Na virada dos anos 40 para os 50 em Porto Alegre, o sucesso de Os Três Homens Maus é tão grande que mesmo uma oficina mecânica, reduto masculino por excelência, ganha o nome desta grande atração da Gaúcha.O impacto pode ser medido, então, pelo simples fato de se tratar de uma radionovela, na época produção muito mais para o público feminino do que nos dias de hoje. Com Adroaldo Guerra, Cândido Norberto Santos e Walter Ferreira como os personagens-título, a trama de Raymundo Lopes traz o sofrimento da mocinha Lindinha, papel de Aida Terezinha, que se apaixona pelo galã interpretado por Cândido Norberto, nem tão mau assim, no desenrolar dos capítulos, a justificar o rumo habitual destas estórias: quem representa o mal ou é castigado ou se arrepende, tudo – claro – com doses significativas de voltas e reviravoltas, declarações mais ou menos açucaradas e um final feliz.
A fórmula faz de Os Três Homens Maus o grande sucesso daquele ano de 1948. A radionovela, no entanto, está destinada a reinar, pelo menos, até a década de 60, quando a sua versão com imagens ajuda a roubar público do rádio, estabelecendo a TV como veículo eletrônico predominante.
Vão ser produções e produções a marcar o nome de galãs como Ernani Behs, Walter Ferreira e, mais tarde, Salimen Júnior, Paulo Ricardo e Wilson Fragoso, ou de suas contrapartes femininas, destacando-se, por anos, Aida Terezinha, uma das principais atrizes a desempenhar ingênuas e românticas protagonistas, papel que faz o sucesso também de Lídia Ilzuch.
Há, ainda, o ecletismo de uma Marisa Fernanda, que, com talento, se alterna como mocinha e vilã, por exemplo, como as gêmeas de comportamento antagônico de As Noivas Morrem no Mar, de Ivani Ribeiro, grande atração da Farroupilha nos anos 50.
Maria Ieda, por sua vez, interpreta a Isabel Cristina de uma das versões de O Direito de Nascer, do cubano Félix Caignet. Rosa Maria e Zaíra Acauan consagram-se como dama-galã, uma espécie de mocinha mais velha, função também desempenhada por Lolita Alves, que atua, ainda, como vilã.
A maioria das produções é de autores do centro do país – Amaral Gurgel, Giuseppe Ghiaroni, Raymundo Lopes… –, mas alguns gaúchos produzem roteiros de novelas e/ou peças – Doroty Gallo, Maria de Lourdes Collares Abs, Maria Monteiro Paneraí, Roberto Lis, Zahyra de Albuquerque Petry… Nestas atrações da programação, a amarrar os diálogos, trabalham narradores como Enio Rockembach, Ronald Pinto e Euclides Prado, emprestando, com a voz, conforme as indicações do script e dos diretores, um tom mais épico, emocional ou saudosista.
No Rio Grande do Sul, as novelas, no entanto, começam mesmo, anos antes, em 1943, graças ao pioneirismo de Roberto Lis, que produz, na Difusora Porto-alegrense, para o Folhetim Sonoro da PRF-9, das noites de domingo, uma estória em capítulos – O Solar dos Alvarengas –, abordando a decadência de uma aristocrática família.
Um pouco depois, no mesmo ano, a Farroupilha coloca no ar os capítulos gravados de Em Busca da Felicidade, do cubano Leandro Blanco, na adaptação de Gilberto Martins, irradiada, antes, pela Nacional, do Rio de Janeiro, e a primeira atração deste tipo no rádio brasileiro.
É a partir do trabalho de Cândido Norberto, diretor artístico da Gaúcha, que a novela começa a ampliar o seu espaço na programação radiofônica no Rio Grande do Sul, com a transmissão de capítulos tornando-se, por iniciativa deste profissional, diária. É como uma trama de segunda a sexta que a estória dos três homens maus interpretados por Adroaldo, Cândido e Walter vai cativar a atenção dos ouvintes naquele final de década há 60 anos.


Como sempre uma delícia teus textos. Mas, esqueceste a Linda Gay?
Abraço
Realmente, amigo, esquecer a Linda Gay foi um crime no mínimo… novelesco!