O nascimento da televisão do Paraná – 12

29/06/09

As maiores lojas de varejo de Curitiba, que até então se limitavam a anunciar pelo rádio e pelos jornais, começaram a voltar-se também para a televisão. E um novo período de grande desenvolvimento foi vivido pelo mercado curitibano. Os primeiros intervalos comerciais chegaram a ter dez minutos de duração e, apesar do tempo, foram bem aceitos pelos telespectadores. Afinal, para eles também era uma novidade.

Mas, ao mesmo tempo em que aumentava a participação de anunciantes, os problemas de operação se agigantavam. Era preciso dar apoio aos clientes locais, uma vez que ainda não existia aqui ninguém especializado na produção de comerciais, e, ao mesmo tempo, proporcionar o atendimento às agências de fora, que participavam da programação e não possuíam representantes no Paraná.

Nos primeiros tempos da televisão, apenas a McCann Erickson estava presente em Curitiba e somente as grandes lojas de departamento, como Prosdócimo, Hermes Macedo e Móveis Cimo, contavam com uma estrutura própria de propaganda e podiam oferecer materiais com melhor produção.

Nos anúncios do rádio eram utilizados apenas textos ou jingles (comerciais gravados em disco). Por isso, o atendimento comercial aos clientes de Curitiba, na televisão, apenas poderia ser feito, inicialmente, com suporte de locução de cabine, ou com o uso de spots (textos gravados em disco). Ou comerciais ao vivo. Filmes, somente os vindos de outras praças, pois não havia nenhuma empresa estruturada aqui, que oferecesse condições de realizar tais produções, exatamente porque isso exigia uma quantidade de equipamentos e de profissionais experientes, com custos ainda impraticáveis. Quem desejasse fazer uma produção específica, tinha de apelar para São Paulo, o que também se tornava quase inacessível para o mercado de Curitiba, pelos custos.

Nessa época somente se fala em slides de 35 mm. Eles eram fotografados e revelados num departamento das Lojas Tarobá, contando com a boa vontade do proprietário. Mesmo assim e com a simplicidade do slide, o processo levava pelo menos 24 horas para ficar pronto. Portanto, o caminho mais rápido e eficaz eram os comerciais ao vivo, interpretados pelas anunciadoras e anunciadores (assim chamados então).

Na primeira fase, elas e eles diziam os textos integralmente, memorizando-se após uma só leitura, já que era comum receberem esses textos pouco antes d apresentação. Cada anunciadora, de uma maneira geral, apresentava de seis a oito comerciais por noite. Com o tempo, foi-se aperfeiçoando o processo, com a exibição dos produtos com uma câmera e a apresentação final do endereço da loja por outra, através de cartazes afixados em painéis desenvolvidos para esse fim.

Quando havia tempo, os letreiros, logotipos e endereços eram projetados através de slides. O passo seguinte foi a utilização de imagens filmadas, caso o cliente desejasse mostrar a fachada de seu estabelecimento. Essa tomada era realizada em filme mudo positivo e depois inserida no comercial.
A maior parte da programação era então baseada em filmes seriados, numa proporção aproximada de70% contra 30% de programas ao vivo. O único tempo que dispúnhamos para a preparação e montagem dos cenários para os próximos comerciais era durante a exibição dos filmes. Esse tempo era também utilizado para ensaiarmos as vídeo-anunciadoras. E a maior aflição ocorria quando dois programas ao vivo eram apresentados em seqüência e o único prazo disponível era durante o intervalo comercial entre os programas, quando se deveria também montar o próximo cenário, considerando ainda que alguns comerciais ao vivo tinham de entrar durante o intervalo.

Entre Nuvens e Estrelas, produzido e apresentado pelos irmãos Átila José e Ayrton Borges

Entre Nuvens e Estrelas, produzido e apresentado pelos irmãos Átila José e Ayrton Borges

Era uma corrida incessante contra o tempo e todos, independentemente da atuação específica de cada um, participava carregando painéis, tapetes, vasos, produtos a serem anunciados, adereços etc.
Quando não era possível a produção de slides, assim como quando da previsão do tempo, hora certa, alguns avisos de utilidade pública, chamadas da próxima atração, apresentação do programa e nomes dos participantes, utilizávamos cartazes, feitos com arte e capricho, para serem captados por uma das câmeras.

Somente quem viveu aqueles momentos pode avaliar o tamanho da dedicação, integração, competência e agilidade da equipe. O que imperava era o espírito de cooperação, pois uma pequena falha poderia botar tudo a perder. Era uma louca maratona. Mas tudo acontecia direitinho, no seu devido tempo. E as interrupções capazes de quebrar o ritmo sempre foram motivadas pela queda do fornecimento de energia e não por falha operacional.

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