Arquivo mensal para 04/08

Ivaldo – Um jeito de educar que deveria ser estudado

27/04/08

No espetáculo “Kashimir Bouquet”, que deveria se chamar “Ivaldo reencontra o velho Ivaldo”, temos um bom exemplo educacional.
Por Anna Verônica Mautner
Ivaldo não só é um dos seres mais sofisticados que esta cidade já criou, mas também um dos mais realizadores e fazedor. Descobrindo sempre tudo antes de todos outros, ele vem movimentando esta cidade há pelo menos quarenta anos, se não mais. Ele quase sempre (digo “quase” porque ninguém é perfeito) transmite a revolucionária idéia de que a visão total do movimento pode independer da uniformidade formal de suas partes.
Sua escola de dança para adultos tem sempre uma “apresentação de fim de ano” como qualquer escola primária. Este seu novo virou sua tradição. O forte dele nunca foram os adolescentes, sei lá por quê. Seus alunos são quase sempre uma maioria de adultos – de jovens até a terceira idade. Apesar da idade, eles vão ficando eriçados quando o fim do ano vai chegando e a apresentação vai ocorrer. É um delicioso retorno à infância.
Muitas coisas aconteceram nestes quarenta anos. Ivaldo deu umas voltas por Bali, muito antes desse lugar entrar na moda. Andou pela Índia, deu uma espiada na Espanha e até em sapateado americano. Sua receita de movimento e som surpreende sempre. Uma nova música sempre.
Quero hoje falar donde ele veio e para onde ele chegou de volta. Digo retorno, digo de volta, porque andou se estranhando e passeando por umas – obviedades?! Talvez. Durante alguns anos, inventou menos. Mas quem é bom ao bom retorna e ele é bom de invenção. A onda ONG enriqueceu seu palco que até então era de seus alunos dançantes. Ivaldo emplacou de novo integrando estes novos diferentes e gerando uniformidades.  E ele consegue.
Unidos sob os ritmos de “todo mundo” estão pessoas de “todo mundo”: brancos, pretos, mulatos, gordos, magros, altos, baixos, da periferia ou da alta burguesia, homens, mulheres, GLS. Todos fazendo juntos o que até a platéia, em dado momento convocada, foi capaz de fazer. As roupagens são quase iguais, sem sê-lo. Qual será, pois a função dos uniformes escolares? Vendo este espetáculo a gente ilumina a questão. Aliás, no palco, nada é igual, exceto o espaço e a luz. Faz cair a barreira entre palco e platéia, sem violência, sem autoritarismo. No espaço tão pequeno do palco, estes variados cidadãos dançantes não tropeçam, nem tem medo de esbarrar. Ninguém se estranha. Soltos – são disciplinados, profissionais. Nos poucos momentos que trajam roupas iguais entre si parece que Ivaldo quer destacar a diferença entre os momentos de maior liberdade e a férrea disciplina que passa desapercebida. Sentados na platéia sentimos a presença dessa liderança gerando uma liberdade que claramente não é dada de mão beijada. Liberdade inclui vontade e esforço.
Este traço de força suave é um modelo educacional muito importante que, se adotado pelo Brasil afora, poderia ser bem útil na linha da inclusão de todos.
Falei de Ivaldo Bertazzo.


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Timbuka ou Miramar?

27/04/08

Caros leitores: fiquei assombrada ao ler uma matéria do Zero Hora, de 11 de abril de 2008, que anunciava “as últimas horas do Bar Timbuka”, um estabelecimento localizado na orla do Rio Guaíba e que acumulava 40 anos de histórias de Porto Alegre. Infeliz coincidência com o desfecho do memorável Trapiche Miramar em Florianópolis?
Por Marilange Nonnenmacher

