Eles juraram que na escola não haveria mais festa julina, nem agostina, nem setembrina. Admitiam algum evento, alguma confraternização, em respeito aos alunos, mas nada a ver com arrecadação de fundos para comprar café e papel higiênico, reformar janelas emperradas e trocar dobradiças comidas pela ferrugem. Com eles, era assim. Radicalizou de um lado, eles também radicalizariam. Antes, quando faltava dinheiro para o xerox, pedia-se aos pais para mandarem algumas moedinhas. Agora, vai ser tudo no quadro negro. Até o jurássico mimeógrafo será aposentado por falta de álcool.
Rifas, bingos e festinhas para levantar uma verbinha aqui, outra ali, tão comuns até então, foram riscados do mapa. O governo que mandasse dinheiro para consertar os vidros quebrados pelo estilingue dos moleques, nos fins de semana sem vigilância!
Em setembro, os professores também cumpririam o dever cívico de desfilar, mas vestiriam a camiseta com a lista dos deputados que aprovaram a lei do novo piso salarial, implodindo o plano de carreira da categoria. Eles também deverão ser lembrados, na eleição do ano que vem, como aqueles que votaram contra os mestres, levando em conta apenas os interesses do governo.
Mais adiante, alertas, os professores poderão retomar a greve caso o compromisso assumido pelo governador não seja cumprido. Ou seja, acabou a lua de mel, o empenho em se aperfeiçoar, em buscar a educação continuada de que tanto se fala. Para quê? Se isso já não conta, do ponto de vista da atualização, do aprimoramento pedagógico e da progressão funcional, danem-se a especialização e os cursinhos da Secretaria da Educação!
Por ora, o que mais chama a atenção é essa disposição bélica, esse ânimo para o confronto dentro do cenário possível, ou seja, o próprio colégio. Morreu o espírito colaborativo, foram-se os mutirões, ficaram para trás as festinhas que arrecadavam dois ou três mil reais, como todo mundo arregaçando as mangas, fazendo quentão e bolo de fubá, para os gastos que o governo não cobre. Nada a ver com decisão do sindicato, cuja luta é política, ideológica, conceitual, talvez partidária. Eles vão brigar no “chão de fábrica” que é o pátio da escola!
A guerra está armada, pronta para começar. Agora, é esperar para ver como se darão as batalhas, as escaramuças, os avanços e recuos de cada lado. Só uma coisa é certa: cessar fogo, só quando o que foi acordado entre os dois comandos estiver cumprido e devidamente pago, como está no papel, com o carimbo que dá validade a tudo.
Compartilhar

Acaert Notícias
Antunes Severo/Blog
0 Respostas para “Sem tréguas”
Deixe sua resposta