então, escrever, de simples devaneio,
Tornou-se meu bálsamo, láudano, esteio.
Engenheiro, dos números, escravo e senhor,
Das letras virei voraz torturador!
Mas, elas me entendem e, quem sabe, perdoam
A pressa e os erros por não revisar,
Pois sabem o quão sou sincero e não minto.
Só sei escrever o que creio e o que sinto!
E se escrevo ligeiro é para conciliar
Trabalhos, estudos e as coisas do lar.
Meus artigos, crônicas, poesias e contos
Encontraram eco em revistas, jornais,
Que os publicaram em vários estados,
Cidades distantes e meios locais.
Prêmios?
Alguns mereceram,
O que muito me honrou,
Mas não me deixaram perder a noção
De que escrevo por força de pura paixão!
Ainda que permeada por minha inevitável razão.
Livros?
“Sobre Almas e Pilhas” foi o meu primeiro.
Impresso ele foi, pela mão de terceiro.
Depois, decidi que não seria mau,
Também publicá-lo em meio digital.
Pois tempos modernos, agora vivemos,
O mundo é de fato e, também, virtual.
E lá estão os jovens de qualquer idade!
E como já diz a antiga canção -
Sobre uma verdade que, como poucas, há:
Entendi que a obra, ao escritor compete
Espalhar pelo prelo e, também, na internet,
Para ir sem limites, onde o povo está!
Publiquei, desde então,
O segundo e o terceiro.
“Dest’Arte” fiquei sem noção do destino.
Nem “Claras Visões” me ocupei de o saber.
Pois tudo o que escrevo é repente, é momento!
São partos que partem, lançados ao vento!
Perdoem-me os versos de rima tão pobre,
Pior, que ainda ousam um tom de epopeia,
E tem como enfoque, proposta, ideia,
Que ao fim da leitura, por sorte, ainda sobre,
A um simples obreiro de letras e pontes,
A honra de adentrar ao solo sagrado da Casa de Martins Fontes!
Nestes termos,
Pede deferimento.
* Requerimento encaminhado à Academia Santista de Letras, “Casa de Martins Fontes”, em 2011.
Adilson Luiz Gonçalves
Eleito para a Academia Santista de Letras (Posse em 04/05/2012)
Mestre em Educação | Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor | Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento) |
Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: algbr@ig.com.br e prof_adilson_luiz@yahoo.com.br | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59 | (13) 97723538 | Santos – SP

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Antunes Severo/Blog
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