 Essa ação do município de Porto Alegre está dentro de um projeto de revitalização e qualificação da orla do Rio Guaíba. No entanto, todo esse “acontecido” possui curiosas semelhanças com o “ocorrido” com o saudoso Trapiche Miramar – do qual já falei em colunas anteriores, demolido em 1974 em razão do desenvolvimento apregoado naquele período. Será que depois de 34 anos, tal procedimento representa ainda uma consciência incipiente sobre o valor histórico e cultural que muitas arquiteturas adquirem durante a consagração e expansão urbana?
Uma cidade pode ser lida como território que possui “organicidade”, enquanto espaço vivo em constante transformação e diálogo com seus moradores. Tanto no caso do Bar Timbuka, um estabelecimento comercial localizado no Bairro Assunção, Zona Sul de Porto Alegre, como do antigo e demolido Bar e Trapiche Miramar – que jaz na Praça Fernando Machado, em Florianópolis – houve manifestações de alguns grupos da população, contrários às medidas de destruição tomadas pelo poder público local. Contudo, em ambos os casos houve uma enorme fenda na mediação, na discussão sobre a possibilidade de manutenção desses prédios que fomentaram o convívio, as sociabilidades, os costumes de várias gerações.
A mentalidade tacanha de alguns representantes do poder público não compreende que a história e a memória de uma cidade não se constituem apenas dos grandes homens – os ditos heróis –, de sagas, de majestosas arquiteturas ou grandes enredos. A história de um lugar é o produto de uma diversidade social e cultural, ou seja, os afro-descentendes, os índios, as mulheres, os imigrantes, os sem terra, os ricos, os idosos, os pobres, os “botequeiros”, as meretrizes, enfim, todos nós, somos sujeitos ativos da história, por isso temos direito ao debate e à escolha.
Por alimentarem ainda (?!) a mentalidade de uma história soberana, muitos representantes, em nome do pretenso desenvolvimento urbano, não observam ou ponderam sobre a manutenção daquilo que a “comunidade” credencia, deseja e transforma em tradição e cultura. Ou seja, trata-se de um movimento constituído pelas experiências cotidianas, naturais, espontâneas e intrínsecas ao acontecer histórico, mas que não é respeitado.
Após 34 anos, a demolição do Miramar continua sendo questionada por muitos em Florianópolis. Ele ainda ronda o imaginário da cidade! E como um fantasma assombra os administradores públicos que lhe oferecem totens. São desenhos, imagens, monumentos, para sanar as culpas. Será que, futuramente, também construirão monumentos às margens do Guaíba para homenagear o recém-falecido Timbuka? Vamos aguardar!


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Predestinado 3

27/04/08

Na matéria anterior fiquei devendo o nome do chefe dos locutores da Rádio Tingüi. Quebrei a cabeça e acabei me lembrando do Rubens Chagas. Também prometi contar a história do Homero Camargo de Oliveira.
Por Altair Carlos Pimpão

O Homero me contou que foi integrante do Bando da Lua, do Aloysio Azevedo, que se apresentava nos Estados Unidos com a famosa Pequena Notável, a Carmem Miranda. Não acreditei muito, mas pode ser verdade. Peitudo ele era.
O Homero era o diretor da Rádio Tingüi e fez-me redator dos textos da emissora e responsável pelas trocas dos comerciais, quando necessário. Um dia o Homero tirou férias e o proprietário do Lord Magazine resolveu ir pagar a sua publicidade diretamente na emissora.
O diretor da Clube Paranaense que ficou acumulando funções disse que ele não tinha propaganda na Tingüi. O homem insistiu e chamaram-me para saber. Confirmei que Lord Magazine tinha 20 comerciais diários na nossa emissora. Resultado: quando o Homero voltou foi despedido. Havia faturamento paralelo. Não sei se era o único caso ou se havia outros.
Não demorou muito e o Homero ligou-me para fazer uma proposta: fazer rádio no norte do Paraná. Rádio Cultura Norte do Paraná, situada em Ibiporã, a 12 quilômetros de Londrina. O espírito de cigano funcionou e lá fui eu comer pó vermelho.
Na época circulava mais dinheiro em Londrina do que no resto do Brasil. Havia gente que perdia 400 mil numa noite de poker e saía assobiando. No bairro boêmio a Casa da Selma, um lupanar que mudava o plantel quase que semanalmente e fazia o lançamento das novidades da gravadora RGE, se dava ao luxo de ter um enorme luminoso sobre o telhado anunciando o nome do prostíbulo.
Lá no norte do Paraná moramos na própria rádio, Homero Camargo de Oliveira, Nelson Tófano, João Hermes Oroschowski e eu. A emissora não tinha concessão e acabou sendo fechada. Foi bom porque lá iríamos nos tornar ébrios. O divertimento das autoridades, imprensa e povo da cidade era beber no bar da praça. Voltamos para Curitiba e o Homero foi dirigir a Rádio Cultura. Lá trabalhei com o Antônio Ivo Moscaleski e com o Gabriel Moacir Lustosa Nogueira, locutores como eu.
Não posso deixar de citar dois craques do futebol que também eram radialistas. Lobato Costa, o Lobatinho, e Ladislau Sliviani, o Boluca, que usava o pseudônimo de Sil Viani. O Boluca era meu amigão e quando ele jogava na preliminar eu abria a transmissão esportiva e segurava até ele tomar banho, se vestir e chegar à cabine de transmissão.
Na Cultura também tínhamos o Militão, o Mago do Violão, e o Moacir Benvenutti, que andava sempre com uma chave de fenda no bolsinho do paletó. Uma bela noite tomamos um pifão e decidimos ir para Suez.
Amanhecemos em Paranaguá e provocamos uma polvorosa na rádio. Gabriel Moacir, Antônio Ivo e eu havíamos sumido e o Homero teve de ir para o microfone e agüentar o dia inteiro. Fomos ao Mercado e lá encontramos o famoso Janguito do Rosário, excelente músico que tinha um regional na PRB-2. Gabriel Moacir desistiu e voltou à noite.
Antônio Ivo regressou na manhã seguinte. Eu conheci um técnico montador de máquina, chamado Oswaldo Só, que fora zagueiro do Cruzeiro de Porto Alegre. Ele me fez desistir da idéia de voluntário no Canal de Suez e de buscar emprego no Estaleiro do Só, em Porto Alegre.
Não cheguei a ir lá porque um irmão do Clemente Comandulli, que foi do Paraná Esportivo e mais tarde redator chefe da Gazeta do Povo, consertava persianas, estava em Paranaguá e ia fazer uma volta por Santa Catarina.
Juntei-me a ele e virei técnico em persianas. Depois criei a New York Persianas Corporation, que dava assistência técnica gratuita às persianas da empresa. Sempre fui obrigado a cobrar, pois nunca encontrei uma persiana da New York. A atividade era interessante e lucrativa. Mas uma tarde apareceu lá em casa o Lazinho, que jogara no Palestra Itália e abrira uma rádio em Blumenau. O resto eu conto na próxima vez.


