Tudo deveria ter sido escrito, quando, ele não lembra. Naquela época, ainda não acreditava que, um dia pudesse se tornar póstumo. Ilusões que carregaram infinidades de ilusões pela vida a fora. Hoje, retrospectivamente, vai revivendo lembranças em cada escrito, à procura de alguma coisa que pudesse soçobrar à tanta angústia e incertezas de uma vida praticamente inútil. Buscando na memória pontos importantes, vai encontrando fatos que não são esquecidos facilmente e que pesarosamente, robustecem a opinião de que tudo está falido. A realidade é clara: depois de a tudo tentar esquecer – os vexames, as malquerenças, os descasos e tudo o mais – ao final dessa estrada poeirenta e fétida, ele chega com o semblante cansado, com sinais de loucura antiga, ninguém ao lado, apenas com frases desconcertantes a bailar, a gargalhar doida e doridamente em sua mente.
Não pense que tudo aconteceu porque o amor acabou. Longe disso, a realidade. O que aconteceu foi que ele, o amor nunca existiu de verdade…!
Um casamento equilibrado em bases falsas, cujos alicerces de areia ruíram fragorosamente. A luta a dois nunca existiu. As alegrias e tristezas nunca entendidas jamais foram divididas. As desilusões, com as quais o casal não contava, vieram – como vêm para todos.
Nos compreensíveis “cipoais da perturbação mental”, como que petrificados, os mais lindos sonhos se foram enovelando, até formar uma massa disforme.
Os sonhos, com essas características, tornaram-se pesadelos que por força de uma sociedade mórbida, teriam de ser suportados de qualquer forma e sob quaisquer aspectos. E o foram. Desmedidamente foram.
Companheiros e parentes que supunha estandartes vivos – da verdade em seus caminhos – renderam-se a atitudes incompreensíveis de silêncio eterno.
Às primeiras dificuldades, ficou só.
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Acaert Notícias
Antunes Severo/Blog
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