Na Curitiba de antigamente, surgiam muitos tipos populares que ficavam conhecidos na cidade. Alguns eram dóceis, outros mais agitados, criando até situações difíceis para quem passava perto deles. Alguns eram tipos populares de bairros, outros do centro da cidade. Eu morava na Rua Nunes Machado, em frente a Praça Ouvidor Pardinho. No meu bairro transitavam diversos desses tipos inesquecíveis. Eu lembro do negro Bate-Bate que passava batendo as palmas das mãos. Era inofensivo, mas assustava a criançada.
Tinha também o Maneco Sabão, membro de excelente família e que às vezes ia além da conta ao beber cachaça com capilé. Havia o Barbacuá que não gostava de assim ser chamado, e quando a gurizada o provocava dizia um monte de impropérios. Lá no centro da cidade circulava, entre outros, a conhecidíssima Maria do Cavaquinho. Ela sempre levava consigo o velho instrumento, cordas frouxas, das quais saiam sons desafinados e irritantes. Dela as pessoas tinham medo porque, vês ou outra, ela perdia o controle e soltava xingamentos. Eu lembro dela, baixinha, pouco riso. Confesso que, por precaução, eu não chegava perto dela. Ela estava sempre em frente do Café Alvorada, o “Alvoradinha da Oliveira Belo”, como ficou conhecido. Ela foi um dos mais conhecidos tipos populares de Curitiba. Este nosso Papo Livre transmitido pela Rádio AM 630 – É Paraná, aos domingos, das 7 às 8 da manhã, é reproduzido no site da bela cidade de Florianópolis www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo.
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Antunes Severo/Blog
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