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Estamos no ar… Transmitindo em circuito fechado…

27/04/08

A história do pioneirismo da TV Coligadas de Santa Catarina está repleta de momentos inesquecíveis. Somente quem passou por tudo aquilo pode ter a noção exata dos fatos. Escrever sobre eles é gratificante, mas talvez não alcance a dimensão da realidade.
Por Carlos Braga Mueller

Em agosto de 1969, enquanto a turma da “externa” subia o Morro do Cachorro duas vezes por dia para colocar no ar as imagens de “slides” e filmes seriados, em caráter experimental, no Estúdio da Rua Getúlio Vargas, no centro de Blumenau, nós ensaiávamos os programas que fariam parte da programação local.
Com inauguração prevista para o dia 1º de setembro de 1969, os diretores não deixavam por menos: os programas tinham que ser produzidos internamente, como se estivessem indo ao ar, para que todos estivessem afiados no dia D.
Foi assim durante todo o mês de agosto daquele ano.
Na área do telejornalismo o diretor era Nestor Fedrizzi, um grande profissional, intimamente ligado às atividades jornalísticas do Rio Grande do Sul. Ele orientava a produção e apresentação do noticiário. Cabia a nós, os apresentadores, ler e “interpretar” os textos em frente das câmeras de televisão.
Contratado como diretor de telejornalismo pela TV Coligadas, Nestor Fedrizzi logo deu o seu toque pessoal à equipe. Não era o “chefe”, era o amigo da turma.
Se no Rio Grande do Sul, Fedrizzi havia sido o grande artífice do jornal “Última Hora” de Samuel Wainer, que ajudou a montar e do qual foi chefe de redação por quatro anos, em Santa Catarina ele transformou-se em pioneiro do jornalismo na televisão e, logo depois, em 1971, o profissional que implantou o primeiro diário em off-set no Estado: o “Jornal de Santa Catarina”. Ou seja, fez história também em terras catarinenses.
Um pequeno parênteses sobre Fedrizzi:
Para tocar o “Santa”, ele montou uma equipe respeitável. Nei Duclós conta que estava atuando na Rádio Guaíba de Porto Alegre quando Fedrizzi lhe telefonou, convidando para trabalhar em Blumenau. Quero, mas estou duro, foi a resposta de Duclós. Eu pago a passagem, respondeu Fedrizzi. E pagou.
Outro que atendeu ao apelo de Fedrizzi foi José Antônio Ribeiro, o Gaguinho, ex-repórter da extinta “Última Hora” gaúcha. Natural de Caxias do Sul, ele teve como colega de aula em Porto Alegre outro caxiense, Pedro Simon. Certo dia, inconformado com apenas um candidato a presidência do grêmio estudantil, Fedrizzi lançou Pedro Simon na disputa. E não é que foi eleito?
Em 1986, quando coordenou a comunicação da vitoriosa campanha do antigo colega ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, Fedrizzi revelou esta história aos amigos. Pioneiro da TV Coligadas de Santa Catarina, Nestor Carlos Fedrizzi já morreu e é nome de importante rua na sua cidade natal, Caxias do Sul.


