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Para fechar esta série sobre os sambas-enredo 2011 das cinco escolas de samba da capital – Consulado do Samba, Unidos da Coloninha, União da Ilha da Magia, Protegidos da Princesa – chegou a vez da atual campeã do carnaval de Floripa, a Embaixada Copalord. Fundada em 1955, a segunda mais antiga escola de samba da cidade tem como orgulho a força e o canto de sua comunidade – localizada entre o Morro da Caixa e Mont Serrat, no centro da capital – e o fato de ser a escola que mais vezes venceu nesta década, com cinco títulos e três vice-campeonatos, quesitos suficientes para gabaritá-la como uma candidata ao título. Numa grosseira comparação, poderíamos identificá-la como a “Beija-Flor de Florianópolis”.
Para este ano, a Copalord trouxe como tema “Enfim… Há mãos e mãos! As tuas, quais são?”, de autoria dos também compositores Celinho do Copalord e Edu Aguiar. O tema é uma viagem pelo universo de significados que têm as mãos como objeto simbólico. Nas palavras dos autores: “Assim, aparecem as mais diversas simbologias e significados à presença das mãos nesses dois universos: um ligado aos mundos dos deuses e outro ligado ao mundo dos homens”.
O universo criado pelas mãos de Deus, as mãos como forma de sustento, ferramenta vital para artistas das mais variadas vertentes, além do poder de construir e destruir nas mãos do homem são algumas das facetas a serem explorados pelo carnavalesco Ley Vaz.
No embalo de uma conjuntura mística, o samba-enredo, composto por Celinho da Copa Lord, Wagner Segura, Edu Aguiar e Tom Tom, procura transmitir esse clima de mistério para o âmbito musical. O tom menor dominante em toda a obra já anuncia para essa tendência. Uma mistura curiosa ocorre entre o emprego de uma letra absolutamente objetiva com a exploração de desenhos melódicos ricos, que proporcionam um mergulho pela obra. Interessante também a pouca preocupação em tornar a obra explosiva, com refrões de fácil apelo e empolgados. Diferente de propostas anteriores onde essa necessidade aparece, aqui vemos uma composição de certa forma bastante linear, sem altos e baixos, mas com belas soluções harmônicas e melódicas que casam perfeitamente com a letra (mãos que encantam, mãos de magia/ sustentam sonhos e fantasias).
Claramente mais introspectiva e pesada, a obra, também neste aspecto, nos lembra o caráter dos sambas da Beija-Flor de Nilópolis desta década, onde obras mais encorpadas ganharam espaço frente a tantos sambas leves e explosivos, resultando em êxito, na maioria das vezes. Há, de fato, uma estética musical sendo mantida na escola, sobretudo pelo fato de não haver concursos de sambas-enredo na escola, onde um mesmo grupo de talentosos compositores e instrumentistas da agremiação tem a importante missão de conferir voz ao universo plástico do desfile. Será esse mais um ano de êxito para a Copalord? Resta-nos muito pouco tempo para termos essa pergunta respondida.
Neste sábado de carnaval, mais uma vez, as escolas de samba de Florianópolis pisarão na avenida para mostrar o vertiginoso crescimento de seu carnaval, ainda sensível às raízes culturais desta prática e de suas comunidades. O crescimento do carnaval local me parece sustentado, na medida em que o desfile cresce, aumentam os custos e a organização administrativa, porém, os exemplos de Rio e São Paulo ensinam que de nada adianta o encanto visual se este não encontra espelho no olhar emocionado do sambista que ama o carnaval e que merece desfilar e assistir suas concorrentes como legítimo carnavalesco.
É preciso também lembrar que uma cidade turística como Florianópolis merece um sambódromo muito mais adequado para o que já se apresenta aqui, além de constatarmos que pouco mais de 7 mil lugares estão longe de corresponderem às necessidades e expectativas deste público que não para de crescer e, empolgado com o que vê, não teria outra tendência.
Encerro, portanto, essa série desejando a todas as agremiações um grande desfile. Que todas nos orgulhem com um grande espetáculo, sem contratempos e sem maiores problemas, porque o sambista, aquele que trabalha o ano inteiro, que pensa e respira o carnaval 12 meses do ano, merece toda a alegria de ver o fruto de seu trabalho maravilhosamente bem planejado e realizado por esses brilhantes profissionais que nos surpreendem a cada ano. Parabéns e boa sorte a todas!
Mais informações: www.copalord.com.br
S. R. C. S. Embaixada Copa Lord
Enredo: Enfim… Há Mãos e Mãos! As Tuas, Quais São?
Carnavalesco: Ley Vaz.
Compositores: Celinho da Copa Lord, Wagner Segura, Edu Aguiar e Tom Tom
Intérprete: Mará
Rompeu as trevas o divino senhor.
Num brilho de encanto, surgiu o universo
Da força da criação.
Mãos que encantam mãos de magia,
Sustentam sonhos e fantasias,
Fazendo o mundo acontecer,
Voando ao infinito,
Buscar abrigo nas divinas mãos do criador,
Doces mãos, que dizem sim e dizem não,
Amparam, embalam, alimentando ilusões,
Verdades, mentiras em nossos corações.
De amarelo, vermelho e branco
Eu tatuei meu coração,
O meu amor por ti é sério,
Está escrito na palma da minha mão.
Descortina a ciência, a arte em sabedoria,
Unindo o homem em todas as eras,
A luz da evolução.
Braços abertos, mãos espalmadas,
Toque sagrado em oração,
Mão que planta, que colhe e faz o pão,
Dignidade pra quem trabalha,
Meu pedacinho de chão,
Justiça no mundo e igualdade,
Trazendo a felicidade.
Sou Guerreira,
Nesse balanço, embalando a mais querida,
Com a Copa Lord lá vou eu,
De mãos dadas e de bem com a vida.

Acaert Notícias
Antunes Severo/Blog
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