Cadê a identidade do rádio?

6/01/11

Quem gosta de rádio deve estar muito chateado com a situação atual desse meio de comunicação em nosso país. O excesso de prefixos AM e FM, a falta de qualidade dos programas, as cópias das cópias (autêntico papel carbono ou Xerox), excesso de programas religiosos, fizeram o rádio perder a sua identidade. Não é de hoje que essa situação chegou a esse ponto. Não querendo ser saudosista, sendo, o rádio de hoje peca pela falta de identidade. É reduzida nos dias de hoje o número de emissoras que tem identidade própria. Por quê?

Porque o rádio de hoje é uma caricatura de rádio; o rádio de hoje virou uma brincadeira nas mãos dos seus proprietários ou arrendatários. O rádio AM além de perder ouvintes pela melhor qualidade da sintonia do FM peca pela falta de comando, conteúdo, comunicadores, seriedade, terceirizações… As FM já saturaram pela gritaria, músicas sem qualidade, barulhentas, sem falar da pornografia que levam ao ar. E agora tentando mudar esse perfil estão copiando o rádio AM com programas jornalísticos e transmissões esportivas.
Mas, falta identidade às emissoras em ambas as frequências. Faltam diretores de programação, produtores, comunicadores; e no mercado grandes produtores e comunicadores estão desempregados dando lugar aos “amigos” dos comunicadores e dos responsáveis pelas rádios.
 
E tem as redes nacionais que estão matando cada vez mais o rádio. Exceto programas jornalísticos, tipo Jornal da Manhã da Jovem Pan, Primeira Hora da Bandeirantes, Jornal da Eldorado, o resto não tem apoio do ouvinte de rádio local.

Tem rádio colocando a programação FM no AM. Tem rádio que aboliu sua equipe esportiva e retransmite campeonatos de outros estados colocando no ar as transmissões das emissoras que comandam a rede. Isso sempre foi utilizado na formação de redes para Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, mas, deixar de lado um campeonato do seu estado para transmitir de outra capital é o fim da picada.
É que ficou mais fácil para o patrão. Diminuiu o quadro funcional, diminuíram as despesas e ainda se recebe algum da emissora que comanda a rede. Essa é a realidade.

Quando isso vai mudar, só Deus sabe, porque o Ministério das Comunicações, ABERT e outros segmentos do meio já deveriam ter modificado essa situação. É isso aí.

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5 Respostas para “Cadê a identidade do rádio?”


  1. 1 Elizabeth

    O cenário atual exibe um rádio massificado e capitalista, com conteúdo cada vez mais mesmerizado. O foco passou do rádio arte para a sobrevivência econômica. A programação repete a fórmula na busca incessante de audiência e faturamento comercial.
    Muitas emissoras perderam ou nunca tiveram identidade. Mas outras, acompanham o desenvolvimento tecnológico e social renovando seus conteúdos para atender novos “gostos”, novas demandas.
    Com relação a ausência de profissionais preparados no rádio, uma realiadade mais uma vez, pautada no sistema capitalista de “fazer mais com menos”. Salários menores para profissionais menos capacitados. Profissionais capacitados com aumentos constantes de atribuições e funções.
    Entretanto, com todas as dificuldades, o rádio matém o seu espaço e se apropria das novas tecnologias de plataformas de distribuição de conteúdo para se manter como importante meio de propagação da música, da notícia e de entretenimento.

    Bette Fernandes
    @bette_fernandes

  2. 2 ANTONIO PAIVA RODRIGUES

    EXECELENTE MATÉRIA. O RÁDIO AINDA É A MAIOR INVENÇÃO DO MUNDO.PARABÉNS.

  3. 3 Clesio de Luca

    Caro Edemar Annuseck.
    Sou apresentador de um programa de rádio na Cultura AM 1110, que é transmitido aos sábados a partir das 16 horas, duração de 30 m., desde 2004 o apresentamos.

    Nossa programação, não sou o diretor, têm cunho religioso sim pois trata-se de uma rádio 100% católica portanto nossa meta na programação é evangelizar através da Palavra. É uma rádio com programas religiosos em sua maioria.