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História do jornalismo cearense – 1

27/04/08

Os acontecimentos, as ocorrências de conotações importantes irão fazer parte da história. O acervo de qualquer repartição, entidade ou organização será inserido na biblioteca cultural das instituições. Leia mais…

Os Alucinados 1

27/04/08

Grupo musical que surgiu em Florianópolis por volta de 1963, seguindo a influência que os Beatles tiveram na juventude daquela época. Era formado por garotos de 15 a 17 anos que, com algum sacrifício, adquiriram suas guitarras, contrabaixo e bateria, tocando em festas e clubes da Capital.
Por Paulo A Duarte  

O clube Limoense, do Saco dos Limões, realizava as chamadas domingueiras, geralmente usando discos de vinil que eram rodados em toca-discos conectados a caixas de som. As músicas eram muito variadas porque os freqüentadores eram pais com seus filhos. Mas a onda da Jovem-Guarda já estava em moda.
E foi numa dessas domingueiras que Os Alucinados foram convidados a fazer uma apresentação de meia hora. Mas a animação foi tanta que o grupo acabou tocando até cinco horas da manhã. Ninguém estava acostumado a tocar tanto tempo assim e o que aconteceu foi que eu tive de dormir naquela segunda-feira com a mão esquerda dentro de uma bacia com água e sal. Como eu tocava violão-elétrico, com cordas de aço, os dedos ficaram machucados e latejando. Depois desta apresentação, fomos contratados para comparecer todos os domingos, às vezes sábado, para tocar no Limoense.
Fizemos também um “jingle” para uma loja de roupas (Casa Rosana). Este trabalho foi gravado, em disco vinil 45 rotações, no estúdio do Hélio Kersten, que ficava na Rua João Pinto, perto da Rádio Guarujá. Era uma música muito curta que dizia: Compre toda semana / Na Casa Rosana. Apenas isso. Certa vez, tentei recuperar este jingle e descobri o Hélio Kersten trabalhando na “Casas da Água” de Campinas, quando então ele me disse que já havia dado fim em todos os seus antigos rolos de fita. Foi uma pena.
Outro fato marcante de nosso grupo foi ter participado da inauguração da boate do Oscar Palace Hotel, Avenida Hercílio Luz, representando o lado jovem da música da nossa ilha, já que lá estavam alguns músicos consagrados, considerados da velha-guarda, tais como Aldo Gonzaga (pianista), Neide Maria (cantora) e Demaria (contrabaixista). Não me recordo bem, mas acho que foi em 1964 ou 1965. Já tentei recuperar esta data junto ao hotel, mas não tive êxito.
Nas próximas duas semanas conto um pouco mais, apresento uma relação de todos os participantes e foto de uma de nossas performances.
Para contato: pduarte45@hotmail.com ou 48 3244 5819


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O mingau

27/04/08

Elizio, um trabalhador dedicado, morava numa casa geminada em Antonina, onde todos ouviam os ruídos que produzia. Até barulhos mais íntimos eram ouvidos pelos vizinhos de parede. Estivador há muito tempo, Elizio saia cedo para o trabalho e voltava muito tarde.
Por Jamur Júnior

