Decidiu passar o Carnaval na serra, mas se arrependeu. As mulheres da famÃlia se queixaram do frio (o quê, em março?), reclamaram do sinal da tevê que lhes impedia de ver o big bosta, e não gostaram da calmaria, que pouco tinha a ver com o espÃrito momesco. Comeu bem, bebeu melhor ainda, porque os vinhos da região são promissores, mas boa mesmo, recorda, foi a folia do ano passado, em Garopaba, onde a fauna era diversificada e as companhias, mais descoladas.
Todo ano é esse dilema, onde se esconder do batuque, onde encontrar tempo para os livros acumulados em meses de preguiça e folgas escassas. O problema não é só o dinheiro contado, é encontrar o lugar ideal, porque a turma sempre bota defeito. Pode ser a melhor pousada, a praia mais aprazÃvel, um monte de mordomias, que lá vem a crÃtica, a aporrinhação, a pequenez de quem nunca se dá por satisfeito.
Este ano, se incomodou porque bateram no seu carro. Um vizinho cheio de si se esqueceu de olhar pra trás e amassou a lataria do Escort, que já não era lá essas coisas. À noite, teve de agüentar as xingações aos personagens da novela, aquela vaca, aquele cafajeste, o bonitinho tanso, a megera indomada.
E o que dizer da apresentadora que teve gêmeos e virou tema de reportagem?
PeraÃ, pensou entre um gole de cerveja e outro, desde quando apresentador de tevê é gente?
No rescaldo, vieram os papos de antanho, as maledicências, a falação, o fantasma do Fernando Henrique, as viúvas do Paulo Afonso, os fãs de Kleinübing e suas cachaçadas. E os que sempre votaram no Amin, e os que ainda se iludem com o PMDB, e os doidos que lamentam a derrota de José Serra. E, acreditem, ainda sobrou tempo para a manifestação dos que defendem Fernando Collor e a veia democrática do Figueiredo – aquele mesmo que apanhou no Senadinho.
Bom, Carnaval é assim mesmo, uns se soltam, outros entram em depressão, e há quem continue a importunar a vida alheia. Aà é que se vê quem é quem, os preconceitos, as idéias fixas e, de vez em quando, uma palavra inteligente, uma ideia luminosa, uma consideração menos estapafúrdia.
Para o ano que vem, pensa em ir para a Groenlândia. Se não der, como é de prever, talvez seja o caso de escolher Machu Pichu, ou Ciudad de Leste, ou Rio dos Cedros – onde, dizem, dá para pescar lambaris por um precinho camarada.
Outra opção é alugar uma casinha na Gamboa, com a mesma turma, mas aà haja paciência com as filas na 101! A única certeza é que os velhos papos vão se retomados, porque de ideias prontas o mundo está entupido.
O autor escreve as terças-feiras no ND (http://www.clickric.com.br/ric.com/jornal.asp)
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Acaert NotÃcias
Antunes Severo/Blog
adorei Paulo. é isso. nem na groenlândia será diferente. muda o mundo, não mudam as pessoas e nem as criaturas. e o que é pior: o carnaval se insere no tempo cÃclico. um abraço e até o ano que vem!