Manoel de Menezes: a irreverência de um poeta, jornalista e político

23/06/10

Menezes recepciona o gov. Jorge Lacerda na sede do jornal e da Rádio A Verdade na rua Conselheiro Mafra

A trajetória do jornalista e empresário de comunicação Manoel de Menezes agora está registrada em documentário de rádio. A responsável pela iniciativa é a neta dele, Maria Cláudia de Menezes, que aborda três facetas do catarinense de Lauro Müller em “Manoel de Menezes: a irreverência de um poeta, jornalista e político”. O documentário é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo de Maria Cláudia e será defendido na segunda-feira (28/06), a partir das 19h30, na Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina. A banca será formada pelo orientador da aluna, Ricardo Medeiros, pelo Coordenador do Curso de Jornalismo da Faculdade Estácio, Paulo Scarduelli e pelo jornalista Marco Aurélio Gomes, membro da diretoria da Associação Catarinense de Imprensa e Diretor da Rede de Notícias Acaert – RNA.

Menezes recepciona o amigo Orlando Silva, o Cantor das Multidões em Florianópolis

Na adolescência Menezes sofre uma desilusão amorosa e resolve passar a dor de seu coração para o papel. Assim sendo, circula pelo país e exterior declamando poemas.   Em 1950 os seus versos se transformam no livro Retalhos D’ alma, nome que mais tarde vira programa de rádio.  O programa ia ao ar pela Radio Guarujá e chegou a receber 80% das cartas românticas enviadas pelos ouvintes. Em 1952 o jornalista torna-se proprietário do semanário Jornal A Verdade, periódico no qual Menezes tinha a famosa coluna “o que dizem e eu não afirmo”, que denunciava questões de roubos e corrupção na política catarinense.

Menezes em coletiva do gov. Ivo Silveira em Palácio. Ao fundo os radialistas Nazareno Coelho e Silveira Lopes e o vice gov. Atílio Fontana

Manoel de Menezes que já havia auxiliado na implantação da Rádio Guarujá, em 1943, a primeira radio da cidade, posteriormente coloca no ar sua emissora em 1958, intitulada como Radio Jornal A Verdade.  Um dos principais programas da rádio era “Mesa Quadrada”, uma atração de boa audiência que debatia questões de esporte, política, arte e cultura.

Na prática, a Rádio não se define politicamente. Mesmo assim, o jornalista é eleito Deputado Estadual pelo Partido Social Progressista (PSP) no pleito de 1958, porém, personalista como é, defende ao microfone da emissora às suas idéias e não as do partido. No que tange aos apoios indiretos da União Democrática Nacional, UDN, e do Partido Social Democrático (PSD) para a formação da sociedade que constituiu a estação de rádio, isto não chega a influenciar a linha de programação da Jornal a Verdade em favor exclusivo de qualquer partido. Dependendo dos interesses do jornalista, a sua emissora muda de cores partidárias. Ora a emissora tende para o Partido Social Democrático, PSD, ora está do outro lado, apoiando a UDN, os dois grandes  partidos que fazem rodízio no comando da administração estadual.

Manoel concorre duas vezes ao cargo de prefeito da cidade de Florianópolis, nos anos de 1954 e 1959. Na primeira vez, após a derrota nas eleições, Manoel de Menezes escreve a seguinte manchete na capa de seu jornal: ”Dormi prefeito e acordei palhaço”. Na segunda vez, quase se elege, sendo o mais votado em algumas seções eleitorais.  Como deputado estadual pelo PSP é cassado com a justificativa de falta de decoro.

Duelo defronte à catedral

As rádios Jornal A Verdade e Anita Garibaldi transforma-se em certa ocasião em palco de discussões entre Manoel de Menezes e o delegado Trogílio Mello, o que acaba num duelo entre o jornalista e o filho do delegado. Tudo começa quando Manoel de Menezes resolve entrevistar Trogílio Mello a respeito da ordem dada pelo governador Heriberto Hulse sobre a necessidade de coibir a jogatina na cidade. O jornalista telefona para a delegacia para saber de Trogílio Mello se realmente ele vai colocar na cadeia todos os contraventores. Com transmissão ao vivo pela Rádio Jornal a Verdade, o delegado responde afirmativamente. De sua parte, Manoel de Menezes emenda perguntando se Trogílio Mello irá também prender o próprio filho que – conforme  o jornalista – patrocina  o jogo do bicho em Florianópolis. Furioso o delegado arranca o fio do telefone, terminando ali mesmo a entrevista.

No período da noite, Trogílio Mello utiliza os microfones da Anita Garibaldi para acusar Manoel de Menezes de ganhar propina dos chefes do jogo de bicho. Quando sabe disso, o jornalista liga para a sua emissora e pelo telefone entra no ar refutando as acusações e lança alguns impropérios contra o delegado e seu filho Acácio Mello.

No dia seguinte, Acácio Mello telefona para a casa de Manoel de Menezes para marcar um duelo entre os dois, às oito horas da manhã, defronte à Catedral Metropolitana, coração da cidade. Quem leva a melhor no confronto é o dono da Rádio Jornal a Verdade, que consegue alvejar uma das pernas de Acácio de Mello. Por sua vez, Manoel de Menezes é jurado de morte pelo delegado Trogílio Mello e foge da cidade.

Contatos para imprensa:
Maria Cláudia de Menezes: 8454-9221

Compartilhar

2 Respostas para “Manoel de Menezes: a irreverência de um poeta, jornalista e político”


  1. 1 Merly Costa

    Achei otima esta historia. Gostaria de usa-la no meu filme. Posso? Gostaria de saber mais historias como esta.

  2. 2 jose adalnerto de souza

    boa noite eu fui abandonado e colocado em uma caixa de sapato dentro de uma lata de lixo na porta da radio jornal a verdade na rua moura em barreiros, o jornalista da época era o Manoel de Menezes o que anunciou o acontecido e fui adotado por uma mulher que fazia o programa a hora da verdade nessa radio e depois de passar o inferno na mao desta família acabei fugindo e indo morar na rua, na praça 15 de novembro morando em baixo da figueira, hj sou um homem bem sucedido e empresario e dou palestras de motivaçao, vocacional hoje estou escrevendo um livro.
    gosta ria de saber se consigo alguma reportagem ou fotos da época.
    atenciosamente Jose Adalberto de souza

Deixe sua resposta

 
 
         
© 2010 por Caros Ouvintes. Todos os direitos reservados.