 Nem tanto pelo serviço que tinha que executar. Na verdade ficava algumas horas em companhia dos amigos, batendo papo e tomando uns goles. Uma cerveja para espantar o calor e animar a conversa. A atividade cansativa do dia exigia algumas pausas para recuperar as forças e aliviar a tensão da rotina de repetir centenas de vezes os mesmos movimentos para arrumar a carga nos porões de navios.
Uma rotina que começava às sete horas da manhã e terminava às cinco horas da tarde. Camiseta do time de futebol molhada de suor e colada no corpo, o rosto lívido anunciando falta de liquido suficiente e um convite do colega, era a senha para sentar no boteco, tomar cerveja e algumas vezes jogar um truco com alguns parceiros. Quando chegava em casa estava sempre com fome. A mulher de Elizio que costumava dormir cedo, sabendo da fome noturna do marido, deixava um mingau preparado numa panela, sobre a chapa de ferro do fogão a lenha. Um dia era mingau de fubá, ou farinha de mandioca, outro era de aveia, este de preferencia com um pouco de canela em pó. A dedicada mulher ficava esperando o marido, deitada lendo a Bíblia, seu livro de cabeceira. Era evangélica, assídua nos cultos do templo e seguidora dedicada das orientações do Pastor. Gostava do marido, mas abominava seu comportamento. Preferia ter Elizio sempre a seu lado no templo, em casa, orando e pedindo ajuda divina. Considerava uma ofensa ingerir bebidas alcoólicas pelos bares da cidade. Elizio chegava fazendo barulho e falando de fome. Era quando a mulher alertava com sua voz aguda e fala lenta.-
-Elizio, o mingau esta na chapa.
Essa frase era repetida quase todas as noites; “Elizio o mingau esta na chapa”.
Todos os vizinhos ouviam o anuncio do mingau na chapa.
E foi assim que Elizio ficou conhecido pelos vizinhos e mais tarde pela população de Antonina como “Mingau na Chapa”.
Jamur Jr.


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História de Blumenau – Capítulo 13

27/04/08

Doutor Blumenau deve ter passado por momentos decepcionantes. Sua luta para atrair compatriotas era questão de honra, pois tratava-se de compromisso assumido com o Governo Imperial.
Por Vilarino Wolff

 Dez mil novos habitantes, atraídos da Alemanha ou da Europa em determinado tempo, foi o termo assinado quando do recebimento de apoio financeiro determinado pelo próprio Imperador.
A situação, contudo, não evoluía. Além de enfrentar propaganda contrária em sua Pátria , promovida por concorrentes que desejavam atrair emigrantes para outras regiões do planeta, debatia-se com a decepção de muitos daqueles que vinham, tomavam pé da situação, e abandonavam a colônia rumo a outras regiões.
Eram fatores determinantes para isso alguns itens que espantavam os mais sensíveis. Entre esses fatores estavam os mosquitos, os selvagens e as enchentes.
O colonizador, porém, não se deixava abater. Quem toma conhecimento da sua luta, avaliando os percalços daquela epopéia, tem nele uma grande lição de determinismo e convicção. Cada revés parecia realimentá-lo. Media as conseqüências, refazia os estudos, respirava fundo e partia para o enfrentamento de novos desafios.
Para quem conhece e convive com Blumenau nos dias de hoje, talvez esse seu traço tenha se constituído num exemplo para os atuais habitantes do município. Haja vista a peculiar maneira com que ainda são enfrentados os reveses da natureza protagonizados pelo Rio Itajaí-açu.
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Do cata-vento ao rádio digital 27

27/04/08

A nossa rádio. De fato, a sensação de pertencimento era um dos pontos marcantes do nosso relacionamento com a atividade profissional. Nós nos pertencíamos: a rádio era nossa e nós éramos da rádio. Leia mais…

O Rádio em Ondas Curtas

27/04/08

O rádio brasileiro presta um serviço extraordinário desde a sua existência. As Transmissões em Ondas Curtas , há décadas tem levado as informações aos mais diferentes pontos do mundo. A importância que esta freqüência continua representando infelizmente não passa pela cabeça dos “gênios” que se instalaram no meio radiofônico.
Por Edemar Annuseck