    Você diz que há excessos desses programas que são levados ao ar. Provavelmente você se refere a programas evangélicos.
    Nós da radio o fazemos com esse propósito mesmo, levar a mensagem de fé aqueles que precisam e ouvindo a Palavra de Deus torcemos que a pratiquem. Diz o evangelho, de Lucas cap.12, versículos 1 ss. que devemos falar abertamente e sem temor.

    Contraponto a esse argumento, há inumeras radios FM como você descreve, um festival de besteirol, porém gosto não se discute. Há rádios como a CBN que transmitem em rede nacional, rádio que toca noticias, sou ouvinte dessas rádios, que cansam os radiouvintes quase sempre com os programas de pacotes, sempre as mesmas opiniões, uma rotina cansativa. A partir das 9 hrs. da manhã entram no ar equipes locais, que são praticamente as mesmas pessoas que fazem os programs na tv, como o Jornal do Almoço. Em minha opinião, respeitando os profissionais, são de uma mediocridade notoria. Fazem os programas todos os dias, e não acrescentam quase nada ao ouvinte telespectador. A maioria são noticias ruíns, dando demostração que a matéria prima essencial para eles, são essas noticias mesmo, que vão contribuindo para a banalização da vida, são inúteis, parece que visam ouvintes que não pensam, não refletem, não tem opinião pessoal. E passa anos e anos, sempre a mesma tônica aborrecida.

    De minha parte procuro fazer do rádio, um instrumento de comunicação de massa, nunca esquecendo a função específica do radio, e tendo sempre em mente os grandes comunicadores que já trabalharam no radio. Cito, Hélio Ribeiro, Ezio de Almeida Passos, Pe. Victor Coelho de Almeida,(Rádio Aparecida) C. Torres Pastorino (Minutos de sabedoria) essas pessoas não me saem da cabeça porque eram de fato grandes comunicadores. E o de mais repercussão sem duvida alguma, o comunicador por excelência, Jesus Cristo.

    Então voltando ao seu texto, acho pertinente ter no rádio uma equipe de programadores, locutores, apresentadores de bom nível e fazendo do rádio o profissionalismo que ele merece. Pergunto a você, o grupo da RBS, por exemplo monopolizou o mercado jornalístico no RS e SC. Quantos profissionais estão desempregados, pois não conseguem acesso a este veículo? É de se pensar. Não entendo mesmo, porque em SC não se faz concorrência a esse grupo que alem de monopolizar o jornal, tem espações grandes em canais de televisão, não sabemos a que título conseguiram.
    Assim caro amigo do rádio. Concorco com você em parte. O rádio precisa de pessoas competentes, preparadas, que tenham o dom da comunicação, mas é um direito nosso estar no mercado e o fazemos tentanto cada dia mais conquistar adeptos e atrair simpatizantes, porque esse é o nosso objetivo. E estamos caminhando para lá. Em alguns pontos somos a principal radio ou em segunda posição mas estamos enfrentado a concorrência com lealdade.
    Achei propício o seu comentario o que me oportunizou responder-lhe dessa forma. Espro que não tenha deixando frustrado. Você tem razão em alguns pontos, nós da rádio tambem…

  4. 4 Clesio de Luca

    Prezado Edemar,
    Para fazer justiça ao trabalho do apresentador e comunicador jornalista Heródoto Barbeiro, fazemos uma excessão portanto ao nos referirmos a Radio CBN, do grupo da Rede Globo.
    Para nós Herodoto é uma referência no rádio brasileiro, não sei se o amigo irá concordar.
    Abraços
    Clesio

  5. 5 Edemar Annuseck

    Meu caro Clesio

    Concordo com tudo o que vc escreveu a respeito de Heródoto Barbeiro. Trabalhamos juntos na Jovem Pan nos anos 70. Hoje ele é uma referência nacional. Oxalá possa na Record abrir caminho para que se implante uma Rede de Rádios com muito jornalismo.

    Edemar Annuseck

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