 Os fatos

As emissoras que continuam colocando suas transmissões também em Ondas Curtas não devem ter nenhuma idéia e pesquisa do serviço que prestam à comunidade. Não se alardeia que o rádio é um “prestador de serviços”. Pois se dizem deveria ser. Não escrevo isso por ser um apaixonado do rádio e muito menos quero expressar aqui uma opinião para agradar quem quer que seja. Quero mostrar quanto o rádio necessita – para desmentir os gênios – das emissões em Ondas Curtas.
Por que
Neste país de dimensão continental milhões de pessoas não tem acesso à televisão e tampouco a internet. Recentemente descobriu-se uma população indígena que desconhece o mundo exterior. Imaginem-se como os nativos indígenas ao tomarem conhecimento de que o país tem quase 190 milhões de habitantes. Bem o assunto ao qual me refiro é outro. Escrevo sobre a necessidade de se utilizar as Ondas Curtas para levar a informação ao povo brasileiro, especialmente aos que só tem o rádio para ouvir as notícias. A Rádio Clube Paranaense de Curitiba retirou do ar duas de suas três Ondas Curtas prestando um desserviço. Se outras rádios seguem o mesmo exemplo não sei, mas, quem assim está agindo deveria ter a outorga cassada e repassada para quem realmente tem interesse em utilizá-la. Será que o Ministério das Comunicações e os órgãos que se dizem responsáveis sabem o que está ocorrendo.
Por que II
O Brasil é cortado de ponta a ponta pelos caminhoneiros transportando os produtos fabricados neste país do sul ao norte, do leste ao oeste diuturnamente. A falta de rádios com a freqüência de Ondas Curtas e a diminuição de emissoras que operam nesta faixa tem sido uma reclamação constante. Até 10 anos atrás você viajava de carro pelo país sintonizando as emissoras em Ondas Curtas para acompanhar os noticiários, os programas, os jogos de futebol e até a situação das rodovias. Hoje a situação é bem outra. Além de você encontrar dificuldades para comprar rádios para automóveis e portáteis com a freqüência de Ondas Curtas, também diminuiu o número de emissoras que transmitem nesta faixa. É uma situação que precisa ser revista. Ainda não existe um computador formato rádio para ser instalado no painel de um carro ou caminhão para acessar a internet. E nem todas as rádios estão hospedadas. As rádios que transmitem em AM só ultrapassam fronteiras à noite pela sua potência e propagação. Já o FM tem alcance limitado de no máximo 100 km da origem do seu sinal.
Espero que um dia, quem sabe um dia, o Ministério das Comunicações faça uma análise da situação e pense grande, não como a pequinês dos que tem a outorga e não estão preocupados em prestar serviço ao povo brasileiro.
Fatos
Na grande Porto Alegre o gaúcho Célio Romais é maior ouvinte de emissoras de rádio em Ondas Curtas. Recomendo que você acesse o site: http://www.romais.jor.br/
Aproveito para citar um dos muitos casos relacionados a transmissão em Ondas Curtas.
Na Copa do Mundo de 1974 a Deutsche Welle – A Voz da Alemanha – efetuou uma cobertura sem precedentes na história do rádio mundial. Montou um esquema que envolveu centenas de profissionais para entrevistas, comentários, transmissões e boletins do campeonato. Esta emissora com sede em Colônia na época e hoje também em Berlim, só operava em Ondas Curtas. Naquele mundial que a Alemanha Ocidental promoveu foram utilizados transmissores de 500 KW de potência para que o mundo recebesse as informações. E foi também através da DW que o Brasil ouvia as histórias do Tio Carlos, interpretadas por Altair Carlos Pimpão, um paranaense de Curitiba, que hoje nos brinda com suas colunas aqui nos Caros Ouvintes. Os estados do norte e nordeste do Brasil têm na Deutsche Welle, na Rádio Niederland, Rádio Nacional da Suíça, Nacional de Lisboa, RTVE da Espanha, na BBC, na Voz da América seus maiores ouvintes fora do país. Tudo porque podem ser captadas em Ondas Curtas.
Pra finalizar
Em 1973 a Jovem Pan recebeu uma correspondência de Frankfurt da Alemanha, que descrevia lances de um jogo de futebol com amplos detalhes que foram sintonizados pelas Ondas Curtas de 25 metros . Naqueles anos a Jovem Pan utilizava as Ondas Curtas de 25 e 49 metros , hoje da Rádio Record. Cansei de transmitir jogos pela Jovem Pan fazendo o retorno da emissora em Ondas Curtas no Maracanã, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Buenos Aires, Montevidéu, Assunção e por todo o interior paulista. Quando fui a Frankfurt em companhia de Cláudio Carsughi transmitir a semifinal da Copa de 74 entre Alemanha e Polônia fui surpreendido agradavelmente. Antes de ser iniciado o jogo, já no meu posto de transmissão, fui interpelado por um dos fiscais do Comitê Organizador da Copa. Ao me identificar ele muito feliz me abraçou e disse: “ Sou o missivista da carta que vocês receberam lá em São Paulo ”. “Adoro ouvir emissoras em Ondas Curtas e sempre que a propagação permite sintonizo a Jovem Pan aqui em Frankfurt”. Amigos, o rádio não pode perder a sua essência. Há espaço para tudo nos dias de hoje, até para que as rádios continuem operando em Ondas Curtas. É isso aí.
Visite: www.edemarannuseck.blogspot.com


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Causos do nosso Papo Livre – 01

27/04/08

O Nuno Roland, cantor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro desde a fundação daquela Emissora, foi um dos grandes amigos que tive e cuja partida eu lamentei muito. Ele morreu em dezembro de 1.975. Seu nome era Reinold Correia de Oliveira.
Por Ubiratan Lustosa  

Nuno Roland era catarinense de Joinville e ainda usava calça curta quando começou a tocar caixa e tarol na banda da cidade paranaense de Teixeira Soares. Com 13 anos, mudou-se para Porto União, em Santa Catarina , onde trabalhou como balconista, telegrafista e bancário.
Depois, ele foi morar em Passo Fundo , no Rio Grande do Sul e na Revolução de 1932 alistou-se como voluntário no glorioso “7º. Batalhão de Caçadores” de Porto Alegre e com sua tropa seguiu para São Paulo. Eu ria muito quando ele me contava essas aventuras.
Nessa ocasião, Nuno começou uma grande amizade com outro soldado cujo nome era… Lupicínio Rodrigues. Vejam só! Durante a viagem, juntos cantavam sambas e algumas composições de Lupicínio, então um simples desconhecido. No retorno, Lupicínio Rodrigues, que era o crooner do Jazz-Band do Batalhão, resolveu deixar a farda e passou o seu lugar para o Nuno Roland, e aí começou a carreira de cantor do meu saudoso amigo.
Depois disso, ele atuou na Rádio Gaúcha, Rádio Record de São Paulo, Rádio Educadora Paulista, tornando-se logo um dos grandes cantores da paulicéia. Em 1.936 foi para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, participando do elenco pioneiro desde a inauguração da Emissora de onde jamais se desligou.
Lembro de alguns sucessos de carnaval do Nuno Roland: Pirata da Perna de Pau, Tem Gato na Tuba, Tem Marujo no Samba (que gravou com Emilinha Borba), Lobo Mau e Lancha Nova. Gravou muitas composições não carnavalescas como Fim de Semana em Paquetá, Senhor da Floresta, Camboriú, de Radamés Gnattali e Alberto Paes.
Faleceu antes de gravar a música que lançou com a Grande Orquestra da Rádio Nacional, Curitiba Cidade Sorriso, música de Radamés Gnattali e letra de minha autoria. Houve época em que Nuno foi chamado o “rei das noites cariocas”. Quando ficamos amigos, ele já era abstêmio, e quando almoçávamos juntos, ele, Mário Vendramel, Moacir Amaral, Sérgio Fraga e eu, a gente ria porque para matar saudade ele aspirava o aroma das nossas caipirinhas. Nos anos 60, Nuno formou com Albertinho Fortuna e Paulo Tapajós, o Trio Melodia.
Nuno Roland, um dos grandes cantores da era de ouro do Rádio, era um homem leal, grande artista, grande amigo de quem a gente sente saudade.
Esse nosso papo livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br
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Da Redação
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Marne Barcellos e o incêndio da Rádio Farroupilha

27/04/08

Foram dois incêndios abalando a história da Rádio Farroupilha, de Porto Alegre. No primeiro, a turba descarregou tristezas na forma de gasolina, fazendo os estúdios da velha PRH-2 arderem como pira funerária para Getúlio Vargas, alvo constante de comentários e notícias da estação dos poderosos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand.
Por Luiz Artur Ferraretto   Leia mais…

Áudio da TV no rádio: uma aberração

27/04/08

Aqui em Florianópolis fiquei estarrecido dia desses. Ao ligar o rádio na CBN Diário ouvi algo que não queria. Entrou uma propaganda com áudio de televisão. Aquele material que é feito para a TV, mas que também é estendido para outro veículo, neste caso, o rádio. Como se isso fosse possível, como se isso fosse respeitoso. Por Ricardo Medeiros   Leia mais…

A viagem de trem Araranguá/Laguna levava seis horas! Uma eternidade

27/04/08

Recordações me conduzem às madrugadas frias da minha cidade natal, seis da manhã, saindo da estação no bairro Barranca, resfolegando pelos campos – Maracajá, Sangão (o trem parava para abastecer de água) e finalmente Criciúma. Meu Deus, quanta lembrança daquela cidade carinhosa, a Criciúma da década de 50/60! Leia mais…

O Padre Avoador (bem , mais ou menos)

27/04/08

Sim, concordo – é muita safadeza fazer-se graça com a desgraça alheia. Mas não fazemos outra coisa, o tempo todo (já ocorreu a alguém que toda piada tem, embutida, uma tragédia?), e dá-se que a desgraça em questão apresenta um inarredável elemento gaiato, que não fui eu que inventei.
Por Augusto da Paz* 

Um pouco de História : nosso primeiro clérigo mais leve que o ar foi, lá no comecinho do século XVIII, Bartolomeu de Gusmão. Ele voou, de fato , com a sua “Passarola”, um balão de papel encerado e elevado a ar quente , fornecido por carvões acesos . Combinação indigesta, convenhamos. Mas o melhor é que , no caso dele, deu para subir e descer , numa boa. Agora adivinhem se ele incomodou-se com a Santa Inquisição , a ponto de ter que fugir de Portugal para a Espanha, onde morreu (de causas naturais , diga-se – nada a ver com a Passarola, de todo inocente ). Se mais nada , ele motivou o Saramago a escrever o genial “Levantando do Chão ”.
O próximo na fila foi o Padre Adelir de Carli, que se dispôs a voar do litoral do Paraná até o Mato Grosso do Sul . Até aqui , tudo bem . Muita gente voa entre esses dois estados . A questão , e é aí que entra o patusco , é que ele amarrou-se a um bando de balões de festa , cheios de hélio , sem qualquer controle possível , seja de altitude , seja de direção e, no meio de uma visível tempestade que se formava, alçou vôo , e seja o que Deus quiser. Como inescrutáveis são os desígnios do Senhor , volvida uma semana não se soube mais do Padre de Carli.
Ele fez, entretanto , diversos contatos com sua equipe de terra (o que quer que , no caso , isso queira dizer ), via celular . No primeiro deles, logo após o hélio puxá-lo. Incontrolável , para cima , solicitou: “ Olha , vê se vocês acham alguém para botar no telefone comigo , pra me explicar como é que se usa esse GPS. Senão , eu não posso dar a minha posição pra vocês ”. Sublime . Isso , nem em comédia pastelão dos Três Patetas . E lá se foi o Padre .
Não chegou a Mato Grosso do Sul , como planejava – o que não há de tê-lo surpreendido, pois tinha sido informado, antes de subir , que o vento soprava, e forte , para o oceano . Conseguiu, entretanto , diversos outros feitos . Vejamos alguns : (1) Foi o segundão, se bem que menos esperto , de Bartolomeu de Gusmão; (2) Reduziu a pó de traque o Padre Marcelo Rossi, até aqui o mais trêfego e serelepe dos nossos clérigos ; (3) Provou que esse negócio de Anjo da Guarda é meio relativo ( relativo ao equipamento de que se disponha e ao conhecimento que se tenha); (4) Virou piada unânime na Internet – quem não recebeu ainda aquela foto do “Lost”? Ninguém .; (5) Até três dias atrás já tinha conseguido gastar quinhentos mil Reais dos nossos impostos nos esforços , obviamente infrutíferos , pela sua busca .
Uma confissão final do autor destas mal traçadas: sou, sempre fui, irresistivelmente atraído por malucos , gauches, bêbados , transgressores , heróis sem causa ; gente na contramão em geral . O melhor livro que eu já li? “D. Quijote de la Mancha ”. O melhor filme visto ? “La Incredibile Armata Branca Leone” ( pau a pau com Harold & Maude, “Ensina-me a Viver ”).
Assim sendo, tem o bom Padre Adelir de Carli a minha irrestrita simpatia , perdoados inclusive os quinhentos mil Reais que ele me garfou. Sério-seríssimo: espero que sua teoria esteja certa ; que haja Deus , Eternidade , um Paraíso . E que ele agora faça parte de uma revoada , uma esquadrilha , sei lá qual é o coletivo de Anjo , finalmente voando e sabendo para onde . Mais : que , desta feita , saiba TUDO sobre GPS, sem precisar ninguém telefonar .
* Augusto da Paz ,
N. Sra. Do Desterro , 27/04/08, A.D.


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